Mamão brasileiro: selos internacionais fortalecem competitividade da cultura no mercado global

Brasil é referência em segurança do alimento, sustentabilidade e responsabilidade social

por Portal Campo Vivo
A empresa conta com certificações voltadas ao atendimento dos padrões internacionais exigidos pelo mercado de mamão como a GlobalG.A.P. e o GRASP. Foto: divulgação Frutas Solo

O reconhecimento do mamão brasileiro como um dos melhores do mundo não é por acaso. O fruto é resultado de uma combinação privilegiada de fatores naturais, avanços científicos e rigoroso padrão de qualidade. Nesse cenário, as certificações desempenham um papel central, deixando de ser apenas um diferencial competitivo, mas pré-requisito de acesso aos mercados mais exigentes, como União Europeia e EUA.

Mais do que garantir conformidade, as certificações reforçam a credibilidade do mamão como um produto premium, assegurando padrões de rastreabilidade, segurança do alimento, sustentabilidade e qualidade em toda a cadeia produtiva. Inserida nesse contexto está a Frutas Solo Agroindustrial LTDA que mantém certificações voltadas ao atendimento dos padrões internacionais exigidos pelo mercado externo de mamão como a Good Agricultural Practices (GlobalG.A.P.) e o GlobalG.A.P. Risk Assessment on Social Practice (GRASP), além do CoC (Cadeia de Custódia) para o gengibre.  

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Segundo o gestor de qualidade da empresa, Alessandro Nunes Vieira, o Brasil consolidou sua posição como referência na exportação de frutas premium, sustentada pelo rigor certificador. Destaca-se que o impacto das certificações na competitividade pode ser analisado em cinco pilares estratégicos: quebra de barreiras técnicas e sanitárias; diferenciação e valor agregado; profissionalização e eficiência operacional; gestão de riscos e rastreabilidade; e atendimento às demandas ESG.

“No cenário atual, a competitividade do mamão brasileiro não reside apenas na doçura ou na cor da fruta, mas na confiança que os selos internacionais transmitem ao comprador final. O Brasil, ao apresentar essas certificações, ganha preferência em contratos de longo prazo frente a concorrentes que não conseguem comprovar práticas sociais éticas”, frisou o gestor da empresa fundada há 27 anos.

GlobalG.A.P. assegura qualidade da produção

Para produtores que desejam exportar o mamão papaya e formosa, especialmente para a Europa, a certificação funciona como um “passaporte”. Grandes varejistas europeus exigem o GlobalG.A.P como condição mínima para compra, visando padronizar a qualidade dos fornecedores globais. É um dos padrões internacionais mais reconhecidos para o setor agropecuário.

Alessandro Nunes Vieira, gestor de qualidade da empresa. Foto: divulgação Frutas Solo

Um dos papéis principais é estabelecer um sistema de normas técnicas que garantam a segurança do alimento, assegurando que ele chegue ao consumidor sem oferecer riscos à saúde. Isso envolve um controle rigoroso de resíduos de defensivos agrícolas para certificar que o uso de produtos químicos respeita os Limites Máximos de Resíduos (LMR).

“Essa norma vai além do produto final e avalia como ele foi produzido, exigindo a gestão eficiente de recursos naturais – água, solo, e a preservação da biodiversidade na propriedade. No ponto de bem-estar do trabalhador, inclui critérios de saúde e segurança ocupacional para os funcionários do campo. Outro papel fundamental é garantir o rastreamento do produto desde a gôndola do supermercado, até a parcela de terra onde foi plantado, o que permite uma resposta rápida, caso ocorra algum problema de segurança do alimento”, explica o gestor de qualidade da empresa.

Ao adotar as normas, o produtor traz melhorias, profissionaliza a gestão da propriedade, com registros detalhados de todas as atividades, o que auxilia no controle de custos e na eficiência da produção.

Packinghouse da empresa, fundada há 27 anos. Foto: divulgação Frutas Solo

Boas práticas trabalhistas ganham peso nas exportações

O GRASP funciona como um módulo adicional e voluntário à GlobalG.A.P.O objetivo é garantir que a produção agrícola respeite os direitos fundamentais dos trabalhadores no campo, incluindo contratos de trabalho, com acordos formais e compreensíveis para todos, salários dignos, com pagamentos que respeitam o mínimo nacional e as leis locais, e jornada de trabalho com controle de horas extras e períodos de descanso.

Também avalia se a propriedade oferece um ambiente seguro. É crucial em atividades que envolvem o manuseio de ferramentas pesadas ou a aplicação de defensivos agrícolas, garantindo que o trabalhador tenha acesso a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), treinamentos adequados para as funções e instalações de higiene e primeiros socorros.

Um dos pilares do GRASP é a existência de um representante dos trabalhadores. O objetivo é criar um canal de comunicação direto entre funcionários e gerência, permitindo que reclamações ou sugestões sejam ouvidas sem represálias. A certificação serve como uma garantia rigorosa para o mercado de que a produção é livre de exploração, trabalho infantil ou qualquer forma de trabalho escravo ou análogo à escravidão.

“Muitos varejistas internacionais (especialmente na Europa) não aceitam mais apenas a conformidade técnica do produto. Eles exigem a comprovação de que o aspecto social também é respeitado. O GRASP é a ferramenta que “atesta” essa conduta ética para os compradores”, explicou Alessandro.

Mamão, passaporte para outras culturas

O mamão é considerado uma “cultura pioneira” no agronegócio por abrir portas no mercado internacional e preparar produtores para atuar em altos padrões de exigência técnica. Segundo o gestor de Qualidade da Frutas Solo, Alessandro Nunes Vieira, essa experiência facilita a entrada em outras culturas de alto valor agregado.

“Se o produtor consegue exportar o mamão, que é extremamente perecível e delicado com sucesso para Europa e EUA, significa que tem domínio sobre transporte refrigerado de alta precisão, manuseio pós-colheita rigoroso (packing house) e rapidez no escoamento (seja via aérea ou marítima). Uma vez que essa estrutura está montada, adicionar culturas como a manga, o abacate, a pitaya ou o gengibre torna-se muito mais simples, pois o ‘caminho’ logístico já está pavimentado”, disse Vieira.

A reportagem integra à série “Mamão brasileiro: produção, mercado e futuro”, apresentada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex).

Valda Ravani, Redação Campo Vivo

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