A Embrapa “vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional”.
A informação é de reportagem do jornal O Globo publicada nesta semana. A matéria denuncia a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação (Cecat), que custou R$ 9,4 milhões e será absorvida pela área de transferência de tecnologia, cujo diretor-executivo foi indicado ao cargo por deputados federais do PT, os quais desejaria ter “mais controle das atividades desenvolvidas”.
“A Embrapa tem três diretores-executivos, além do presidente. A diretora de Administração e Finanças, Vania Beatriz Castiglioni, tem ligação com o PT. A pesquisadora de carreira é filiada ao PT do Paraná, especificamente o de Londrina, desde 1990, segundo o TSE. Das três diretorias-executivas, duas são comandadas por petistas ou indicados pela sigla”, afirma o jornal.
A reportagem informa que a atual diretoria foi escolhida em abril de 2011 por meio de um processo de seleção interna com rigorosos critérios de escolha, análise do currículo e classificação das melhores posições, para posterior indicação dos nomes pelo Conselho de Administração e pelo Ministério da Agricultura. “Essa seleção interna foi extinta. Os mandatos dos diretores termina neste mês e vai prevalecer, para a nova composição, a indicação política. O atual presidente, que assumiu em outubro de 2012, já chegou à função por nomeação do Planalto, sem seleção interna”, diz O Globo.
O presidente anterior, Pedro Antonio Arraes, e mais seis servidores da Embrapa são investigados pela Controladoria-Geral da União (CGU) em razão de supostas irregularidades na criação da Embrapa Internacional, sediada no Estado de Delaware, nos Estados Unidos. O então ministro da Agricultura Mendes Ribeiro instaurou sindicância para apurar, considerando que Arraes criou o órgão sem prestar contas. A sindicância punitiva da CGU ainda avalia provas e deve ser concluída nesta semana.
O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes (foto), confirmou ao Globo que o Cecat ficará fora do organograma da empresa em um mês. Porém, segundo ele, a estrutura física continuará a ser usada pelo órgão e todas as atividades de capacitação serão desenvolvidas — e até mesmo ampliadas.
“Diretores com compromisso com o partido podem ajudar a levar mais recursos para a pesquisa”, justifica o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF). Ele é um dos nomes de peso do partido que trabalhou forte nas indicações política para ocupar cargos de chefia.

