Além do aumento sazonal no consumo de frango para as festas de final de ano, puxado pela procura de aves natalinas, o setor pode ter uma demanda extra neste ano, impulsionada pela disparada nos preços das carnes bovina e suína, além da manutenção dos patamares altos em toda a cadeia.
Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicado (Cepea) divulgado ontem mostra que, na última terça-feira (11), o frango resfriado no atacado da grande São Paulo atingiu a média de R$ 3,76 por quilo, enquanto a carcaça comum suína (carne) chegou a R$ 7,46, 98% mais cara que a ave. Em relação ao boi, a disparidade é ainda maior. No mesmo dia o quilo do bovino bateu R$ 9,16, valor 150% superior ao do frango.
"Para o final do ano existe uma elevação natural média de 5%. Neste ano, a diferença é que o boi e suíno tiveram um grande aumento na demanda externa e ambos estão com problemas de oferta. Estes três tipos de proteína animal vão subir, mas as aves têm produto suficiente para atenderem o mercado", explica o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.
O executivo destaca que, com a crise econômica, há uma retração no consumo de alimentos. Para ele, neste cenário, as aves estão sendo favorecidas na questão preço.
"Em geral, o frango aumenta o consumo porque ocupa o espaço do bovino. Apesar disso, não vejo grandes saltos de preço, mas também não há queda", completa Turra.
Análise
De acordo com o Cepea, essa diferença de preços entre as carnes foi atingida porque, nos últimos meses, a suína e bovina tiveram reajustes bem maiores que a de frango.
Entre 29 de setembro e 11 de novembro, o boi teve ganho de 16%, o suíno de 16,2% e a de ave, 3,9%. Na parcial de novembro, os aumentos do frango se destacam ao atingir 5,6%, ante os 0,2% da suína e 4,9% da bovina, mas ainda são bem inferiores aos já acumulados pelas demais proteínas.
"O suíno, sazonalmente, se destaca no final do ano mas agora temos problemas com a oferta por conta da crise que afetou o setor nos últimos dois ou três anos. A grande diferença é que o frango demora em média 45 dias para reposição da granja, nas demais carnes não é possível fazer esse processo no curto prazo", explica o analista de mercado do Cepea, Augusto Maia.
O especialista ressalta que o clima de verão também favorece o consumo de frango, por ser considerada uma proteína animal "mais leve". Em contrapartida, as recuperações de preço no milho e no farelo de soja também podem influenciar o custo do produtor e, consequentemente, o valor estabelecido no atacado.
Mercado externo
A última análise da ABPA mostra que a receita das exportações de carne de frango (considerando produtos inteiros, cortes, processados e salgados) registrou, em outubro, alta de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2013, totalizando US$ 743,2 milhões. Em volume, a elevação foi de 1,9%, chegando a 362,3 mil toneladas.
No resultado acumulado entre janeiro e outubro, houve incremento de 3,3% em volumes, com 3,327 milhões de toneladas embarcadas. Com este desempenho, a receita do setor totalizou US$ 6,622 bilhões, ligeira queda de 0,7% no comparativo anual.
"Houve uma notável ampliação dos embarques para importadores de produtos com maior valor agregado, reforçado pela demanda russa", diz o vice-presidente de aves da ABPA, Ricardo Santin.
Nayara Figueiredo

