Responsável pela denúncia que levou Receita Estadual e Ministério Público do Espírito Santo a desbaratarem a quadrilha que causou um rombo de R$ 1,7 bilhão aos cofres públicos estaduais nos últimos três anos, o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) se mostrou satisfeito com os resultados da operação Robusta II.
“Recebemos essa segunda operação com muita alegria.Estamos ao lado da Receita e Ministério Público desde o início, quando denunciamos a existência de uma quadrilha organizada que sonegava recursos públicos e prejudicava muito os que trabalham honestamente”, assinalou o presidente do CCCV, Luiz Antônio Polese, que quer a continuidade dos trabalhos e o ressarcimento aos cofres públicos.
“Queremos o aprofundamento das investigações e que o Estado seja ressarcido plenamente. O Centro do Comércio de Café também deseja que Receita Federal e Ministério Público Federal sejam comunicados do que está acontecendo por aqui, afinal, há impactos também
na esfera da União”. O dirigente disse ter informações de que a quadrilha teria também ramificações em São Paulo e que o esquema seria único. “Há também negócios em São Paulo. O que nos deixa mais tranquilos é que o cérebro foi atingido nesta operação. Apesar de muito articulada, a impressão que tem de que trata-se de uma quadrilha só, com cabeça, tronco e membros. As prisões de hoje (ontem) foram no foco”. “Toda essa operação e os resultados por ela alcançados mostram a importância da cooperação entre as instituições, sejam elas públicas ou privadas”, sublinhou o presidente do CCCV.
RESPIRO
No meio de uma pesada onda de desvalorização, a eliminação dessa quadrilha do mercado é vista pelo CCCV como a entrada de um fôlego extra. “O esquema permitia a quem participava comprar café por preços mais altos, o que estava sufocando quem trabalha honestamente. Sem dúvida será um fôlego extra”.
Essa “gordura” que permitia a compra por preços mais altos é explicada pelo fato das empresas participantes não pagarem qualquer imposto na operação.
Esse valor a mais era visto como uma bonificação ao produtor que vendia as sacas de café sem nota fiscal para os membros da quadrilha.
A desvalorização do café se acentuou de uns meses para cá. No início de agosto, a saca do conilon estava cotada a R$242.No final de outubro, o preço caiu para R$ 184. A saca do arábica, que em agosto era vendida a R$240, caiu para R$ 173. Em 2012, a renda bruta do segmento bateu em R$ 3,3 bilhões. Neste ano, a expectativa é de, no máximo, R$ 2,3 bi.
Redação Campo Vivo

