O cultivo de mamão começou no município de Linhares por volta de 1977 com algumas gramas de sementes vindas do Havaí e a visão empreendedora de produtores da região. Poucos anos depois, já em ritmo empresarial, a família Caliman plantava cerca de 70 hectares e alcançava 300 toneladas por mês. A partir daí iniciava-se uma trajetória na agricultura capixaba e nacional que colocaria Linhares no cenário mundial.
Com condições climáticas favoráveis, disponibilidade de água, conhecimento de técnicos e força produtora, Linhares e região despontaram em âmbito nacional na cultura do mamão. Ano a ano, a atividade foi se desenvolvendo e gerando divisas ao município. Entre 2001 e 2005, o agronegócio mamão colocou o Espírito Santo na rota internacional com a ascensão das exportações da fruta. A qualidade do produto, cultivado dentro das boas práticas agronômicas e monitorado por autoridades sanitárias internacionais, ganhou o mundo através de empresas que miraram os países desenvolvidos para o comércio da fruta, com o Estado chegando a alcançar a marca de 27 mil toneladas exportadas em 2003 e mais de US$ 20 milhões movimentados com o comércio exterior em 2005. A crise internacional, a concorrência com outros países, além de outros fatores fizeram esses índices caírem nos últimos anos, porém a representatividade capixaba permanece.
Atualmente, o Espírito Santo exporta quase 50% do mamão que sai do Brasil para destinos em diferentes continentes, entre eles os Estados Unidos, exigente mercado consumidor. Linhares, conhecido pela abundância do verde e das águas, é a capital do mamão no Brasil. È o quarto município que mais produz a fruta em todo território nacional, com 75 mil toneladas da fruta em 2012, e é o principal polo exportador nacional, concentrando empresas tradicionais e consolidadas no mercado, a associação que representa o segmento e uma equipe técnica experiente na atividade. O papaya, além de levar o nome do município na comunidade internacional, representa hoje uma essencial fonte geradora de emprego e renda. Dados do Instituto Futura e da Agência de Desenvolvimento de Linhares (Adel) mostram que a fruticultura em geral é o principal arranjo produtivo local gerando 3.533 empregos pelas 300 empresas locais. Isso é emprego no campo e na cidade. Na produção e no beneficiamento. Temos outras atividades agropecuárias de igual importância, como o café, a pecuária, o cacau, dentre outros, mas podemos afirmar que a trajetória do mamão em Linhares, município que completa 214 anos de existência, faz desta fruta um símbolo da riqueza linharense. Na terra do mamão até o rio é Doce.
Franco Fiorot

