Sou da época em que o Partido dos Trabalhadores fazia rifa de bicicletas e televisões, para angariar fundos de campanha do Partido. Ganhei até uma bicicleta, que se estivesse lá no dia do sorteio, a devolveria para ser sorteada de novo. Luciano Mendes, meu amigo do ICEPA, da SEAG, onde lá trabalhava também Ruth Reis, jornalista, filha de Santa Teresa, petista juramentada, são partícipes e testemunhas do fato. Luciano, que estava me representando (como simples concorrente) no sorteio, não aquiesceu em deixar a bicicleta, antes de me consultar. Sinceramente, daria de novo a bicicleta, tamanho a simbologia de luta e honestidade que envolvia o movimento petista da época.
A Igreja Católica, (que a nossa família professa desde sempre – viemos católicos da Áustria e da Itália), em suas comunidades de base, era a sala, a cozinha e o quarto dos movimentos sociais, fundado na Teologia da Libertação, de Leonardo Boff. Tais ações faziam ecoar, nos mais longínquos rincões, a questão agrária, a opção pelos pobres, as lutas camponesas. Em várias delas, algumas justas, outras exageradamente e escancaradamente ideológicas, fazendo a reforma agrária um movimento de agressão e esbulho da propriedade privada produtiva. Isto já me fez desconfiar dos propósitos humanistas do movimento dos trabalhadores.
Nada do que se vê hoje do PT. Acho que o Partido deve sim desculpas à Igreja, pelo menos à Igreja Católica, Apostólica e Romana, por tê-la usado com propósitos escusos; desculpas deve também ao mais humilde dos brasileiros, o mais pobre, porque pobre verdadeiro não rouba, não pactua com o roubo, não arma quadrilhas para roubar. O pobre, verdadeiramente, tem vergonha na cara. Prefere ter um filho assassino, invocando intuitivamente o direito natural da defesa e preservação da vida, a ter um filho ladrão, que desonra toda a família. Nos financiamentos de microcréditos, por exemplo, a inadimplência NESSA CATEGORIA é historicamente a mais baixa do que nas outras linhas de crédito e fomento às atividades econômicas, demonstrando que desviar roubar pilhar desonra a todos.
Ainda, como cristão e católico, julgo importante que os nossos representantes do Clero, humildemente, reconheçam que em vários momentos confiaram ingenuamente no PT e nos movimentos sociais de esquerda, que prometiam um Brasil mais justo e humano, e nos deixaram corrupção, vergonha e um Pais sem rumo. Não proponho retratação, mas um gesto que é próprio da igreja católica que procura convencer, reconhecendo e corrigindo seus falhas e equívocos, como símbolo do perdão, que repercute na alma do cristão e alcança a todos, pelo exemplo que dá, no plano individual e das organizações humanas.
Sinceramente, não se pode esconder no discurso de combate à pobreza, doando tostões, comparativamente aos bilhões que desviaram de instituições públicas, no Mensalão, na compra da Refinaria de Pasadena e, há 12 anos, montando o mais sórdido esquema de corrupção na PETROBRAS. Institucionalizou-se na Petroleira o corpo corruptivo mais perverso de que se tem notícia neste país, escondendo-se no ufanismo do pré-sal, do Petróleo é Nosso, revoltando Getúlio Vargas, e ofuscando o mal, fazendo proselitismo com os pobres.
Com que autoridade falam de pobreza? Depois de tanto roubo? Tiveram oportunidade de fazer, em 12 anos, a diferença em favor dos brasileiros. Aprofundaram-nos na desesperança. O medo não foi vencido. Ao contrário foi ampliado. Esta é a razão da minha frustração, de minha indignação e do meu sofrimento. Consternado. Poderia não escrever isso, me omitir, mas o faço em nome de minha família, do neto que vem e dos que virão, com certeza, do futuro de meus amigos jovens, colegas de vinte e alguns anos do curso de direito. Eles merecem um Brasil verdadeiramente Melhor.
Wolmar Roque Loss

