As informações técnicas trazidas pelo Palestrante Celso Vegro no 9º Simpósio Estadual do Café são elucidativas do diferencial tecnológico entre as lavouras de arábica e robusta, com evidente vantagem para a segunda. Esta abordagem é importante porque estamos num período de baixa nos preços do café, que merecem atenção especial, tanto dos formuladores de politicas de desenvolvimento, como dos próprios produtores eu precisam de análises precisas sobre os riscos e as oportunidades do negócio café, nos próximos anos:
a) Para o arábica, foi destacado o crescimento da produtividade da terra e do capital, e uma estabilidade no fator trabalho. Disso deriva a conclusão de que, como o custo da mão de obra vem crescendo e o preço do café vem caindo, os produtores do arábica registram prejuízos crescentes. Pior, a tecnologia propiciou um desequilíbrio entre fatores de produção, porquanto há fortes restrições ao uso de mais máquinas nas lavouras capixabas de arábica, em vista da topografia acidentada. O caminho parece ser natural, investir em qualidade (cafés descascados, mais do que em despolpados, segundo o Exportador Jair Coser). Ganhos de produtividade da terra são sempre essenciais, para o agricultor familiar, o que recomenda continuar nos avanços da genética e na capacidade de respostas à adubação.
b) Para o Robusta, a coisa se inverteu. A produtividade do capital é que se verificou estável, enquanto as produtividades da terra e do trabalho mostraram-se crescentes. Em termos relativos, houve vantagem apenas para aqueles cafeicultores que contrataram mão de obra assalariada cujos ganhos de produtividade do trabalho cresceram mais do que os salários reais. Dito de outra forma, nem todos os cafeicultores ganharam com o crescimento da produtividade da terra e do trabalho. Somente aqueles que auferiram altas produtividades (superiores a de 40sc/ha) tiveram alguma vantagem relativa no uso dos fatores de produção. O limite, agora, se estabelece no custo e na restrição de mão de obra: não há gente para colher tanto café robusta e empurra a solução do problema para a colheita mecânica. A que custo virá? De qualquer forma o uso do capital no processamento do cereja descascado parece ser uma solução para a qualidade do robusta, que pode melhorar a produtividade do capital. No mais, há sempre espaços para inversões em tecnologias na lavoura, com muito cuidado quanto a desperdícios.
Em comum, tanto para o arábica quanto para o conilon, coloca-se a produção familiar. Não se deve esquecer que o modelo de produção familiar não tem custos indiretos de mão de obra, e nem o trabalho é valorado segundo padrões convencionais e com provisões para férias, décimo terceiro salário, adicional de FGTS, etc.. Ela, portanto, não precifica fatores de produção nos moldes da modelo convencional capitalista, o que remete a custos de produção inferiores, não sendo, portanto, tão vulneráveis às flutuações de preços.
Nesta lógica, seria erro imperdoável tratar a questão tecnológica no âmbito do café como solução única para todos os produtores. Deve haver tecnologias diferenciadas para diferentes modelos de produção. Ao contrário do que se propaga (ou se omite), as diferenciações entre produtores não se estabelecem apenas entre regiões, mas também dentro das mesmas regiões. A convivência salutar entre esses modelos (intrarregionalmente) explica o sucesso diferenciado, até agora, da cafeicultura capixaba, comparativamente a outras regiões do País. Nada, portanto, de querer colocar todos os produtores num saco só. Seria o maior erro do período pós conquista da autonomia e independência tecnológica na cafeicultura capixaba. O maior erro, depois da erradicação dos anos 60.
Wolmar Roque Loss – Eng. Agrônomo
Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico.
Superintendente do CREAES

