Até que ponto os defensivos agrícolas são aliados do agricultor?

por admin_ideale

“Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”. A frase do filósofo moderno René Descartes descreve bem quando o assunto é o uso de defensivos agrícolas no controle eficaz de pestilências na agricultura. Desde as primeiras atividades rurais, o homem do campo tem como maior desafio prevenir e inibir ocorrências e efeitos de pestes capazes de destruir lavouras.

Segundo o National Research Council, estudos científicos apontam que as perdas em razão de pragas nas culturas agrícolas, na ausência de métodos de prevenção e controle, alcançam até 40% das culturas plantadas, tendo maior proporção em países rumo ao desenvolvimento. Diante dos prejuízos quase irreparáveis, a indústria química se empenhou em criar e experimentar os primeiros produtos inorgânicos que atendessem as urgências do setor.

Por falta de capacitação e pelo uso inadequado, esses compostos atacaram a saúde pública mundial e o equilíbrio ecológico, em decorrência da sua elevada toxicidade. “A ingestão de resíduos agroquímicos em alimentos, na água ou até mesmo o contato com a pele inalação durante a fabricação, transporte e aplicação nas plantações pode poluir recursos naturais, causar ferimentos graves, nascimentos prematuros, doenças endócrinas, neurológicas, cancerígenas e imunológicas”, afirma Murilo Pedroni, engenheiro agrônomo da Federação de Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes).

No futuro, espera-se que o aumento da produtividade agrícola requeira maior integração de tecnologias que reúnam conhecimentos agronômicos, sistemas de informação, equipamentos, treinamento e insumos.

A utilização inadequada de defensivos agrícolas é combatida continuamente pelo Sistema FAES, Senar-ES e Sindicatos. Nos últimos cinco anos, foram realizados 670 treinamentos sobre o uso correto e seguro de agrotóxicos, com a participação de 10.817 pessoas.

Todos os treinamentos são gratuitos e têm a finalidade de ensinar os produtores e trabalhadores rurais que utilizam agroquímicos a fazê-lo de forma segura, protegendo o solo, os mananciais, a si próprios e também a garantir a segurança alimentar dos consumidores.

Segundo o presidente da Faes, Júlio da Silva Rocha Jr, as entidades estão atentas ao problema. “Não estamos de olhos fechados à situação do uso inadequado dos defensivos e para isso faremos uma campanha de divulgação para duplicar o número de cursos e qualificar mais trabalhadores rurais”.

 

Guia do Uso Correto dos Defensivos Agrícolas

Ainda que sejam de fácil aplicabilidade e apresentem resultados imediatos, o emprego contínuo ou de forma errônea dos agroquímicos continuam castigando a saúde humana, dos animais e o ambiente. Quando aplicados seguindo fielmente as normas de uso e os cuidados exigidos, tornam-se um importante aliado no combate às pragas.

“Antes de optar pelo uso desses produtos, é fundamental buscar capacitação e consultar um Engenheiro Agrônomo para fazer uma avaliação correta dos problemas na lavoura”, afirma Fabrício Gobbo, técnico de capacitação do Senar-ES.

Vamos ao Guia:

  1. A compra do produto só deve ser feita mediante receita agronômica individual. A via do comprador e a nota fiscal são a garantia ante o Código de Defesa do Consumidor.
  2. Recuse produtos em embalagens sem instruções, danificadas e com prazo de validade vencido ou burlado.
  3. Ao transportar o produto, tenha em mãos a nota fiscal. Evite contato com o corpo e com outros objetos. O veículo deve portar rótulos de riscos e painéis de segurança e o motorista deve ter habilitação especial.
  4. Desde o preparo até a aplicação, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) é obrigatório. Óculos, máscara, luvas, chapéu e macacão impermeáveis, e bota de borracha servem para prevenção contra doenças graves, irritação nos olhos, vias respiratórias e pele.
  5. Antes da sua utilização, o defensivo deve ser diluído para ser aplicado de maneira manual ou mecânica.
  6. Durante a aplicação, verifique a corrente de ar e aplique sempre a favor do vento.
  7. Qualquer inseticida líquido deve ser agitado por dois ou três minutos para haver uma mistura homogênea, porque 95% do litro é apenas veículo de transporte do produto. Não proceda a mistura do produto em lugar fechado, faça em lugar ventilado.
  8. O produto deve ser usado somente quando houver necessidade. “Às vezes, o problema na lavoura é consequência da pouca irrigação ou necessidade de adubação e correção do solo. Também deve verificar se o nível de dano econômico causado pela praga ou doença justifica a intervenção”, afirma Fabrício Gobbo. Nunca ultrapasse a dosagem indicada. No caso de fungicida ou inseticida, evite a misturá-los, porque diminui a potencialidade.
  9. Tendo concluído a aplicação, o vestuário usado não deve ser guardado e lavado com outras roupas. Banho frio impede a dilatação dos poros.
  10. Armazene o produto em lugar arejado, protegido de calor e possível incidência de luz solar, e longe do alcance de crianças.

 

Existem outras opções além dos defensivos agrícolas tradicionais?

Uma opção é o emprego de técnicas integradas de gestão de pragas, que considera interações entre plantas, pestes, solos, climas, controles biológicos, como predadores ou insetos estéreis, armadilhas e rotação culturas.

O uso de biopesticidas é outra alternativa. São micro-organismos predadores de origem natural. Sua utilização ainda é limitada devido às dificuldades em testar sua eficácia, riscos ambientais e custos de seu desenvolvimento.

 

Investindo no futuro

Em paralelo aos treinamentos, desde 2005, o Sistema vem investindo na conscientização dos alunos da Rede Pública em diversos municípios do Estado, através do Programa Agrinho, que, de forma lúdica leva informações sobre cidadania, saúde, empreendedorismo às crianças do meio rural, todos permeados pelo tema meio ambiente e, especialmente sobre o uso seguro dos defensivos agrícolas.

Ao longo de 2014, 58 municípios do Estado integraram o programa que atendeu cerca de 83 mil alunos e envolveu 2.269 professores. Espera-se que em 2015 participem do Programa Agrinho pelo menos 120 mil alunos e 3 mil professores de 65 municípios, um acréscimo de 12% em relação ao ano anterior.

 

 

Lucano Brito

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