País tem potencial agrícola suficiente para conter inflação

por admin_ideale

 


O Brasil tem potencial agrícola suficiente para conter a inflação sem sacrificar o crescimento da economia. A avaliação, do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é uma prévia do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustentará hoje no lançamento do pacote de incentivos para a agricultura. O BNDES integra as medidas com redução de juros para financiar máquinas e equipamentos para o setor, conforme antecipou Coutinho.


“Não podemos deitar por terra todo o sacrifício para conter a inflação. O controle sobre a inflação será mantido. O Brasil está em uma posição relativamente boa para fazer isso, quando comparado a outros países. Não precisaremos sacrificar o crescimento como vários países terão que sacrificar. Podemos responder de maneira muito afirmativa em termos de oferta agrícola”, afirmou o presidente do BNDES.


A política de controle de preços por meio dos juros, para Coutinho, tem que ser questão separada da estratégia para investimentos. E defendeu a manu-tenção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu manter a taxa em 6,25% ao ano na última segunda-feira. “Seria precipitado mexer na TJLP. Ela está no lugar certo”, acrescentou. A taxa, que baliza o custo de empréstimos do BNDES, foi mantida em 6,25% na reunião do conselho na última segunda-feira.


Os juros de longo prazo, segundo Coutinho, sustentam projetos de longa maturação, que não têm relação com a pressão atual de preços. Pelo contrário, os investimentos precisam de incentivos para aumentar a oferta e reduzir risco de inflação por falta de produtos. O BNDES anuncia hoje custos menores de crédito para aquisição de tratores e máquinas agrícolas. O prazo, de acordo com Coutinho, não será alterado.


Coutinho citou o vigor do Finame, programa de financiamento do banco de fomento para aquisição de bens de capital, para mostrar que a queda na produção industrial ainda não é motivo de preocupação. “Os indicadores anteriores do Finame mostram que a demanda e o consumo aparente de bens de capital se mantém muito firme”, afirmou, durante o II Encontro Nacional do Comércio Exterior, na sede da Confederação Nacional do Comércio (CNC).


No evento, o governo anunciou um conjunto de ações para estimular as exportações de serviços, que deverá incluir linhas de financiamento e desonerações tributárias. As estimativas do Ministério são as de que as exportações brasileiras do setor atingirão US$ 39,5 bilhões, em 2010. Essa projeção foi feita considerando que o segmento apresenta crescimento de mais de 20% ao ano desde 2005. Mas, segundo José Augusto Castro, da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), o saldo comercial de serviços ainda está no vermelho. Estimativas ainda não concluídas apontam para um déficit de US$ 10 bilhões anuais.


As estatísticas do governo apontam que o setor de serviços cresceu 5,0% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período de 2007, e os serviços que mais se destacaram foram financeiros e seguros (15,2%); informação (9,5%) e comércio (atacadista e varejista), com 7,7%.


O Ministério está elaborando uma balança comercial de serviços. O sistema será por meio da internet, com lançamento previsto para 2009.


Gazeta Mercantil

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