Pratini de Moraes deixa Abiec para assessorar o JBS/Friboi

por admin_ideale

 


A maior empresa frigorífica do mundo – o JBS/Friboi – terá em seus quadros o ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes. O ex-ministro, que era membro do Conselho de Administração do grupo desde o ano passado, anunciou ontem a saída da associação. Ele permanece no cargo até o final do mês, quando a Abiec deve escolher seu sucessor.


 


Para analistas, Pratini de Moraes ajudará o JBS que hoje, entre as de alimentos, perde apenas para a Tyson Foods em faturamento. Consideram também difícil a associação conseguir “alguém à altura”.


 


A saída de Pratini de Moraes da Abiec estava sendo discutida desde o final de 2007. Mas, a crise com a União Européia – que embargou a carne brasileira no final de janeiro até o último dia 25 – adiou os planos do Friboi. “Eu segui um ditado que aprendi com meu pai: não se muda a junta do boi no meio da correnteza”, disse.


 


Com o fim do embargo, segundo ele, não precisava ficar mais na Abiec. Sua gestão marcou a profissionalização da instituição que, até 2003, tinha na presidência membros dos frigoríficos.


 


Pratini de Moraes explica que será um conselheiro do grupo. “Minha tarefa principal será a consolidação do programa de internacionalização”, diz. Segundo ele, será implantar mecanismos de gestão, de governança corporativa, tudo o que diga respeito a uma rede internacional. Com a abertura de capital, o JBS transformou-se em uma multinacional e, no ano passado, o maior frigorífico do mundo, ao adquirir a americana Swift. A primeira tarefa de Pratini de Moraes será relacionada às novas aquisições: National Beef, Smithfield Beef e Tasman, que ainda dependem da aprovação dos órgãos reguladores nos Estados Unidos e Austrália. Ele lembra que cada país tem um funcionamento do setor – e, nisto, sua experiência como ministro e membro da Abiec, virá a auxiliar.


 


A saída dele foi bem-vinda pelo mercado. “Para o setor, não tem mudança. Ele é um homem ligado à exportação e, nisso, o Friboi ganha”, diz o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, lembra que o grupo está querendo se fortalecer internacionalmente e o ex-ministro pode ajudar no planejamento estratégico. “É uma aquisição necessária devido à forma como eles (JBS) estão crescendo”.


 


O analista da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, diz que a Abiec perde bastante, pois o nome de Pratini de Moraes é muito respeitado, tanto no Brasil como no exterior. Ele acrescenta que a ida do ex-ministro também serve para mostrar “segurança” ao mercado. ” Tudo o que vem fazendo até agora, desde a aquisição da Swift, é para afastar a imagem de que deu um passo maior que perna”, diz. Já Paulo Molinari, da Safras & Mercado, lembra que Pratini de Moraes tem grande experiência na solução de problemas, principalmente de âmbito internacional, como os sanitários. “Com o seu tamanho, o JBS precisa contratar bons profissionais”.


Pratini de Moraes está na vida pública desde 1968, quando foi ministro interino do Planejamento. Esteve também nas pastas de Indústria e Comércio (1970/74), de Minas e Energia (1992) e da Agricultura (1999/2002).


 


Exportações


O embargo da União Européia resultou em queda nas exportações brasileiras de carne bovina. Segundo levantamento divulgado ontem pela Abiec, em fevereiro as vendas externas totalizaram US$ 341,5 milhões – 2,70% a menos que no mesmo período do ano passado – ou 165,3 mil toneladas – queda de 24,44%, na mesma comparação. Quando comparado com o mês passado, a redução é de 27,24% em receita e 16% em volume.


 


No acumulado do ano, o resultado de fevereiro influenciou apenas nos embarques. Nos dois primeiros meses, o País comercializou com o exterior 362 mil toneladas de carne – queda de 16,59% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita foram US$ 806,9 milhões, alta de 16,94%, na mesma comparação. Pratini explica que a União Européia prejudicou o volume, mas os preços mais altos no mercado internacional auxiliaram no aumento da receita.


 


Gazeta Mercantil


 

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Sign up with email

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar