Boa safra de milho não garante abastecimento

por admin_ideale

 


No ano em que o Brasil colhe a maior safra de milho da sua história, as indústrias locais poderão ficar sem o produto. O forte aumento nas exportações e o prolongamento da entressafra – provocado pelo atraso no plantio – tendem a deixar o cereal escasso no mercado interno e os preços mais altos, com previsão, inclusive, de recordes. E, com isso, o País pode precisar importar o produto.

A última vez que o grão esteve em falta, em 2002, chegou ao recorde de R$ 32 a saca (60 quilos) em Campinas (SP). Ontem, os contratos na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F) para janeiro – entressafra – fecharam a R$ 29,30 a saca. Desde o início do mês a valorizou do papel chegou a quase 10%. Analistas de mercado acreditam que a cotação do grão continuará elevada até o fim da entressafra.

“Com o plantio atrasado ou não, a situação do final já estaria complicada”, afirma Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Isto porque, as exportações tendem a ser muito maiores do que se projetava, devido à demanda repentina da Europa. Pelas estimativas da consultoria, neste mês o País somará 8,5 milhões de toneladas de grão embarcado, indicando que as remessas tendem a passar de 10 milhões de toneladas.

Além da menor disponibilidade interna, os consumidores – principalmente granjas de aves e suínos – podem sofrer com uma entressafra prolongada, proporcional ao tamanho do atraso no plantio. A falta de chuvas no mês passado e no início de outubro fez com que até o momento 27,% da área fosse cultivada ante a 39,4% nesta mesma época do ano passado – de acordo com a Safras & Mercado. Pelas projeções da Céleres o índice é de 22,2% para 32,6%. Molinari diz que no Sul o atraso é equivalente a um mês e no Sudeste e Centro-Oeste passa de 40 dias. Molinari lembra que o atraso no cultivo pode provocar também um problema logístico: a colheita de milho coincidir com a de soja.

“Pelo que a gente pode observa hoje o momento complicado para o mercado interno será no início do ano que vem”, avalia Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP Mas os produtores de suínos já querem uma sinalização do governo. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Rubens Valentini, afirma que o setor pleiteia a autorização da importação de milho transgênico. “Há uma insegurança muito grande em relação ao mercado de milho para fevereiro. Há consciência de que não vai ter milho”, diz.

O analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Marco Antônio de Carvalho, diz que pelos dados atuais não haverá problema, mas é necessário esperar até novembro para se ter uma real clareza da situação. Segundo ele, a situação mais difícil é de pequenos produtores – uma vez que as grandes empresas têm estoques do produto. Carvalho lembra também que o governo já tem realizado alguns leilões e dispõe de cerca de 1,5 milhão de toneladas em seus estoques.

De acordo com ele, o que ocorre hoje é que a distribuição do milho existente não corresponde à necessidade do mercado. De acordo com dados da Safras & Mercado, justamente os dois estados que dispõe do maior superávit do grão – Paraná e Mato Grosso – são os que estão escoando este excedente por meio das exportações. A estimativa é que os paranaenses embarquem 4 milhões de toneladas e os mato-grossenses 3,5 milhões de toneladas.
“A partir de fevereiro que o abastecimento vai começar a apertar e então, vai ser uma correria”, diz Carvalho. Ele lembra também que os compradores têm de ter em vista que os parâmetros de preços atuais estão se modificando, devido à bioenergia.


 


 


Gazeta Mercantil


 

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