Pratini: ´Não pretendemos derrubar preços. Queremos apenas competir´

por admin_ideale

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec), Pratini de Moraes, afirmou ontem em entrevista a jornalistas europeus e brasileiros na feira de alimentos de Anuga, em Colônia (Alemanha), que o Brasil não pretende derrubar os preços da carne na Europa, como acusam pecuaristas da Irlanda, principalmente.


“Queremos apenas competir no mercado europeu”, afirmou. A declaração de Pratini vem em um momento de expectativa para o segmento exportador de carne: pressionada por pecuaristas irlandeses e do Reino Unido, que vêem falhas na rastreabilidade do gado brasileiro, a União Européia anunciou que pode embargar a carne bovina do Brasil se suas exigências em relação a controles não forem implementadas até o fim deste ano.


 


Pratini estará hoje em Bruxelas acompanhando o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que terá encontro com membros do Parlamento Europeu e o comissário da área de saúde da UE, Markos Kyprianou. Aos jornalistas, entre eles irlandeses, o presidente da Abiec fez uma apresentação didática sobre a pecuária brasileira, rebatendo acusações acerca da sanidade da carne brasileira e de que a pecuária estaria avançando sobre a Amazônia. “O gado criado na Amazônia é para consumo local”, sustentou.


 


Pratini explicou aos jornalistas a diferença entre os conceitos de Amazônia Legal e floresta amazônica. O primeiro, disse, foi criado para definir uma região que teria direito a incentivos fiscais da antiga Sudam e abrange uma área de 5 milhões de hectares. Já a área de floresta é de cerca de 3,5 milhões de hectares.


 


O dirigente também apresentou os números grandiosos da pecuária brasileira, que costumam assustar criadores de países menores. Com um rebanho de 207 milhões de cabeças de gado (21% do total mundial), o Brasil produziu 8,95 milhões de toneladas de carne em 2006, 16% do total produzido no mundo, e exportou 2,4 milhões de toneladas (32% do total). “Um em cada três quilos de carne bovina consumido no mundo é brasileira, e estamos em 150 mercados”, afirmou.


 


Ele fez questão de enfatizar que o Brasil nunca teve casos de “vaca louca” – doença que persiste no Reino Unido e Irlanda – porque o gado é alimentado basicamente a pasto e que o uso de hormônios na criação é proibido no país. Sobre rastreabilidade, alvo preferido dos irlandeses, Pratini garantiu que toda a carne brasileira exportada é rastreada.


 


Pratini de Moraes aproveitou para reclamar das taxas que os europeus impõem à carne brasileira, como a tarifa de 176% sobre cortes in natura. Mesmos com as taxas elevadas, a UE foi, em valor, o maior mercado para o Brasil no ano passado, com compras de aproximadamente US$ 1 bilhão.


 


O presidente da Abiec também reiterou na Europa algo que tem repetido muito no Brasil desde que foi ministro da Agricultura, de 2000 a 2002: “Barreiras sanitárias são o novo nome do protecionismo”. E disparou: “Estamos cheios das restrições a nossa carne”.


 


À pergunta de um jornalista da Irlanda do Norte, que o questionou sobre que decisão esperava da UE acerca das exportações de carne ao bloco, Pratini respondeu, em tom exaltado, não acreditar que a UE mudaria suas regras por causa da pressão.


 


Em conversa com o Valor, outro irlandês, do Irish Farmers Journal, publicação que tem criticado a carne brasileira, disse que pessoalmente “não tem problemas com a sanidade” do produto do Brasil. E admitiu que “o problema é que os pecuaristas irlandeses estão tendo perdas com a carne” devido aos maiores custos com controles do rebanho. Por isso, temem o efeito da oferta de carne brasileira no mercado europeu.


 


 


Valor Econômico  

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