As empresas brasileiras de chocolate premium estão otimistas com o resultado da produção neste ano e esperam manter o ritmo em 2015. O setor cresce a uma taxa média de 20%, com a produção de 30 mil toneladas por ano.
Os dados fazem parte de levantamento sobre o potencial de expansão do segmento, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Balas e Derivados (Abicab) .
"Nossa previsão é que o mercado mantenha o ritmo de crescimento nos próximos anos e a produção chegue a 40 mil toneladas", conta o diretor de chocolate premium da Abicab, Caio Tomazeli.
Segundo o representante, empresas de diferentes tamanhos se destacam na fabricação dos produtos, já que os pequenos produtores são abastecidos por grandes produtores. Essa rede garante que todos se beneficiem do aumento na demanda.
Pequenas e médias
Uma particularidade do segmento é também uma das vantagens dos fabricantes. Muitos industriais são donos das lojas que comercializam o produto final. Essa proximidade com o varejo ajuda no planejamento da produção, sem perdas com estoques indesejados, por exemplo.
Na empresa Chocolat du Jour, de São Paulo, o controle de todas as etapas do processo produtivo ilustra essa peculiaridade. A empresa tem uma parceria com fazendas produtoras de cacau na Bahia e acompanha o plantio e tratamento que o cacau recebe.
O controle é estendido até a temperatura nos pontos de venda, de acordo com a diretora de marketing da empresa, Patrícia Landmann.
"Nós percebemos como o cuidado no processo tem reflexo na qualidade final", afirma.
Atualmente, a empresa paulista produz em média duas toneladas por mês e espera crescer até 15% em 2014, com a abertura de uma nova loja.
"Esses pequenos e médios produtores são ou se tornam em algum momento empresários da indústria varejista, porque montam pequenas lojas para vender sua produção, um perfil diferente das grandes redes como Cacau Show e Kopenhagen", comenta o diretor da Abicab.
Um exemplo desse modelo de negócio é a empresa gaúcha Florybal, que produz 5 mil quilos de bombons na alta temporada – Páscoa e Natal – e no restante do ano, 3.500 quilos. Para suprir a demanda, a empresa tem uma equipe de 150 pessoas na fábrica em Gramado (RS) e outros 150 funcionários nas lojas e escritório.
"Nós esperamos um crescimento de 30% neste ano, e para 2015 a expectativa é avançar 20% no faturamento", conta a gerente de marketing da empresa, Adriana Rambo. Ela explica que a linha de produção não será ampliada no momento, pois a capacidade atende à demanda nos meses de alta.
Com sete lojas próprias e venda de produtos em uma rede de supermercados local, a empresa comercializa seus produtos apenas nos estados da Região Sul do País.
Concorrência
Para novos empreendedores, a maior dificuldade, segundo a gerente da Florybal, é o ingresso no mercado. "Nas cidades de Gramado e Canela a concorrência é muito forte, porque são polos produtores, mas não é impossível ter sucesso."
Enquanto os pequenos fabricantes mantêm a distribuição limitada à região em que atuam, os grandes brigam com as redes varejistas de vestuário e perfumaria. "O chocolate premium é uma opção de presente cada vez mais comum nas comemorações, garantindo a demanda", diz Tomazeli.
Essa diversificação no perfil do consumo trouxe para o mercado de chocolates uma forte concorrência indireta, como afirma a vice-presidente comercial e de expansão do Grupo CRM, Renata Moraes.
O grupo, dono das marcas Kopenhagen e Brasil Cacau, sofre com a concorrência de produtos vistos como opção de presente em comemorações, como perfumes e roupas.
Os pequenos produtores, segundo Renata, não representam uma preocupação para a empresa porque ainda têm uma distribuição muito concentrada em algumas regiões. Neste ano, o grupo espera produzir 7 mil toneladas de chocolate e faturar R$ 1 bilhão.
Fonte: DCI

