O mercado futuro de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerra o mês de março com pouca oscilação. Os contratos acumulam, até o momento, desvalorização de cerca de 2% no mês. No primeiro trimestre, a queda é de quase 20%.
Nos últimos sete dias, os contratos oscilaram dentro de estreito intervalo, com desvalorização de 3,6%, saindo de 143,35 cents para 138,20 cents (menos 515 pontos). A máxima foi de 145,40 cents (terça-feira, dia 24) e a mínima marcou 136 cents (quarta-feira, dia 25).
As cotações de arábica são pressionados principalmente pelo fortalecimento do dólar em relação ao real. A moeda norte-americana valorizada melhora a remuneração dos cafeicultores, em moeda local. O dólar e os futuros de arábica, entre outras commodities cotadas na moeda, guardam uma correlação inversa quase perfeita. Desde o início do ano, o real enfraqueceu perto de 22% ante a divisa norte-americana, enquanto o café despencou 20%. Na sexta-feira passada, o dólar subiu 1,51%, a R$ 3,2360, enquanto os futuros de arábica em Nova York recuaram 1,46%.
Além do câmbio, a atuação de fundos e especuladores contribuem para segurar os preços. A aproximação da colheita da safra brasileira e as compras anteriores de indústrias reforçam o sentimento baixista. Os fundos de investimento elevaram um pouco o saldo líquido vendido em café em Nova York, passando de 10.605 lotes no dia 17 de março para 13.366 lotes no dia 24 de março, considerando futuros e opções, segundos o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), divulgado na sexta.
Comerciais (indústrias e exportadores, principalmente) mantiveram praticamente estável o saldo bruto comprado, de 110.240 lotes para 110.031 lotes. Já os fundos de índice elevaram o saldo líquido comprado no período, de 22.473 lotes para 24.799 lotes. Levando em conta apenas o mercado futuro, os fundos saíram de saldo líquido comprado de 284 lotes no dia 17 de março para 2.195 lotes vendidos no dia 24.
Nos fundamentos do café, uma estimativa privada projetou a safra de café 2015 no Brasil entre 44 milhões e 45,5 milhões de sacas de 60 kg ante 48 milhões a 49 milhões em 2014. A Fundação Procafé estimou, no dia 12 de março, que a safra deve atingir volume entre 40,30 milhões e 43,25 milhões de sacas de 60 kg, o que significa uma quebra de 4,61% a 11,12% na comparação com as 45,342 milhões de sacas colhidas em 2014.
Com relação aos indicadores técnicos, os contratos trabalham dentro de estreito intervalo. O mercado tem rondado o nível de 134 cents, sinalizando que pode testar o fundo duplo a 128,80 cents. Em contrapartida, a resistência é de 146,75 cents (máxima do dia 19 de março) e 150 cents. Sem novidades, o mercado pode continuar o movimento de consolidação.
Os futuros de arábica em Nova York caíram na sexta. Maio/15 recuou 205 pontos (1,46%) a 138,20 cents. A máxima foi de 140,80 cents (mais 55 pontos). A mínima alcançou 136,55 cents (menos 370pontos).
Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica no mercado físico brasileiro se mantiveram na sexta-feira passada praticamente estáveis pelo segundo dia seguido. O Indicador Cepea/Esalq do Café Arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 458,58/saca de 60 kg, praticamente estável (-0,07%) em relação ao dia anterior. Ainda assim, o nível de preços não é suficiente para que produtores voltem a negociar, e a liquidez mantém-se limitada, diz o Cepea.
Os preços do robusta enfraqueceram. O indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 308,90/saca de 60 kg, recuo de 0,56% em relação ao dia anterior. O tipo 7/8, bica corrida, ficou em R$ 296,84/saca, estável na mesma comparação – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.
Agência Estado

