Não é novidade expressarmos o fato de que a fome é um dos piores e mais agressivos males da humanidade. Tão agressivo que compromete o meio ambiente e, por conseqüência, prejudica a saúde humana e a de todos os seres vivos deste planeta. É o pior desastre mundial para o meio ambiente e, portanto uma vergonha para nós, os seres humanos.
A meu ver o tema segurança alimentar deveria ser matéria obrigatória em toda e qualquer escola, ou seja, ensinar como se alimentar adequadamente, em termos quantitativos e qualitativos. Onde está a verdadeira política de segurança alimentar dos Governos, tão falada e discutida? Sabe-se que grande parte dos seres humanos que se acham satisfeitos quantitativamente está passando fome, pois não está consumindo qualitativamente o necessário para atender à demanda nutricional do organismo humano.
Também existem aqueles, e são muitos (cerca de 20% da população mundial) que nem quantitativamente são atendidos, sobrevindo as doenças por conseqüência da miséria extrema. Da mesma miséria surgem a baixa produtividade no trabalho, o baixo nível de escolaridade, a pouca inovação tecnológica e por decorrência a pequena criatividade e fechando o ciclo, a remuneração, e enfim um mundo totalmente desumano e desagradável.
Por outro lado os governos (estou dizendo governos porque arrecada muito e aplica muito mal – um péssimo gestor de recursos públicos) ao invés de atacarem as causas do problema, vêm atuando na contratação de mais médicos, construindo mais prisões e, enfim, atuando na contramão da estrada, ou seja, atacando os efeitos e não as causas dos problemas.
Ora, pois, se a garrafa cai da mesa porque o pé da mesa está quebrado, não adianta colocar outra garrafa, mas sim, consertar o pé da mesa. Porque não investir mais em educação alimentar, produção mias bem equilibrada, armazenamento e distribuição mais adequada dos alimentos, ou seja, atacar com mais entusiasmo e determinação as causas dos problemas e reduzir o entusiasmo e a disposição de combater os efeitos, ou seja, os problemas? Entendo que os recursos atuais que são destinados para à construção de presídios, investimentos no Programa Mais Médicos, e os excessivos gastos em propaganda política dirigida, dentre outros, são de menor impacto do que aqueles que deveriam ser aplicados na educação e produção alimentar. E o pior, quando se ataca os efeitos, caminha-se na direção do oposto desejável: não acabar com o problema e sim minimizá-los. Vem junto a filosofia que chega a ser um comportamento, uma quase cultura: os problemas sdão mais atrativos às políticas do que suas causas.
Observe-se que nos países ou regiões onde a alimentação é mais equilibrada, e o povo é mais bem informado e tem nível cultura elevado,as ocorrências de doenças, violência, crimes são proporcionalmente mais baixas. Nós estamos passando da hora de investir mais na educação alimentar; na melhor produção e distribuição dos alimentos. Distribuir bolsa família é necessário, mas é conveniente que a ela se associe a educação alimentar, das mães e dos filhos, principalmente.
Segurança alimentar é papel de todos, notadamente para os profissionais da das ciências agrárias e, neste particular, os Governos deveriam realmente apoiar mais o setor primário, visando reequilibrar as receitas e reduzir as vulnerabilidades que ocorrem na produção mais consentânea com uma política verdadeira de segurança alimentar.
Como podemos ter segurança alimentar sem incentivos, sem armazéns, sem estradas/ferrovias/dutos/hidrovias, enfim sem planejamento e sem educação? Observem que o setor agrícola perdeu o rumo de vez, pois não vemos mais o planejamento e o acompanhamento dos resultados, retroalimentando os processos de decisão, típicos do processo de virtuoso de planejamento, monitoramento e avaliação tão importante nos avanços da década de 90 e até início dos anos 2000? Não vemos nenhuma secretaria de agricultura dos estados e nem mesmo o Ministério da Agricultura valorizando tais iniciativas. Quem está fazendo seus Planos são os segmentos privados, e os Governos sendo pautado por eles, quando eles conseguem. Do que adianta discutir segurança alimentar se os governos não se interessam em planejar ações pertinentes e, quando planeja, não acompanha, não monitora e, enfim, não colhe nenhum feed bach e pouco ou nada reformulam suas ações?
Parece claro: a prioridade brasileira é o imediatismo das ações o VOTO e, sendo assim, é fácil concluir que governos entram e governos saem, um imita a ação do outro, dá-lhes rótulos diferentes e assim vamos como uma nau sem rumo. Quem não planeja sua rota, corre riscos de graves acidentes, e não sabem para onde vai. Planejar só não basta, é preciso saber para onde estamos indo, como estamos avançando e quais correções de rumos precisamos adotar.
Enfim, como recomendação desta reflexão, fica a ideia de que é preciso PLANEJAR – EDUCAR- REALIZAR-CONTROLAR – AVALIAR E REPLANEJAR as ações que visem à segurança alimentar, para todos os seres vivos deste planeta. Somente assim poderemos visualizar uma evolução no combate à fome: é a melhor forma de produzir equidade, com sustentabilidade.
Nelson Élio Zanotti
Wolmar Loss

