A queda da produção de cacau, matéria-prima do chocolate, tem preocupado produtores e amantes do doce. Há algumas semanas, grandes fabricantes do mundo inteiro falaram sobre a possibilidade da escassez do chocolate no futuro. Em Linhares, município que mais produz cacau no Espírito Santo, o cenário também é de alerta.
Lavouras foram devastadas por uma doença nos cacaueiros e a produção, que já chegou a 14 mil toneladas, praticamente zerou.
Para o produtor rural Paulo Gonçalves, uma combinação de fatores é o que tem causado a queda da produção. “Primeiro, é o fator climático. Outro problema é o fator social, o êxodo rural que está acontecendo no mundo todo. E o terceiro problema é a lavoura, o preço está inviável, o custo é muito alto e o retorno ao produtor não é bom”, contou.
Ele tem uma fábrica de chocolates e contou que está se preparando para enfrentar a falta de cacau. “Nós estamos aumentando nossa área, renovando nosso cacau. Chocolate é um produto funcional, um produto para a saúde, e o consumidor vai ter que pagar mais caro”, disse.
O também produtor Xerxes Caliman tem lavoura há 30 anos e se diz pessimista em relação ao futuro da produção. “Acho que as propriedades vão diminuir muito, muitos produtores de cacau vão desistir, devido ao custo alto da produção, e no final das contas vai acontecer o que se prevê: o cacau vai desaparecer. Mas as grandes indústrias provavelmente vão se desinteressar, e o preço vai aumentar numa proporção que poucos terão a oportunidade de experimentar chocolate novamente”, disse.
Doença
Recentemente, os produtores passaram pelos piores momentos dos últimos anos. As lavouras foram devastadas pela vassoura de bruxa, uma doença fúngica típica de cacaueiros. Ela ataca especialmente os frutos e brotos, causando a diminuição significativa na produção, e em alguns casos, pode levar o cacaueiro à morte. A doença fez a produção anual de 14 mil toneladas de amêndoas praticamente zerar.
Soluções
Após estudos feitos pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), as plantações de cacau estão sendo renovadas com clones resistentes e mais produtivos.
O engenheiro agrônomo da Ceplac, Paulo Siqueira, com mais de 40 anos de experiência na área, não acredita que o chocolate vai acabar. “Nós esperamos que no Espírito Santo, que já chegou a produzir 14 mil toneladas em 1975, esteja na casa das 10 mil toneladas em 2020”, disse.
Para ele, tudo depende do produtor. “Desde que o agricultor mude um pouco o aspecto cultural do manejo do cacau velho para um cacau mais tecnicamente mais conduzido. Além do material genético, tem que se irrigar, e tem que se fazer o cacau ser produtivo no meio dos sistemas agroflorestais, que é plantar o cacau com seringueira, com coco, com madeiras economicamente viáveis”, finalizou.
G1

