A área total de mamão reduziu 16,1% em 2013 frente à do ano anterior, somando 14.100 hectares – a área com a cultura vem diminuindo ano a ano. Segundo colaboradores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os altos custos de produção, principalmente com mão de obra, foram um dos aspectos que desestimularam investimentos no último ano. Outro fator foi a alta volatilidade das cotações do mamão no mercado.
Investimentos
Apesar de produtores continuarem receosos, os investimentos podem ser maiores em 2014, sobretudo em renovação de roças velhas. As cotações, embora bastante voláteis, têm estado acima do custo estimado pelos produtores durante boa parte de 2013.
No Espírito Santo, o valor médio do mamão havaí tipo 12 a 18 esteve 93% acima do valor mínimo estimado no período. Com o possível cenário de cotações mais remuneradoras no início de 2014, o ânimo dos mamonicultores pode melhorar. A previsão do Cepea para a área de mamão em 2014 é de aumento apenas no norte de Minas Gerais. Nas outras regiões, a área deve apresentar estabilidade.
Produtividade
A produtividade média do mamão formosa no norte de Minas Gerais tem apresentado queda desde 2010, início do levantamento do Cepea na região – queda observada foi de 34%. Em 2013, devido ao clima seco e quente do início do ano, houve abortamento de flores. As temperaturas mais baixas entre julho e setembro também influenciaram na queda da produtividade.
Cotações
As cotações do mamão devem fechar o ano de 2013 em patamares mais altos que o do ano anterior, como reflexo da queda na oferta. Até agosto, a fruta vinha sendo comercializada em média a valores abaixo de 2012. Já na média da parcial do ano (janeiro a novembro), o mamão formosa no norte de Minas Gerais foi comercializado a valores 2% maiores que os de 2012. Com o rápido amadurecimento, o mamão que seria colhido no final do ano já fora colhido e comercializado.
Sementes
A oferta de sementes de formosa reduziu no Brasil entre os meses de abril e agosto de 2013. Colaboradores afirmam que essa não foi a primeira vez que faltou esse produto. Entretanto, relatam que ainda não há uma alternativa nacional que possa suprir a demanda interna. Dessa forma, o mercado brasileiro continua dependente de Taiwan, o maior exportador de sementes.
Mamonicultores acreditam que o período de baixa oferta de sementes deve influenciar as cotações no início de 2014. Como o pé de mamão demora no mínimo oito meses para começar a entrar em produção, a previsão é de menor disponibilidade de formosa entre janeiro e maio de 2014, quando os preços podem ser mais remuneradores.
Já que muitos produtores não mantiveram estoque considerável das sementes, o plantio da variedade foi afetado em todas as regiões produtoras. Assim, alguns produtores que precisavam plantar optaram pelo havaí, principalmente no Espírito Santo.
Exportações
As exportações brasileiras de mamão somaram 23 mil toneladas de janeiro a outubro de 2013, aumento de 9% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A receita obtida com as vendas foi de US$ 34,5 milhões no período, alta de 14%. O aumento dos envios deu-se, sobretudo, no primeiro semestre do ano, quando a qualidade esteve mais satisfatória.
Além disso, exportadores brasileiros de mamão têm investido mais em campanhas que aumentam o conhecimento do consumidor estrangeiro a respeito da fruta brasileira. Somando-se a isso, o dólar valorizado favoreceu os embarques.
Outro ponto importante foi a conquista de novos mercados consumidores do mamão brasileiro, como o Catar. Para 2014, tanto a qualidade da fruta quanto a competição com o mercado interno influenciarão as exportações brasileiras de mamão. A previsão de cotações mais remuneradoras no mercado interno no início de 2014 tende a limitar os embarques, mas produtores ainda devem ficar atentos ao dólar.
RURALBR

