Rastreabilidade e sustentabilidade representam o futuro do mercado cafeeiro no Brasil e no mundo

por Portal Campo Vivo

Esta foi a conclusão de especialistas da indústria, produtores e governo em um debate promovido pela Syngenta durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG). Juan Gimenes, da Nucoffee (plataforma de negócios da Syngenta para cafeicultores); Niwton Castro Moraes, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Programa Certifica Minas Café); e Ana Carolina Alves Gomes, do Sistema FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais) integraram a mesa de discussões. Também participaram a barista Isabela Raposeiras (Coffee Lab) e o consultor internacional Marcus Young, representante de uma das instituições de café mais prestigiadas do mundo, a Boot Coffee Campus (Califórnia – EUA).

Young abriu o debate afirmando que o setor deve estar atento às questões sociais, ambientais e econômicas para prosperar nos próximos anos. Para o especialista, o café especial é a maior tendência do segmento, pois há uma demanda global pelo produto, que gera mais receita e viabiliza o negócio, principalmente para pequenos produtores. “Em uma pesquisa feita pela Boot Coffee Campus, nos Estados Unidos, nove em cada 12 consumidores disseram estar dispostos a comprar café de maior qualidade e por um preço maior, desde que tenham sido produzidos de forma sustentável”, diz.

Neste ponto, o consultor argumentou que a rastreabilidade é fundamental, pois atesta todas as etapas pelas quais o grão passou até chegar aos centros urbanos. “A próxima onda do café será determinada por uma relação mais próxima entre o produtor e o consumidor de grandes cidades. É a revolução da qualidade”, sublinha. Young acredita que no Brasil o cenário é o mesmo, pois a demanda por práticas verdes é crescente no país. O consultor afirmou, ainda, que o mercado brasileiro é determinante para o universo cafeeiro de todo o mundo, já que corresponde a 30% da produção global. “Há uma grande responsabilidade do Brasil por todo o café mundial, dada sua expressividade. Aqui há demanda, grande conhecimento técnico e recursos. Mais do que nunca, é necessário investir em tecnologia, novos padrões de qualidade e em processos eficientes e sustentáveis.”

À frente da premiada cafeteria e escola de baristas Coffee Lab, Isabella Raposeiras defende a mesma linha, ao afirmar que o único caminho para o pequeno produtor é apostar no café especial. Para ela, a rastreabilidade é indispensável para os produtos que adquire, pois o consumidor de blends mais sofisticados exige processos sustentáveis. “O café especial é a saída para rentabilizar os produtores de menor porte, que não conseguem margem com o produto comum. Nossos clientes pagam pela qualidade e fazem questão de que o café que estão tomando tenha origem em práticas sociais e ambientas corretas”, pontua. “Por meio de experiências, contamos as histórias dos pequenos produtores, que sensibilizam e fidelizam a clientela.”

Boas práticas

Ana Carolina Alves Gomes, da FAEMG, levou para a discussão as boas práticas que a entidade tem implantado em Minas Gerais, sobretudo por meio do programa Café Mais Forte, que promove capacitação gerencial para os produtores do Estado. “Nós temos investido em sustentabilidade e qualidade há uma década. Desde 2010, assistimos mais de 900 propriedades e promovemos mais de 26 mil visitas técnicas. O objetivo é auxiliar o cafeeiro na análise gerencial, de solo, do insumo e com o custo da produção. Temos tido um ótimo retorno, com aumento significativo da qualidade e sustentabilidade do café mineiro”, enfatizou

Representando o governo, o Secretário Niwton Castro Moraes afirmou que o projeto Certifica Minas Café tem incentivado a produção sustentável. “Estamos ajudando o produtor de café a ter práticas sociais, ambientais e econômicas mais sustentáveis. A certificação avalia todo o processo produtivo e dá a garantia que estamos fazendo um produto de alta qualidade. Isso incentiva a comercialização e abre novos mercados”, destaca.

Por fim, o representante da Nucoffe, Juan Gimenes, enfatizou a atuação da plataforma, focada na melhoria da produtividade, processos e sustentabilidade da cadeia. De acordo com o executivo, o portfólio oferecido pela Nucoffee é capaz de gerar raízes mais densas e profundas, o que gera aumento de 20% da produtividade. Também ressaltou o programa de treinamento da plataforma, que já capacitou mais de 80 mil cafeicultores. “Estamos, ainda, investindo na pós-colheita. Nossas parcerias com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) têm gerado grãos que aumentam em 40% a atividade antioxidante do café e intensificam seu perfil sensorial. São formas disruptivas de inovar o setor, que ganha em competitividade”, explica.

A plataforma também premia os agricultores pela rastreabilidade. Gimenes citou o projeto implementado no Cerrado, que alcança mais de 1.200 propriedades, responsáveis por entregaram 170 mil sacas totalmente rastreadas. “A rastreabilidade é indispensável, pois garante que as melhores práticas estão sendo aplicadas ao processo de produção. Além do mais, as sacas rastreadas são mais bem remuneradas, devido ao seu diferencial. A cadeia toda ganha, pois padroniza a qualidade do café”, ressalta.

Agrolink

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