Conab falha novamente em vender seu café; preço afasta comprador

por admin_ideale

 


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) falhou novamente nesta quinta-feira em vender um lote de 51.570 sacas de café de seus estoques, com o preço de abertura colocado no leilão considerado muito elevado para um grão colhido há quase dez anos.


Na semana passada, o governo já havia tentado vender o café ofertado de novo nesta quinta-feira. Mais uma vez, nada foi comercializado, apesar de uma escassez de oferta no mercado internacional que levou recentemente os preços em Nova York a máximas em mais de 30 anos.


O preço de abertura do leilão foi de 460,20 reais a saca, para um café colhido na safra 2002/03. O produto ofertado, todo arábica, foi cultivado nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e São Paulo.


‘Falhou o preço. Para um café 2002/2003, ele (governo) colocou um preço de café verde (novo)’, disse o corretor Carlos Amaral, da A Rural, no Paraná.


O preço de abertura do leilão está ligeiramente abaixo do café comercializado em fevereiro na Cooxupé, no sul de Minas Gerais, onde o grão da última safra foi vendido em média a 473,95 reais por saca.


‘Esse café (dos estoques), para vender, teria que ser na faixa de 360, 380 reais. Com o preço lá em cima, ninguém entra no leilão’, acrescentou.


Amaral calcula que o governo tenha em seus estoques cerca de 2 milhões de sacas, com boa parte do volume tendo sido adquirido em 2009, quando o governo retomou as compras de café por meio de contratos de opções.


‘Com certeza, o governo não está interessado em vender’, opinou Amaral.


Em entrevista em fevereiro, o diretor de Café do Ministério da Agricultura, Robério Silva, afirmou à Reuters que os preços do café teriam que subir mais para que o governo vendesse seus estoques.


‘Tem um ou outro cliente que toma esse café, com tanto tempo assim. A grande maioria prefere safras atuais, mas um café desse tem que ter um deságio. Não sei de onde tiraram esse preço, nesse preço, não vende’, disse o corretor.


Ele se queixou ainda que há uma outra dificuldade: o fato de o governo não permitir que o café a ser comercializado seja provado. A Conab só permite a observação do produto no armazém, segundo o corretor, que foi ver o café armazenado no Paraná.


‘O certo seria mandar uma amostra para as entidades… isso poderia valorizar algum lote ou não.’


 


Reuters

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