De acordo com pesquisa apresentada no Seminário Volvo de Tecnologias de Segurança e Comportamento Seguro, em São Paulo, 76% dos caminhoneiros disseram que a maioria dos colegas usa rebite. Ainda 59% têm algum problema de saúde (como dor nas costas, pressão alta, estresse e obesidade) e 93% consideram a profissão arriscada devido a acidentes, roubos e assaltos.
Nada menos que 55% dos caminhoneiros deixariam a profissão se tivessem a chance. Entre os 1.512 entrevistados, 86% não querem que o filho siga sua ocupação, chegando a mencionar que não deixavam o caminhão na frente de casa para não estimular pelo exemplo. A pesquisa foi coordenada pela psicóloga Nereide Tolentino na Casa do Cliente das empresas Randon.
“Diante dessas opiniões e desejos, a pergunta que fica é: teremos motoristas profissionais amanhã? Considerando que a continuidade de pai para filho está em declínio, que a profissão oferece riscos e baixa qualidade de vida, e que a característica de liberdade e aventura não existe mais, já que hoje tudo é controlado, corremos o risco de ter um apagão de mão de obra especializada”, analisa a consultora do Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST).
O curioso é que, do total de entrevistados, 70% admitiram que tinham o sonho de ser caminhoneiro desde a infância, e 53% iniciaram na profissão por influência da família. Ainda 31% disseram que o mais atraente da profissão é a oportunidade de conhecer lugares, a possibilidade de conhecer pessoas (19%) e o sentimento de liberdade (11%).
“Carga horária e baixa remuneração não são as principais queixas dos caminhoneiros, embora eles reclamem disso também. Eles sentem falta do laço afetivo, de passar mais tempo com a família. Reclamam muito dos imprevistos que prolonguem sua ausência do lar”, diz Nereide.
A especialista aponta que o rodízio de motoristas – como já acontece no transporte de passageiros – poderia ser uma solução. Outra sugestão é investir na valorização do profissional, oferecendo treinamentos e melhor acolhimento nos pontos de carga e descarga. “Com mais profissionais satisfeitos, teremos mais gente interessada neste tipo de trabalho, pois viajar e dirigir uma máquina possante é algo que fascina os jovens”, destaca a psicóloga.

