A notícia sobre o possível decreto de Estado de Calamidade Pública para o setor do cacau em Linhares, publicada originalmente no site O Botocudo, repercutiu no setor. Além da possível adoção de medidas através do decreto, a situação atual da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) também gerou comentários entre técnicos e líderes do segmento.
Alguns técnicos do órgão no Espírito Santo sentiram desconforto com as afirmações do presidente da Associação dos Cacauicultores de Linhares (Acal), Maurício Buffon, criticando a falta de recursos da Ceplac. “Os meus comentários têm como foco a alta cúpula da CEPLAC que nada resolve. Estamos no fundo do poço em termos de produção e receitas e Brasilia não se comove. O governo federal está mal assessorado, jogando no lixo todo o conhecimento acumulado por especialistas durante dezenas de anos. A CEPLAC, que tanto fez pela cacauicultura nacional, merecia mais que isso”, destaca Buffon.
O setor de cacau necessita passar pela reestruturação de suas lavouras no ES. Estima-se que apenas 10% das propriedades foram reestruturadas e já estão produzindo com eficiência e resultados muito promissores. “Faltam, portanto, 90%. Daí a calamidade”, diz o presidente da Acal.
Buffon acrescenta: “Conheço os técnicos da Ceplac do Espírito Santo e sei o quanto são dedicados e valorosos. Mas também sei que o governo federal vem sistematicamente reduzindo o orçamento ano a ano. Esses cortes se refletem em toda a cadeia pois oferece dificuldades para que seus técnicos possam exercer dignamente suas funções” , afirmou.
O presidente da Acal diz ainda que, juntamente com outros representantes do setor, tem lutado pelo fortalecimento da Ceplac com as autoridades competentes, mas encontra ‘resistências em Brasília’. A solicitação do Estado de Calamidade Pública foi enviada pela Acal à Câmara Municipal contendo informações sobre o cenário de destruição gerado pela doença.
Redação Campo Vivo

