Com o sol quente e as temperaturas altas, muitos alimentos tem estragado mais rápido. Frutas, verduras e legumes já geraram prejuízo de R$ 1,4 bilhão à agricultura do Espírito Santo. Nas Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa), as medidas para conter os estragos do verão começam com o resfriamento das frutas mais sensíveis ao calor, como o caqui.
O proprietário de uma loja de frutas, Marcos Simonassi, afirma que sem o resfriamento os problemas aumentariam em um curto espaço de tempo. Ele explica que os produtos podem estragar em 48 horas por causa do calor. "Se o cliente não tem um padrão de qualidade para manter a temperatura, ele vai ter problema com mais frequência", ressalta Simonassi.
Além das preocupações com a estocagem de alimentos, os produtores também estão preocupados com a possibilidade que há de restringir a irrigação, para haver menos consumo de água. "Já se fala em você irrigar só no período da noite, de 18h até as 6h. Porque nós temos muito municípios com problemas seríssimos de água", diz o agrônomo do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Hermeval Guerini.
Esse racionamento já faz parte da rotina do agricultor Elias Gomes, que tem lavouras de banana, maçã e café. Na propriedade dele, a irrigação não acontece mais todos os dias. "Estamos irrigando só três dias por semana, na segunda, quarta e sexta", explica.
Feira
O calor pode ter diminuído a qualidade dos produtos, mas não a exigência dos clientes. As bancadas das feiras de frutas ficam cheias até mais tarde, e alguns produtos nem saem delas. O motivo é quase sempre o mesmo: as frutas já estão estragadas ou estão estragando. "No verão as coisas são sempre mais caras e muitas estragadas também", relata a dona de casa Maria das Graças.
O tomate é um dos produtos que mais estraga no verão. No dia 5 de janeiro, a entrada do produto na unidade superou 310,7 mil quilos, enquanto que no dia 19 de janeiro caiu para 229,9 mil kg. Ou seja menos de 80,8 mil quilos comercializados.
Perdas
De acordo com o Incaper, em todo o estado as perdas nas lavouras de café variam de 20% a 32%; na produção de leite entre 23% e 28%; e na fruticultura entre 20% e 30%. Isso representa perda de cerca de R$ 960 milhões na cafeicultura, R$ 300 milhões na fruticultura, e R$ 130,7 milhões na pecuária de leite, com base na produção e no faturamento dos produtores rurais no ano de 2014. O valor das perdas poderão chegar a R$ 1,390 bilhão.
G1 ES

