Importante polo de produção de banana pode ter quebra de 30% este ano

por admin_ideale

Produtores de banana do interior de São Paulo estão contabilizando as perdas causadas pela seca e pelas altas temperaturas. Na região de Registro, um dos principais polos produtores do país, a quebra pode chegar a 30%. Os produtores também estão preocupados com a entrada da banana do Equador. O governo brasileiro está definindo as últimas regras para liberar a importação da fruta do país vizinho.
 
Registro é conhecido por ser um grande produtor. Localizado no Vale do Ribeira, é responsável por 50% da produção paulista. Os últimos meses têm sido difíceis para os agricultores. O fruticultor Jeferson Magario cultiva 30 hectares com bananas. O excesso de calor e a falta de chuva queimaram parte da produção e deixaram as frutas sem sustentação. O jeito encontrado pelo agricultor foi escorar as bananeiras com bambus. Se antes, ele produzia 30 toneladas por hectare no ano, hoje ele calcula 25 toneladas por hectare.
 
– Vai ter uma perda, sim. Estimo uma quebra de 60% e uma perda anual de 30%. A próxima safra, com certeza, está comprometida, porque não se volta mais o que perdeu. Não tem como voltar mais – desabafa Magario.
 
O engenheiro agrônomo Eduardo Zahn já visitou diversas propriedades da região. A chuva do início de março colaborou para a recuperação dos bananais, mas não foi suficiente para evitar a quebra.
 
– A gente estima perda de 30%, é nessa faixa que o produtor trabalha. Provavelmente, vai haver um reflexo de produção ao longo do ano devido ao fato climático de janeiro, mas o balanço financeiro da atividade está comprometido só com o prejuízo de agora.
 
Com a estiagem, as despesas com a produção aumentaram e o agricultor já está repassando os custos para o consumidor. Por causa disso, o governo vai liberar a importação de banana do Equador, o que pode gerar outros problemas.
 
O pesquisador e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Danilo Eduardo Rozane afirma que a entrada da banana do Equador pode trazer graves consequências para a produção da fruta no Brasil.
 
– A entrada da banana vinda do Equador será um problema muito grande por conta das questões fitopatológicas, que estão inerentes à importação. No Brasil, aplica-se oito vezes um fungicida em um cacho de bananeira. No Equador, são feitas de 30 a 40 aplicações, porque lá existem extirpes da sigatoka negra, que nós não temos aqui. A introdução desse material vai causar problemas e o controle fitossanitário vai ter que aumentar.
 
Ainda segudo o professor da Unesp, o governo federal está ciente de que novas doenças podem se espalhar pelo Brasil e que a medida trazer frutas que já estão comprometidas, o que vai contra a legislação brasileira.
 
– Nós temos uma preocupação muito grande porque o Ministério da Agricultura em duas oportunidades foi avisado disso. Pelo relatório da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Embrapa da Bahia, Colegas agrônomos já informaram sobre todas as dificuldades, mas o que aparenta é que o Ministério tenta resolver de uma maneira política, não técnica.

 

 

 

Canal Rural

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