
O uso de bioinsumos vem crescendo de forma contínua no Brasil, especialmente em cadeias com maior rigor nas exigências de mercado, como a fruticultura. Dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) apontam que na última safra 2024/2025 o faturamento do setor de bioinsumos superou R$ 7 bilhões, sendo o terceiro maior país consumidor, atrás da China e dos Estados Unidos.
Os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana – incluindo aqueles obtidos por biotecnologia ou que sejam estruturalmente similares e funcionalmente equivalentes aos de origem natural. Sua atuação envolve a interferência no crescimento, no desenvolvimento e nos mecanismos de resposta de plantas, animais, microrganismos e do solo, além de interagir com processos físico-químicos e biológicos desses sistemas.

Embora ainda existam poucos levantamentos específicos por cultura, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgaram que o país já ocupa posição de destaque mundial nesse segmento. Só em 2025, foram liberados 162 produtos classificados como bioinsumos pelo Mapa – o maior número já registrado no país.
Nesse cenário, impulsionado pela demanda por soluções mais sustentáveis e necessidade de maior eficiência produtiva, a Litho Plant, empresa 100% capixaba, se destaca na produção de biofertilizantes, sendo uma das pioneiras no registro neste segmento no Brasil. Os biofertilizantes são um produto com princípio ativo ou agente orgânico, isento de substâncias agrotóxicas, capaz de atuar, direta ou indiretamente, sobre o todo ou parte das plantas cultivadas, elevando a sua produtividade, sem ter em conta o seu valor hormonal ou estimulante. É subdivido em cinco grupos: biofertilizante de aminoácidos, substâncias húmicas, extratos de algas, extratos vegetais e ainda ser um biofertilizante composto.
“A empresa detém o primeiro registro no país de biofertilizantes à base de substâncias húmicas de turfa e de extrato de algas, no Mapa. Também é a única com oito registros na categoria, incluindo produtos à base de aminoácidos e biofertilizantes compostos, como o produto comercial Turfa Gel® e o Báltico®”, destacou a pesquisadora da empresa, Dra. Cátia Aparecida Simon. Ela acrescenta que cerca de 95% do portfólio da empresa contém biofertilizantes dentro de sua composição, ampliando assim o potencial bioativador e bioestimulante dentro de suas tecnologias.
“A empresa destaca-se por aliar desenvolvimento regional à adoção de tecnologia própria na produção de seus insumos. Esse domínio tecnológico reflete características típicas de empresas consolidadas no setor, com forte investimento em pesquisa e desenvolvimento, equipe técnica altamente qualificada e rigoroso controle de qualidade nos processos produtivos. Além disso, a utilização de tecnologia própria permite maior padronização, rastreabilidade e adaptação dos produtos às condições agrícolas brasileiras, garantindo eficiência agronômica e competitividade”, frisa a pesquisadora.
A Litho Plant tem presença consolidada em oito estados brasileiros, com capacidade logística e industrial para atender clientes em todo o território nacional. Atualmente produz pouco mais de 1 milhão de litros por ano, com capacidade instalada de até 2,5 milhões de litros anuais em um único turno de operação. Ao todo, conta com 32 colaboradores, entre diretos e indiretos.
A empresa reforça seu compromisso com a inovação ao desenvolver soluções sustentáveis e de alto desempenho, como SombrytBR® e Ativar®, estes refletem sua capacidade de integrar tecnologia e eficiência para o campo.
SombrytBR®: fotoproteção vegetal
Diante do crescimento expressivo da fruticultura brasileira e dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, tecnologias voltadas à mitigação de estresses abióticos tornam-se estratégicas para a sustentabilidade da produção. Nesse contexto, o SombrytBR®, desenvolvido pela Litho Plant em parceria com a Embrapa, destaca-se como uma inovação em fotoproteção vegetal.
Trata-se de um protetor solar para plantas, registrado no Mapa, que atua reduzindo a temperatura da superfície foliar e dos frutos em até aproximadamente 5 a 6°C, minimizando os danos causados por alta irradiância e temperaturas elevadas. Sua formulação, baseada em partículas minerais nanométricas, permite a reflexão seletiva da radiação UV (UVA e UVB), sem comprometer a radiação fotossinteticamente ativa, essencial ao metabolismo vegetal.
Ensaios conduzidos ao longo de cinco anos pela Embrapa em diversas frutíferas (como banana, abacaxi, mamão, melancia, manga, maracujá, laranja pêra), demonstram que o SombrytBR® promove melhorias significativas na fisiologia das plantas, incluindo aumento da taxa fotossintética, da condutância estomática e da eficiência no uso da água, além de contribuir para incrementos produtivos, mesmo sob condições de estresse hídrico.

Um estudo conduzido em parceria com o Dr. Laércio Zambolim, a fim de avaliar o efeito do uso de protetor solar para plantas na redução de mancha fisiológica em frutos do mamoeiro grupo solo cultivar Aliança, demonstrou que o tratamento com protetor solar proporcionou uma redução considerável no número de lesões, sobretudo em avaliações realizadas nos meses que antecederam o período de maior incidência da mancha fisiológica do mamoeiro.
Outro importante produto da empresa é o Ativar®, um biofertilizante formulado à base de ácidos fúlvicos, L-aminoácidos específicos e extratos de algas que tem como foco a promoção da eficiência nutricional nas plantas.
“Sua proposta tecnológica está diretamente relacionada à otimização do uso de fertilizantes minerais (NPK), atuando como agente complexante e quelante, favorecendo a disponibilidade, mobilidade e absorção de nutrientes no sistema solo-planta. No cenário atual do agronegócio brasileiro, os fertilizantes potássicos, nitrogenados e fosfatados seguem com preços elevados e sujeitos a variações externas, consequentemente aumentando o custo de produção”, disse Dra. Cátia Aparecida Simon.
A pesquisadora ressalta que o Ativar® pode contribuir para maior eficiência no uso de fertilizantes e na redução de custos de produção sem comprometer a produtividade.
Laboratórios próprios
A Litho Plant conta com uma estrutura laboratorial composta por dois laboratórios especializados: um de Pesquisa e Desenvolvimento de Produto e, outro de Microbiologia Agrícola, atuando de forma integrada para garantir a qualidade e a eficiência dos insumos produzidos, desenvolvendo seus produtos com tecnologia própria, garantindo maior controle de qualidade, padronização e eficiência, além de permitir a criação de soluções adaptadas às condições específicas da agricultura brasileira.
“A empresa formula seus produtos com foco direto no produtor rural, priorizando a bioestimulação nas suas formulações. Essa abordagem busca potencializar processos fisiológicos das plantas, promovendo melhor desenvolvimento, maior eficiência no uso de nutrientes e maior tolerância a estresses, resultando em ganhos consistentes de produtividade”, relata a pesquisadora.
A Litho Plant mantém parceria direta com o Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Itapina, apoiando no desenvolvimento acadêmico e científico, com destaque para o suporte ao curso de Mestrado Profissional em Cafeicultura. Recentemente, ampliou sua atuação internacional por meio da colaboração de sua pesquisadora com uma universidade da China (China–Brazil Scientific Cooperation Program), voltada ao desenvolvimento e à validação de novas tecnologias.
A reportagem integra à série “Mamão brasileiro: produção, mercado e futuro”, apresentada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex).
Valda Ravani, Redação Campo Vivo

