Produzir mais em menor espaço. É com esta definição que pesquisadores e produtores avaliam o desempenho de um clone de café Conilon que, em cinco anos de pesquisa, vem conquistando o homem do campo por seus excelentes resultados.
O chamado Café Folhinha, ou Café Folha Fina, ou ainda, café folha murcha, chama atenção por suas peculiaridades. Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador do cultivar, Alonso Bravin, as diferenças começam pela aparência da planta. “O primeiro contato com o clone adulto não é dos melhores. O porte do B1 é menor e seus galhos são mais próximos uns dos outros, se comparados com outros cultivares do Conilon. Mas o grande diferencial da planta está nas folhas, que se apresentam pequenas e murchas, “assustando” à primeira vista, pretensos interessados em cultivar o clone”, avalia.
O modesto porte do Café Folhinha é apenas um disfarce para o verdadeiro potencial que a planta apresenta. Durante a pesquisa, o clone registrou uma produtividade média de 170 sacas por hectare, mais que o dobro dos resultados apresentados pelos demais cultivares do Conilon. Conforme Bravim, o segredo da alta capacidade produtiva está na forma de plantio do Clone. “Este cultivar demanda uma lavoura mais adensada. Assim, plantios do Clone B1 comportam 50% a mais de plantas que outros cultivares do Conilon. Uma relevante economia de espaço nas lavouras” adianta o pesquisador.
A pesquisa também apontou que o modelo de cultivo adensado permite a redução da quantidade de brotos, controla o aparecimento de ervas daninhas, gera economia de água, adequa a mecanização e dispensa vergamento. “São fatores que geram economia, eficiência e uma maior garantia de produtividade”, defende Alonso Bravim.
Realidade em diversas lavouras localizadas em Linhares e Sooretama, o Clone B1 foi alvo de pesquisas entre os anos de 2009 e 2013, na Fazenda Experimental do Incaper em Sooretama. No momento, os estudos encontram-se paralisados. “Lamentamos a descontinuidade das pesquisas, dado o excelente resultado apresentado durante o ciclo de cinco anos. Tenho acompanhado as lavouras dos agricultores que apostaram no cultivar e observo que o bom resultado tem se replicado nas lavouras particulares”, lamenta o engenheiro, que é servidor aposentado do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
Criador do clone B1 e incentivador de estudos em torno do cultivar, o produtor rural Gabriel Burgarelli cultiva o café há 15 anos. Ele relata que chega a colher 200 sacas por hectare num espaçamento de 2 x 0,70 metros por planta. “A produtividade é, de fato, duas vezes maior que todos os outros cultivares de café conilon que cultivo. Destaco como grandes diferenciais da espécie a resistência à Ferrugem e à Conchonilha (pragas), além da facilidade de limpeza da lavoura. O B1 supera todos os cafés”, avalia o produtor.
Matéria publicada na Revista Campo Vivo – edição 23 – Set/Out/Nov 2014
Redação Campo Vivo

