Produção de frutas no Estado migra para áreas de cultivo não tradicionais

por admin_ideale

 


As mudanças climáticas têm provocado no Espírito Santo um fenômeno curioso. Na área da fruticultura, regiões antes não utilizadas no cultivo ganharam espaço para a produção de frutas, a partir de novas tecnologias e das pesquisas para adaptação de cultivares desenvolvidos pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e que permitiram a diversificação da produção no Estado.


Segundo o coordenador do Programa de Fruticultura do Incaper, Aureliano Nogueira da Costa, o maracujá é um bom exemplo dessa conquista. Fruta tradicionalmente produzida na região Norte do Estado, pode ser encontrada em quantidades expressivas na região Serrana, área antes não recomendada para o plantio.


Atualmente, um grupo de 20 produtores cultiva o maracujá em 10 hectares, e chega a produzir, em média, 30 toneladas por hectare ao ano na comunidade de Rio Plantoja, em Santa Maria de Jetibá, com altitude de 1.000 metros.


“As pesquisas para introdução e adaptação de cultivares e o lançamento de variedades têm permitido avançarmos em culturas que, antes plantadas apenas em clima tropical, hoje já são cultivadas em regiões subtropicais, como em regiões de altitudes elevadas, o que permite termos produção de frutas tropicais em clima temperado. A mesma realidade tem ocorrido com as frutas de clima temperado em regiões tropicais”, observou o coordenador.


Produção


Além disso, explica Nogueira, as novas tecnologias, com melhoramento genético, adubação e irrigação, tecnologia de poda e manejo da cultura permitiram potencializar a produção. “O Estado ganhou muito com a diversificação. Regiões que antes tinham menor número de culturas recomendadas tecnicamente, hoje contam com mais opções para o plantio. Ampliamos o leque de recomendações, o que é uma excelente opção para o pequeno produtor, pois agrega mais valor à propriedade”, ressaltou.


Outro exemplo que mostra a expansão da área de produção de frutas no Estado é o mamão. Tradicionalmente cultivado na região Norte, tem avançado para região Sul, especificamente em Presidente Kennedy.


O oposto também tem acontecido. O abacaxi, cultivado no Sul – em Marataízes, Presidente Kennedy e Itapemirim – tem apresentado excelente desenvolvimento no Norte, nos municípios de Pinheiros e Linhares, regiões que não eram produtoras dessa cultura.


Fruticultura Capixaba


Em 2002, a produção anual de frutas no Estado não passava de 750 mil toneladas. Hoje, com uma área de 85 mil hectares, a produção é estimada em 1,28 milhão de toneladas por ano. Com isso, a fruticultura já ocupa a terceira colocação no negócio agrícola capixaba, participa com 18% do valor bruto da produção agropecuária estadual. Proporciona uma renda superior a R$ 500 milhões por ano e gera aproximadamente 50 mil empregos diretos e 150 mil indiretos.


As frutas que apresentaram maior aumento na produtividade foram: o abacaxi, que registrou crescimento histórico, saltando de 15 toneladas por hectare (ton/ha) para 45; e o mamão, que passou de 40ton/ha para 70ton/ha. Outras culturas, como maracujá, banana e goiaba também obtiveram aumento em sua produtividade.

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