
O mamão brasileiro é muito mais do que uma fruta comum à mesa do café da manhã: é um dos pilares da fruticultura tropical brasileira e uma das frutas mais desejadas no mercado internacional. Com uma produção que coloca o Brasil entre os maiores produtores mundiais, atrás apenas da Índia, o cultivo do mamoeiro desempenha um papel triplo fundamental: impulsiona a economia, promove a fixação do homem no campo e serve como modelo para práticas agrícolas mais equilibradas sustentavelmente.
Em 2025, o Brasil exportou 55,2 mil toneladas de papaya, trazendo mais de US$ 74,8 milhões para a economia brasileira. O Espírito Santo, mais uma vez, liderou as exportações, com mais de 22 mil toneladas e mais de US$ 32 milhões, com mais de 40% do volume brasileiro exportado.
Essa potência será assunto de oito reportagens ao longo da série “Mamão brasileiro: produção, mercado e futuro”, apresentado pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex),que começa no dia 30 de abril, no Portal Campo Vivo. Dentre os assuntos abordados estão: tecnologia na produção; ciência e sanidade; produção e território; cadeia produtiva e logística; mercado interno e exportação; impactos sociais e humanos; consumo e futuro da cultura; e certificação boas práticas agrícolas para exportação.

Devido ao seu ciclo de produção contínuo ao longo de todo o ano, o mamão é uma cultura estratégica, ao contrário de outras frutas sazonais, garantindo um fluxo de caixa constante para o produtor e uma oferta estável para o mercado, inclusive de exportação com alto valor agregado, especialmente para a União Europeia e os Estados Unidos.
“Essa inserção internacional não apenas gera divisas em dólar para o país, mas, também exige um padrão de qualidade que eleva o nível técnico de toda a cadeia produtiva nacional”, disse o presidente da Brapex, José Roberto Macedo Fontes.
No âmbito social, o setor mamoeiro também se destaca na fruticultura capixaba como uma das maiores geradoras de empregos diretos e indiretos no setor rural. Por ser uma atividade que demanda tratos culturais intensivos e colheita manual delicada, o mamão retém a mão de obra no campo, combatendo o êxodo rural em regiões como o norte do Espírito Santo e o sul da Bahia.
“O dinamismo dessa cadeia produtiva movimenta desde o setor de transportes e embalagens até a pesquisa científica, criando uma rede socioeconômica que sustenta comunidades inteiras e promove o desenvolvimento regional”, disse Fontes.
Quanto à sustentabilidade, o setor tem avançado significativamente na implementação de tecnologias que minimizam o impacto ambiental. O uso de sistemas de irrigação localizada (como gotejamento) otimiza o uso da água, enquanto o Manejo Integrado de Pragas (MIP) no alinhamento da Agricultura Regenerativa, não só reduz a dependência da utilização de químicos, como também reduz sensivelmente os custos de produção.
Além disso, a fruta é um exemplo de aproveitamento integral e saudabilidade, sendo uma fonte riquíssima de vitaminas e fibras, o que contribui para a segurança alimentar e nutricional da população brasileira.
“O mamão brasileiro é um ativo valioso que harmoniza a geração de riqueza com a responsabilidade social e ambiental. Investir no fortalecimento desta cultura é garantir que o Brasil continue liderando a oferta de alimentos saudáveis para o mundo, unindo produtividade, bem-estar humano e preservação dos recursos naturais”, concluiu o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), José Roberto Macedo Fontes.
A produção brasileira de mamão em 2024 totalizou aproximadamente 1,15 milhão de toneladas. Em 2025, o país registrou um crescimento de quase 30% nas exportações e a União Europeia foi o destino principal, segundo dados da Embrapa.
Valda Ravani, Redação Campo Vivo

