Por serem relativos, os preços são intrinsecamente instáveis. Do ponto de vista conjuntural, a natureza biológica da produção submetida à imprevisibilidade de longo prazo do clima, a descentralização da produção (o café, por exemplo, é produzido em mais de 150 nações), a geração de expectativas quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda mundiais e a relação de paridade entre as moedas nacionais constituem o bojo das flutuações dos preços. Ademais, na origem dessa instabilidade encontram-se as distintas naturezas, específicas de cada ativo.
No mercado global das commodities (petróleo, metálicas/minerais e agrícolas), o estabelecimento das cotações ocorre dentro de bolsas de valores, organizadas com o intuito tanto de minimizar os custos de transação quanto de adicionar confiança às transações, uma vez que somente operadores registrados – que ultrapassam a casa dos milhares – podem nelas atuar, permitindo assim funcionamento eficaz para a compra e venda dos ativos. As cotações que diariamente ali se estabelecem transmitem-se instantaneamente para todo o sistema econômico, contribuindo decisivamente para que se aproxime de almejado “preço justo” da commodity transacionada.
No mercado das commodities existem hierarquias. Aquela que pode ser considerada a rainha de todas as demais é, indubitavelmente, o petróleo. Sob a hipótese dos preços relativos, a demanda global – em grandes quantidades diárias – pelo produto estabelece nas cotações desse ativo parâmetro para todas as demais negociações.
Confrontando as cotações mensais do petróleo com as registradas pelo café arábica, constata-se que existe ligeira correlação com a trajetória das curvas, ao menos em seu sinal. Movimentos ascendentes ou descendentes do ativo primordial (petróleo) são acompanhados pelo secundário (café). Ainda que tênue, esse vínculo possibilita a construção de cenários para cotações futuras.
Desde agosto de 2013, os preços do barril do petróleo tipo Brent vêm caindo US$10/mês, atingindo cotações próximas dos US$70/barril. Em reunião recente da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), o mais temido de todos os cartéis, ratificou-se a decisão de manter a oferta diária em 30 milhões de barris ao dia. Esse patamar de oferta tende a manter as cotações deprimidas, contribuindo inclusive para acentuação da tendência de queda.
No mercado de café, prevalece insegurança entre os investidores /especuladores quanto ao patamar que alcançará a colheita da safra 2015/16 no Brasil. Estimativas privadas e da Organização Mundial do Café indicam que o consumo de estoques nas duas últimas safras tenha atingido entre 10 milhões e 13 milhões de sacas para atender a escassez de oferta. Assim, à primeira vista, as causas da escalada nas suas cotações decorre de aspectos intrínsecos ao seu mercado e a seus fundamentos. Todavia, um olhar mais atento constata que as cotações do café em poucas ocasiões desgarraram-se das do petróleo, havendo paralelismos entre ambas as curvas.

