
O Brasil ocupa posição estratégica no mapa global do mamão, respondendo entre 12% e 15% da produção mundial, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), figurando entre os principais exportadores da fruta. Mais do que números, o desempenho do país revela a força de uma cadeia produtiva altamente dinâmica, capaz de atender tanto às exigências do mercado externo, quanto à demanda interna, ainda predominante.
Com a maior parte da produção destinada ao mercado doméstico, o setor opera sob forte influência de variáveis como clima, sazonalidade da oferta e oscilações no poder de compra da população, fatores que impactam diretamente preços, margens e planejamento produtivo.
Nesse ambiente complexo e competitivo, empresas que conseguem integrar diferentes elos da cadeia ganham protagonismo. É o caso da Nortefrut, que se consolida como um dos principais agentes na movimentação do mercado interno, e começou a exportar recentemente, seguindo a evolução natural do negócio.
“O mercado interno, apesar de grande, apresenta momentos de baixa rentabilidade. Ao mesmo tempo, o mercado internacional – especialmente o europeu – tem apresentado demanda crescente por frutas tropicais de qualidade. Percebemos que tínhamos três condições fundamentais para exportar: qualidade de produto, escala de produção e localização geográfica privilegiada”, explicou o CEO da Nortefrut, Sávio Torezani, sobre a decisão.
O empresário pontua que a exportação começou quando identificaram que poderiam capturar melhores oportunidades de valor fora do país, principalmente em momentos de desequilíbrio no mercado interno.

Para isso, o processo exigiu uma grande adaptação, principalmente em certificação e rastreabilidade; padrões mais rigorosos de qualidade; logística e cadeia de frio; e gestão comercial internacional. “Hoje, a exportação não é apenas uma alternativa, mas uma estratégia importante de equilíbrio e crescimento do negócio”, destacou Torezani
O mamão tem peso relevante na pauta internacional do agronegócio capixaba. Em 2025, o produto ocupou a 6ª posição entre os principais produtos exportados pelo agro do Espírito Santo, com US$ 32,3 milhões com embarque de 22,15 mil toneladas. Em relação a 2024, houve crescimento de aproximadamente 14,1% em valor e 13,9% em volume, demonstrando avanço tanto em receita quanto em quantidade exportada. As informações são da GDN/Seag, a partir de dados do Mapa.
Desafios são enfrentados com estratégia
“Fundada em 2002, com atuação que vai do campo à mesa, a Nortefrut estrutura sua operação combinando produção própria e de parceiros em áreas agrícolas. Conta com uma rede de distribuição eficiente, garantindo regularidade de oferta, padronização de qualidade e maior capacidade de resposta às demandas do varejo.
Em 2008, a empresa abriu o seu primeiro Packing House em Pinheiros/ES e posteriormente em 2017, ampliou seu campo de atuação inaugurando seu segundo Packing House em Bom Jesus da Lapa, Oeste da Bahia.
“Nosso diferencial está na escala, na padronização e na capacidade de abastecimento contínuo ao longo do ano, o que nos permite atender redes médias e grandes, além de manter presença consistente nas principais praças consumidoras do país”, detalhou o CEO da empresa.
Para enfrentar os desafios do mercado, a empresa sustenta sua atuação em três pilares estratégicos. O primeiro é a eficiência operacional, baseada em gestão de processos, cronoanálise e padronização das atividades, com foco na redução de custos tanto no campo, quanto no packing house.

O segundo envolve qualidade e regularidade no fornecimento, garantindo padrão elevado da fruta e continuidade das entregas mesmo em períodos de instabilidade do mercado. Já o terceiro pilar é a integração da cadeia produtiva, com atuação que vai da produção à distribuição, assegurando maior controle sobre as margens e redução de perdas ao longo do processo.
A Nortefrut conta hoje em seu quadro com 400 funcionários diretos em 2 Packing Houses e outros 1.200 indiretos, com volume de produção anual que gira em torno de 60 mil toneladas de frutas. A receita no mercado interno é 85% do faturamento total e a receita de exportação corresponde a 15% do faturamento total.
A reportagem integra à série “Mamão brasileiro: produção, mercado e futuro”, apresentada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex).
Valda Ravani – jornalista, redação Campo Vivo

