Cultivo de pimenta-do-reino ganha novo manejo em Porto Seguro

por admin_ideale

Preservar a Mata Atlântica, reflorestar a área devastada e melhorar a renda de dezenas de famílias são algumas das vantagens encontradas no cultivo da pimenta-do-reino em Porto Seguro. Para isso, os agricultores estão utilizando um manejo diferente, em que eles plantam árvores que servem de suporte para a pimenteira.

O cultivo da pimenta do reino tem mudado a paisagem e transformado a realidade de 33 famílias da Aldeia Pataxó Pé do Monte, que fica a poucos metros do Monte Pascoal, em Porto Seguro. Para começar a produzir, a planta que é uma trepadeira, precisa de uma estaca ou uma árvore tutora viva. Na aldeia, os produtores usam a árvore gliricídia. Em cada planta, eles têm conseguido uma produtividade média de 2 quilos e meio por ano. 

"Como a pimenta é uma planta trepadeira, ela precisa de um suporte para se desenvolver. Ela pode ser plantada no chão também, mas não vai ser produtiva nem ter um desenvolvimento que seja rentável. A gliricídia com a pimenta-do-reino vem dando certo, porque a gliricídia não serve apenas para ser a tutora da pimenta-do-reino, mas também serve como adubação verde, ela fixa o nitrogênio no solo", afirma Fabiana Longo, gestora ambiental na Ong.
 
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para plantar um hectare de pimenta-do-reino seria necessário derrubar de 25 a 30 árvores da mata nativa. Agora, com a gliricídia, os pequenos produtores familiares podem ajudar na preservação da Mata Atlântica e também no reflorestamento de áreas abertas.
 
Os agricultores não usam agrotóxico nem fertilizantes. Adubam a terra com matéria orgânica, como restos de folhas, cascas e raízes. O poder multiplicador da gliricídia é impressionante. Depois de um ano, ao fazer a poda, as hastes da planta se transformam em cinco ou seis novas árvores tutoras.
 
José Cardoso é um dos pioneiros do cultivo da pimenta-do-reino em gliricídias na região. Metade da produção dele é feita dessa forma e a outra metade em estacas mortas. Ele garante que a diferença de um método para o outro é grande. "A estaca morta além de ter um custo maior, não aguenta tanto. E a gliricídia, além de ser resistente ao tempo, produz adubo para a própria plantação", afirma.
 
Juvenal Nunes, que cultiva pimenta-do-reino com gliricídia há 10 anos, diz que a principal vantagem do plantio é a rentabilidade. O preço da venda está variando entre R$ 13,00 a R$ 15,00 o quilo. "Eu tenho uma área de café três vezes maior do que essa da pimenta e essa aqui dá quatro vezes mais rentabilidade do que a de lá. Aqui são 1.100 pés e lá quase 7 mil", relata.
 
E é com o cultivo da pimenta que seu Juvenal tem realizado sonhos. "COm esse dinheiro terminei de formar um filho, paguei minha terra E consegui comprar um carro novo. Então vale a pena", finaliza.

 

 

 

 

Bahia Rural

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