A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) falhou novamente nesta quinta-feira em vender um lote de 51.570 sacas de café de seus estoques, com o preço de abertura colocado no leilão considerado muito elevado para um grão colhido há quase dez anos.
O preço de abertura do leilão foi de 460,20 reais a saca, para um café colhido na safra 2002/03. O produto ofertado, todo arábica, foi cultivado nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e São Paulo.
‘Esse café (dos estoques), para vender, teria que ser na faixa de 360, 380 reais. Com o preço lá em cima, ninguém entra no leilão’, acrescentou.
Amaral calcula que o governo tenha em seus estoques cerca de 2 milhões de sacas, com boa parte do volume tendo sido adquirido em 2009, quando o governo retomou as compras de café por meio de contratos de opções.
‘Com certeza, o governo não está interessado em vender’, opinou Amaral.
Em entrevista em fevereiro, o diretor de Café do Ministério da Agricultura, Robério Silva, afirmou à Reuters que os preços do café teriam que subir mais para que o governo vendesse seus estoques.
‘Tem um ou outro cliente que toma esse café, com tanto tempo assim. A grande maioria prefere safras atuais, mas um café desse tem que ter um deságio. Não sei de onde tiraram esse preço, nesse preço, não vende’, disse o corretor.
Ele se queixou ainda que há uma outra dificuldade: o fato de o governo não permitir que o café a ser comercializado seja provado. A Conab só permite a observação do produto no armazém, segundo o corretor, que foi ver o café armazenado no Paraná.
‘O certo seria mandar uma amostra para as entidades… isso poderia valorizar algum lote ou não.’
Reuters

