Falta de chuva reduz produção agrícola capixaba em mais de 40%

por admin_ideale

Se o ano passado foi marcado pelas fortes chuvas e enchentes, 2015 chegou preocupando pelo longo período de estiagem. A falta de chuva atinge o Estado nos últimos meses.

De acordo com o Incaper, o total de chuva acumulado ficou abaixo da média histórica nos meses chuvosos, como de janeiro a março e de meados de outubro a dezembro. Nos primeiros dias do ano, apenas a região Nordeste e o Extremo Norte têm sido contemplados por chuvas fracas em pontos isolados.

A cafeicultura, pecuária de corte e leite e a produção de frutas são os que mais sentem os efeitos da seca. Em alguns municípios, fala-se em redução de mais de 50% da produção agrícola.

De acordo com presidente da Faes, Júlio Rocha, este é um dos períodos de maior duração da estiagem. “A situação é dramática. De Norte a Sul do Estado os produtores estão sofrendo com o tempo seco e a situação pode piorar já que não há previsão de chuva para as próximas semanas. Acredito que não alcançaremos a estimativa de produção de café anunciada pela Conab, uma vez que em fase de florada/granação o grão precisa de água e o tempo está seco”, lamenta Rocha.

A primeira estimativa de safra de café, divulgada pela Conab e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), já cogita redução de 2,7% se comparado à safra anterior. A diminuição foi observada no café Conilon, que registra queda entre 8,8% e 6,3%.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o Espírito Santo e algumas regiões do Brasil atravessam uma grave crise hídrica, provocada por diversos fatores.

“Neste momento, mais do que nunca, precisamos de um esforço coletivo para colocar em prática ações de curto, médio e longo prazos que tenham capacidade de garantir a preservação e recuperação dos recursos naturais, a reservação e a produção de água e a mudança nos hábitos da população”, destaca Octaciano Neto.

 

Café

Em Jaguaré, maior produtor de Conilon do Estado, já falta água e, de acordo com o produtor rural, Elder Sossai de Lima, produtores apontam redução de aproximadamente 50% nas lavouras de café.

“A falta de chuva chegou na florada, que é o momento que mais precisamos de água, e perdura agora na granação. Com isso, o grão perderá peso e qualidade”, explica Elder.

Segundo o engenheiro agrônomo e superintendente do Cento de Desenvolvimento Tecnológico do Café (CetCaf), Frederico Daher, altas temperaturas também influenciarão a qualidade do café. “São fatores que interferem na massa do café, alterando o tamanho e peso”, explica.

 

Gado comprometido

Os gados de corte e de leite têm sofrido bastante com a ausência de chuvas no Espírito Santo. Com a falta de pastagem, os pecuaristas têm visto os animais perderem peso e nos casos mais graves, morrerem nos pastos.

Para o presidente do Sindicato Rural de São José do Calçado e secretário da Faes, Altanor Lôbo, este é um dos períodos mais críticos vividos pelos produtores e já se calcula um prejuízo alto. “Até agora, 40% da produção já foi perdida e, se não chover, esse número pode superar 50%. Quem tem condições compra selagem, mas muitos não têm”, comenta Lôbo, que adianta: “Com a falta de carne no mercado, os preços vão subir”.

O gado leiteiro também vive umas das fases mais difíceis. Em alguns municípios a perda na produção de leite chega a 50%. De acordo com o presidente da Comissão de Leite da Faes e presidente do Sindicato Rural de Jerônimo Monteiro, Rodrigo Monteiro, a situação é apavorante.

“No Sul do Estado foi registrado um recuo de 25% da produção, mas esse número vai crescer com o prolongamento da estiagem. O que dificulta a situação é o mercado. Mesmo com o aumento do custo de produção, uma vez que é necessário comprar alimentação a mais para os animais, o preço do leite permanece baixo”, explica Monteiro. 

Um levantamento realizado pelo Incaper nos 78 municípios conferiu à pecuária de leite um prejuízo de R$ 130,7 milhões. O cálculo é baseado no valor bruto da produção de 2014 e na média de preços deste ano.

 

Fruticultura

A fruticultura também amarga prejuízos com a seca. A produção do segmento vai cair entre 20% a 30%, o que corresponde a um prejuízo de aproximadamente R$ 300 milhões, conforme dados do Incaper. As culturas mais atingidas são mamão, coco, banana, morango, abacaxi, banana e uva.

 

Municípios decretam situação de emergência

Para facilitar o alongamento e renegociação dos financiamentos, o presidente da Faes, Júlio Rocha, indica que os Sindicatos Rurais apresentem a situação aos prefeitos e solicitem a decretação de Estado de Emergência. “Os produtores precisam se assegurar e nesta situação, a melhor providência é antecipar o decreto de emergência”, sugere.

A Seag apresentou algumas ações para amenizar os impactos e prejuízos aos produtores rurais, entre elas estão a articulação com Defesa Civil Estadual para auxiliar na montagem do pedido da situação de emergência/calamidade; e o encaminhamento com as instituições que operam crédito agropecuário no Espírito Santo para discutir prorrogação e renegociação de dívidas e abertura de novas linhas de crédito para os agricultores e pescadores.

Em Cachoeiro de Itapemirim, que decretou situação de emergência, os prejuízos estimados chegam a R$ 8 milhões. De acordo com o Decreto, cerca de 2600 propriedades foram atingidas. O documento foi encaminhado a Brasília no intuito de arrecadar verba para minimizar os impactos. Entre as ações, a Prefeitura planeja levar água às propriedades por meio de carros-pipas e furar poços artesianos.

 

 

Lohanna Mendes

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Sign up with email

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar