Arthur Fiorott – especialista em degustação de café e diretor de marketing da Conilon Brasil
Pilar da economia agrícola capixaba e responsável pela movimentação de renda de grande parte dos municípios, o café faz parte do dia-dia do Espírito Santo. No campo e na mesa, o produto é a marca da agricultura capixaba. Neste espaço, as terças e quintas-feiras, Arthur aborda as novidades e tendências da cafeicultura.
04/04/2013
A
semana que passou!
Deixando
de lado um pouco o mercado de café, ou as cotações do mercado de café que
continuam dando dor de cabeça aos produtores, um evento marcou a semana que
passou. Focada em melhorar a qualidade dos cafés servidos no Brasil , a ACBB
realizou o campeonato Brasileiro de Baristas.
Campeonato Brasileiro de Barista
Ocorreu em São Paulo-SP, entre os dia 25 e 27 de
março, competições que reuniram cerca de 50 baristas de todo o País nas
disputas pelos títulos brasileiros de melhor barista, nas categorias de preparo
de café coado, latte art, coffee in good spirits, e melhor degustador em cup
taster, além de uma vaga para os mundiais, que serão realizados na
Austrália, em maio, e na França, em junho.
Confira as colocações dos campeonatos:
2º Campeonato Brasileiro de Preparo de Café
1º Carolina Franco, Lucca Cafés Especiais de Curitiba.
2º Lucas Salomão, da Libermac
3º Amanda Maires, Rause Café e Vinho, Curitiba
6º Campeonato Brasileiro de Latte Art
1º Graciele Rodrigues, Lucca Cafés Especiais de Curitiba
2º Thiago Sabino, Octavio Café
3º Erick Brito, Octavio Café
6º Campeonato Brasileiro de Coffee in Good Spirits
1º Hugo Silva, Octavio Café
2º Carolina Franco, Lucca Cafés Especiais, Curitiba
3º Janez Santos, Octavio Café
5º Campeonato Brasileiro de Cup Taster
1º Wellington Pereira, Cocarive, Minas Gerais
2º Paulo César Junqueira, Carmo Coffees, Minas Gerais
3º Elias Batista, Três Irmãos Corretora de Café, Minas Gerais
21/03/2013
Hoje resolvi abordar dois assuntos que me chamaram a atenção essa semana.
Uma foi a entrevista do Editor chefe da revista Globo Rural na radio CBN ( veja link abaixo). Não acredito na falta de informação de duas pessoas que levam informação para todos sobre economia, política e outros assuntos pertinentes ao dia- dia das pessoas. Ser simplório e dizer que Arábica é um café bom e Conilon ou Robusta é um café ruim é muito pouco para o editor da maior revista de agronegócio do Brasil. Todos da cafeicultura se sensibilizam com a situação que os produtores de arábica estão passando, esse cenário não é bom para ninguém .Não é bom para os produtores de Arábica que tem o seu produto desvalorizado.Não é bom para os produtores de Conilon que acabam sofrendo com esse movimento de queda do Arábica. É importante deixar de lado velhos pensamentos e olhar para o futuro da cafeicultura de maneira geral.O café Arábica e o Conilon pertencem ao “cafés do Brasil”, logo temos que evoluir nessa discussão e entender que o consumidor quer produto de qualidade, caso não entendermos que o consumidor recebe informação de várias partes do mundo, daqui a pouco a briga não será de Arábica e Conilon do Brasil, mas sim contra cafés do Vietnã, dos países Andinos, da Ásia.
http://colunas.globorural.globo.com/agropauta/2013/03/19/voce-sabe-qual-e-o-cafe-que-esta-tomando/
O outro tema é sobre cafés Orgânicos. Estou essa semana em Rondônia, trabalhando junto a um projeto de produção de cafés Orgânicos, em parceria com a COOCARAM, Fundação Banco do Brasil, SEAGRI ( Secretaria de agricultura de Rondônia), BNDES e Sebrae. Os agricultores locais perceberam a necessidade de se juntar em associação para conseguir resultados melhores. Todos são produtores familiares, com produção entre 1 e 5 hectares e tem o objetivo claro: Melhorar a qualidade do café Conilon Orgânico que produzem e conquistar novos mercados
19/03/2013
Somos a bola da vez. O que fazer?
Ando lendo inúmeras notícias que o Conilon é um sucesso, que o Conilon definitivamente alcançou seu lugar ao sol, que o Conilon deixou de ser o patinho feio, que o conilon está presente nos blends de várias casas de cafés do mundo. Contudo, o que temos que fazer para definitivamente sermos aceitos nos mercados mais exigentes de cafés?
Disponibilidade de produto nos mercados consumidores é um gargalo a ser resolvido. A cafeicultura de Conilon tem capacidade de fornecer café tanto para o mercado nacional, que hoje absorve cerca de 90% do café produzido, quanto podemos fornecer ao mercado externo.Este mercado que vai demandar um produto de melhor qualidade, e o Vietnã não consegue disponibilizar esse produto de melhor qualidade.
Disponibilizar o Conilon , e não robusta como todos produzem , é uma maneira de posicionar o café do Brasil de forma diferente. Para disponibilizar esse café , temos que ajustar a logística existente no Brasil. O porto do Espírito Santo, porta de saída para grande parte do Conilon produzido está perdendo competitividade, com isso, o café do Espírito Santo fica mais caro , deixando de ser um bom negócio para o setor exportador.
Ainda, a disponibilidade no mercado de cafés com diferenciais de sabores e aromas é de fundamental importância. Competir com café mal processado não é viável, pois o Vietnã terá uma vantagem comparativa em relação ao Brasil.
O café solúvel é de grande importância para internacionalizar a marca Conilon. A demanda por cafés solúveis de qualidade superior é perceptível, além de ser uma porta de entrada para novos consumidores ,porém essa industrial está sendo sobretaxada em alguns mercados.
Investir em qualidade, com desenvolvimento de novos mercados fará com que o café Conilon realmente entre em um ambiente pouco explorado pelos produtores de Conilon.Ações estratégicas voltadas para a cafeicultura devem ser feitas para que o produtor não precise pagar para trabalhar como está acontecendo agora com os produtores de Arábica.
14/03/2013
A seca e o calor
Na semana passada escrevi que estava chegando a hora da safra, porém em conversas nas zonas produtoras discute-se a falta de chuva que já perdura mais de trinta dias. Além da falta de chuva, as temperaturas estão muito elevadas. Isso tem queimado os frutos e literalmente estão cozinhando os grãos de café.
Dependendo da fase de maturação do fruto e da variedade, podem ter algumas consequências para o cafeeiro.
Comenta-se na região de Jaguaré , Vila Valério e Sooretama uma perda em torno de 20% sobre a safra, porém não há estimativas oficiais em relação a esses números, contudo já e perceptível uma perda em volume de café maduro no pé.
A qualidade do grão pode ser afetada devido ao excesso de calor e falta de água, uma vez que a má formação dos grãos influenciará no resultado na xícara.
Ao produtor, não basta apenas rezar para São Pedro mandar chuva, é necessário e pertinente ter um bom manejo da lavoura, com uma boa cobertura vegetal e uso correto da irrigação.
Para minimizar o impacto das adversidades climáticas no produto final, faz-se necessário uma colheita no momento em que os frutos estiverem no estádio correto de maturação e uma secagem correta, para que os grãos não percam mais atributos que lhe restaram.
12/03/2013
Hoje deixarei de falar do café Conilon e registrar o evento do Concurso de cafés das Montanhas do Espírito Santo. Parabéns a todos os envolvidos nesse concurso que mostrou para a qualidade dos cafés Arábica do Espírito Santo. Tive a oportunidade de fazer parte do grupo de degustadores que participaram do evento e provar os cafés ( por isso não coloquei o artigo da semana passda). Parabéns aos vencedores e a todos os produtores que fizeram desse evento um sucesso.
Classificação
Nome – média final – município – prêmio
1º lugar – Joselino Meneguete – 93,20 – Brejetuba – R$ 10.000,00 e uma moto
2º lugar – Paulo Francisco Uhl – 91,50 – Marechal Floriano – R$ 10.000,00
3º lugar – Alcideo Busato – 91,12 – Marechal Floriano – R$ 7.000,00
4º lugar – Antonio Mario Krohling – 91,10 – Marechal Floriano – R$ 3.000,00
5º lugar – Genildo Benicá – 90,40 – Castelo – R$ 2.000,00
6º lugar – Cesar Abel Krohling – 89,85 – Marechal Floriano – R$ 1.000,00
7º lugar – Elio Uliana – 89,60 – Brejetuba – R$ 1.000,00
8º lugar – Manoel Protazio de Abreu – 89,23 – Dores do Rio Preto – R$
1.000,00
9º lugar – Josane Souza Lima Bissoli – 88,50 – Afonso Cláudio – R$ 1.000,00
10º lugar – Onofre Alves de Lacerda – 87,90 – Dores do Rio Preto – R$
1.000,00
Abaixo a lista de todos os 32 finalistas do Prêmio de Qualidade dos Cafés Arábica das Montanhas do Espírito Santo, que receberam a certificação socioambiental por um bom manejo em suas propriedades.
Adriano Orlando Wruck – Domingos Martins
Alcebia Despossimoser – Itarana
Alcideo Busato – Marechal Floriano
Antonio Mario Krohling – Marechal Floriano
Arnaldo Krause – Itarana
Cesar Abel Krohling – Marechal Floriano
David Simer de Vargas – Afonso Cláudio
Domingos Savio Lopes – Castelo
Edilécio Dalbo – Conceição do Castelo
Elio Uliana – Brejetuba
Elis Angela Fileti Brioschi – Venda Nova do Imigrante
Euzébio Bissoli – Venda Nova do Imigrante
Gabriel Francisco Krohling – Marechal Floriano
Gelson Bissoli – Afonso Cláudio
Genildo Benicá – Castelo
Geraldo Grinewald – Itarana
Ivan Caliman – Venda Nova do Imigrante
João Fortunato Destefani – Venda Nova do Imigrante
Josane Souza Lima Bissoli – Afonso Cláudio
José AntonioDebonaRomao – Castelo
José Leandro Romao – Castelo
Joselino Meneguete – Brejetuba
Manoel Protazio de Abreu – Dores do Rio Preto
Marcos Antonio Nali – Castelo
Maria Delpupo Bissoli – Afonso Cláudio
Onofre Alves de Lacerda – Dores do Rio Preto
Paulo Francisco Uhl – Marechal Floriano
Pedro Carnielli – Venda Nova do Imigrante
Pedro Ruchdeschel – Afonso Cláudio
Valdeir Dalcin Tomazini – Castelo
Valdeir Jose Pena Cezati – Castelo
Zenomar José Onofre Zambom – Afonso Cláudio
05/03/2013
Está chegando a hora!
Depois de mais de trezentos dias de espera e muito trabalho, esta chegando o momento mais esperado pelos cafeicultores: a colheita.
Faltando pouca mais de um mês para alguns produtores começarem , é momento de se preparar para ter bons resultados nesse período do ano. Não custa nada relembrar que algumas ações são de extrema importância para obter lucro com uma colheita bem feita.
Colher os frutos com a maturação em torno de 80% é de grande importância. Colher o fruto maduro, no momento em que o café está em seu ponto máximo de maturação faz com que a qualidade do produto seja melhor e os ganhos em peso no café aumentem. Lembrando que café com mais qualidade tem mais liquidez no mercado.
A secagem do café é um ponto crucial no período de Colheita. O grande gargalo da qualidade do café Conilon está em fazer uma secagem ruim. Quanto mais atenção o produtor der a esse processo, mais a qualidade do seu café irá aumentar. Lembre-se, secar café com sete ou horas é prejuízo para o bolso. Ganha-se em tempo, porém perde-se em qualidade e peso.
Armazenagem do café é outro ponto que deve ser abordado e planejado. Lembrando que café é um alimento, não se pode armazenar o café próximo a produtos químicos ou produtos que transmitam algum odor ao café. Caso não tem há um armazém seguro, filie-se a uma cooperativa.
Aproveite esse mês de março para fazer um planejamento de sua safra para que ocorra tudo dentro da normalidade. Lembre-se de ler os dez mandamentos do programa de qualidade do Governo do Estado e procure sempre a qualidade, esse caminho será a sobrevivência do produtor no mercado de café.
28/02/2013
In16, Estados Unidos e Certificação
Hoje resolvi falar um pouquinho de alguns temas que estão na mídia essa semana. Segue os comentários abaixo.
IN 16: Será que foi bom para o consumidor?
A revogação da IN 16 gerou muitos comentários a favor da revogação e contra. Vejo que uma autorregulamentação do setor seja positiva desde que seja para aumentar a qualidade do café comercializado no Brasil. Não se pode abrir uma lacuna para que se volte a consumir pau, pedra, terra, palha e tudo mais que era colocado no café. Como se diz no interior, fazer um café “milhorado”.
Discussão nos Estado Unidos
Quando estamos discutindo sobre um padrão mínimo de qualidade, os Americanos, maiores consumidores de café, estão discutindo a adoção do café Conilon como sendo cafés especiais. Parte da Associação Americana de cafés especiais está inclinada em aceitar a introdução do Robusta/Conilon, porém ainda há muita resistência em aceitar o Robusta. Tem gerado bastante discussão em alguns periódicos especializados por lá.
Certificação de café
Recentemente, conversando com um gerente de uma cooperativa de café ele me indagou sobre o volume de café Conilon certificado no Espírito Santo, sinceramente, não saberia responder de bate pronto, sei que é pouco, porém a demanda por esse tipo de café é crescente.
26/02/2013
A inovação como fonte de renda
Inovar é criar alternativas que fogem da rotina, é observar o que está sendo feito e fazer diferente para obter resultados antes obtidos. É deixar de lado a famosa frase “é assim que é feito aqui há gerações” e entender que o mundo está em constante mudança, logo, é necessário embarcar nesse imenso arcabouço de transformações e vislumbrar o que podemos fazer de diferente e não perder a ponta da corda.
A cadeia de café não está alheia às mudanças que ocorrem no mundo, historicamente, os agricultores são mais conservadores e reticentes às mudanças que ocorrem nos negócios. É importante mudar para sobreviver e para estar à frente do que seus concorrentes estão fazendo.
Lembro-me de um agrônomo, amigo, que um dia contou uma história sobre o uso de calcário nas lavouras de café. Usar calcário para corrigir o PH do solo era uma coisa de outro mundo, porém com essa inovação foi possível ter um aproveitamento melhor de alguns tipos de solos.
Como é feita a gestão da sua produção? Todas as despesas estão anotadas? O café é de boa qualidade? Qual o tipo do seu café? Qual tipo de café que o mercado está exigindo? O armazenamento é feito de forma correta? Certificação é um bom negocio?
A forma de inovar e criar valor no seu café pode estar na resposta de uma dessas perguntas acima, porém se continuar a dizer que “‘é assim que é feito há gerações”, não dará oportunidade para mudar e inovar nos processos de produção. Muitas vezes, inovamos para nos mantermos no mercado, contudo, no meio do caminho descobrimos que podemos ser melhores que nossos concorrentes, obtendo mais lucros.
21/02/2013
E aí, produzir café natural ou cereja descascado?
Esse tema tem sido recorrente no meio da cafeicultura de Conilon nos últimos anos, porém seria o método por via úmida a melhor forma de agregar valor ou manter o café pelo método de secagem natural como forma de melhorar a renda nas propriedades?
Apenas para refrescar a cabeça, segue abaixo um resumo dos dois métodos mais utilizados na cafeicultura de hoje:
Cereja Descascado:
Na forma de preparo por via úmida, originam-se os cafés despolpados, desmucilados e cereja descascados. O preparo do café despolpado e desmucilado, consiste na retirada da casca e mucilagem do fruto de café maduro. Enquanto no preparo do café cereja descascado (CD) é retirada apenas a casca do fruto e este é levado para secagem com a mucilagem aderida ao pergaminho.
Natural:
O fruto é seco na sua forma integral (com casca e mucilagem), dando origem aos cafés denominados coco, de terreiro ou natural.
Discursarei dois assuntos, dentre os diversos temas que poderia abordar nesse contexto, demanda de mercado e análise sensorial dos cafés. Caso seja pertinente volto ao assunto.
O mercado dos cafés de alta qualidade está mais inclinado em aceitar o café cereja descascado com sendo o Conilon de qualidade. Existem alguns fatores para que essa premissa seja verdadeira. O café cereja descascado é mais suave, menos encorpado e mais propenso para serem feitos “blends” com outros tipos de café.
Outra razão é pelo fato de compradores internacionais ofertarem no mercado cafés provenientes da África e Ásia, (excluo o Vietnã, pois é um assunto a parte). Os cafés provenientes dessas regiões são provenientes de métodos por via úmida ou quando são cafés naturais , são oriundos de altas altitudes, com uma acidez acima da média, o que suaviza o café.
Os bons cafés Conilon naturais do Brasil ainda são em pequena quantidade, restrito a um pequeno grupo de torrefações ao redor do mundo.A falta de volume desse café gera um inviabilidade aos comerciantes e exportadores em investir nesse mercado.
Com esse cenário, é interessante comparar as análises sensoriais de cada café: Natural e Cereja descascado.
Em algumas provas de cafés Conilon, feitas com degustadores profissionais e com um protocolo de degustação próprio para Conilon foi observado as seguintes características:
Natural*: Café com aromas intensos de caramelo, açúcar mascavo, chocolate e frutas Vermelhas. Possui um sabor com intensidade de médio-alto e corpo acentuado.É um café que preenche a boca do consumidor, sendo bem encorpado.Retrogosto de tabaco presente.
Cereja Descascado*: Cafés com aromas doces, com notas de chocolate e baunilha de intensidade médio-baixas. O sabor desses cafés é mais limpo e suave, com uma acidez mais elevada. Retrogosto pouco duradouro.
Nota-se que os cafés, após sua preparação adquirem nuanças diferentes e que bem trabalhados podem ser ofertados em diferentes mercados. A falta de volume juntamente com o não conhecimento do mercado consumidor dificulta a popularização desses tipos de café nos mercados de alto valor agregado. O conhecimento do mercado e a finalidade do café é um ponto chave na escolha de qual método de preparo será utilizado pelo produtor.
Nota: Café Natural proveniente de Vila Valério; Café CD proveniente de Santa Teresa.
19/02/2013
A gestão da marca “Conilon”
Quando alguém menciona a palavra conilon, qual a primeira palavra que vem a sua cabeça?
Por muitos anos, o café Conilon foi tratado como um café ruim, aliás, no início de sua produção comercial no Brasil era taxado como veneno por alguns. Outros diziam que Conilon nem era café e assim foi durante anos.
Ser reconhecido como café ruim ou veneno é muito pior que não ser conhecido. Esse estigma o Conilon tem carregado e alguns poucos na cadeia estão tentando desmistificar essa má imagem que esse café possui.
Podemos dividir o reconhecimento do café Conilon em dois mercados: Mercado Interno e mercado Externo.
Quando mencionei acima que é melhor não ser reconhecido a ter uma imagem ruim, é porque no mercado interno o café Conilon é visto como um produto de segunda linha, ruim, inferior. Em um processo de construção de uma imagem, gasta-se muito mais recursos quando já existe um pré conceito em relação a um produto, imagem ou pessoa.
No mercado Externo, o café Conilon é pouco conhecido, logo os produtores e comerciantes do Conilon tem uma oportunidade única para demonstrar todas as qualidades do café Conilon produzido no Brasil e posicioná-lo em mercados de alto valor agregado. Competir com o Vietnã em custo é quase que cometer um suicídio. Temos que diferenciar o Conilon em relação aos outros cafés do mundo.
Fazer a gestão de uma marca não é simplesmente colocar uma propaganda em um jornal e dizer que o produto é bom. O consumidor assim que experimentar verá que o produto não condiz com que está sendo anunciado. Gerir uma marca é gerenciar todos os aspectos mercadológicos desse produto; é ter uma relação com o consumidor do seu produto; Saber como o café é consumido. Produzir por produzir, sem gerir os processos que agregam valor ao café é simplesmente produzir uma commodity e deixar que os outros precifiquem seu produto.
O café Conilon precisa de uma gestão de marca que o posicione de maneira correta, senão sempre será um café de segunda linha.
14/02/2013
Oferta e demanda do conilon de qualidade
Escrevi esse artigo no fim do ano de 2012 e gostaria de compartilhar com todos vocês .
Para termos uma dimensão do mercado que o café Conilon está inserido, será levado em consideração um conceito econômico básico: oferta X demanda.
Historicamente a oferta de cafés de alta qualidade era suprida por cafés Arábicas provenientes de Países como Colômbia, Etiópia, Quênia, Indonésia e países da America Central, sendo o Brasil visto como um país que supria cafés commodities. Com o incremento da demanda por cafés de alta qualidade, alguns produtores brasileiros conseguiram inserir seus cafés nessa fatia de mercado, porém sempre com um deságio em relação aos competidores citados.
Na última década, diante de uma conjuntura internacional de aumento desenfreado do consumo de café e uma baixa produção dos tradicionais produtores de cafés especiais, o Brasil se tornou local de suprimento para as torrefações do mundo.
Com esse cenário, os produtores de café Arábicas se viram impossibilitados de suprir o café exigido pelas torrefações, seja por motivo de falta de produto ou por uma supervalorização desse tipo de café, isso fez com que as torrefações experimentassem e substituíssem os cafés Arábica por Robusta/ Conilon de alta qualidade.
Ao observar os movimentos de mercado no quesito oferta e demanda por cafés Robusta/Conilon é perceptível que no decorrer da última década a inserção de Conilon nos blends (misturas) se tornou gradativamente maior. No início da década a média percentual de Conilon em um blend de café era de 25%, hoje já ultrapassa 50%. Nos cafés especiais, o percentual que antes se aproximava de 0%, hoje já está em torno de 15%. É notável a forte e consistente demanda por essa variedade de café.
No quesito oferta, alguns países produtores de Robusta /Conilon estão com sua capacidade de suprimento no limite:
Vietnã
Maior produtor da Variedade Robusta possui uma produção em torno de 20 milhões de sacas, porém estão com dificuldades de aumentar a área plantada, devido a fatores como: aumento do custo da mão de obra e custo de produção.
Países Africanos (Uganda, Camarões, Costa do Marfim)
Responsáveis por abastecer grande parte da Europa com cafés Robustas Finos, têm sua produção limitada pela falta de tecnologia empregada no campo e por uma produtividade baixa de seus cafezais, além de uma infraestrutura precária para escoar seus produtos.
Indonésia e Sudeste Asiático
Responsável por suprir parte da Ásia e Oceania. Essa parte do mundo é uma grande competidora para o Brasil, contudo, em termos de tecnologia estão anos atrás do Brasil.
Índia
Grande fornecedora de cafés Robusta de alta qualidade para o mundo. Apresenta um acentuado crescimento do mercado doméstico, o que está fazendo com que grande parte do seu café fique no país e as áreas de produção não tem aumentado muito.
Brasil
O Brasil, principalmente o estado do Espírito Santo, tem a capacidade de ser uma dos maiores fornecedores de cafés Robusta/ Conilon de alta qualidade do mundo, devido a uma série de fatores que possui e que foi construído ao longo dos anos.
· Áreas agricultáveis propícias para café Conilon;
· Proximidade com mercados consumidores, tanto no Brasil quanto no Exterior;
· Pesquisa em manejo da cafeicultora possibilitando vantagem competitiva;
· O café é um produto inserido na cultura do Capixaba;
· Produtividade acima da média, possibilitando diagnosticar cafés de alta qualidade.
· Microclimas que possibilita diferenças sensoriais
Diante dessas informações é possível concluir que temos um cenário de crescimento para os cafés Conilon de alta qualidade, contudo é necessário fomentar esse cenário junto aos produtores para que se conscientize que esse mercado é lucrativo para todos na cadeia.
07/02/2013
Você conhece o seu café?
Notas enzimáticas (flores), caramelização de açúcar (chocolate, baunilha, caramelo) são fragrâncias que o mercado de café reconhecem como positivos em um café de qualidade.Esses atributos presentes no café são percebidos pelo ser humano de acordo com sua experiência olfativa, com isso, profissionais envolvidos na análise do café tem a capacidade de corelacionar esses aromas em um café de qualidade.
Com a exigência cada vez maior dos consumidores por produtos de alta qualidade, o processo produtivo do café passou a ter uma importância muito grande para a obtenção desse produto demandado por uma clientela cada vez mais informada e disposta a pagar um preço maior pela “qualidade”.
Conhecer o produto que é feito na fazenda e saber o valor que esse produto possui é papel do produtor de café nesse mercado de qualidade. Percebam que usei a palavra valor e não preço, pois são dois conceitos diferentes em negócios.
É notório, que o produtor de Conilon sabe produzir e cada vez mais aumenta a produtividade de suas lavouras, mas você saberia dizer que tipo de café e quais atributos seu café possui?
Sem conhecer o real valor do café, o produtor sempre ficará refém dos preços praticados no mercado, não sendo possível barganhar ou exigir um determinado valor pelo seu produto. No Brasil se usa a classificação oficial Brasileira ( COB) que classifica o café por tipo ( sendo tipo 2 o café com menos defeitos e tipo 8 o de maior defeito ).
Recentemente, surgiu o Protocolo de degustação de Robustas Finos, uma metodologia criado pelo CQI – Coffee Quality Institute- que analisa dez quesitos no café com o objetivo de analisar a bebida do café, não somente os defeitos encontrados.
O conhecimento do café , alinhado as boas práticas agrícolas posicionarão o café conilon em um mercado de cafés de alta qualidade em um curto espaço de tempo. A qualidade demandada pelo mercado pode ser conquistada em diversos elos do processo, há de ser saber onde o investimento gera retorno e onde o valor esta sendo gerado.
05/02/2013
Qual o papel do Conilon de Qualidade no mercado de Cafés de Gourmet?
Essa pergunta todos os envolvidos no agronegócio café estão querendo responder para entrar no mercado de cafés de qualidade. Há alguns aspectos e sinais que o mercado disponibiliza na qual os envolvidos nesse negocio podem usar para seu direcionamento.
Em primeiro lugar, a demanda por cafés de alta qualidade está crescente e de maneira sólida. Com uma demanda sólida e uma oferta limitada de arábicas, surge uma pressão nos preços da matéria prima e um achatamento nas margens líquidas dos torrefadores, logo, há uma necessidade de equilibrar essa conta. O conilon de qualidade é capaz de ser inserido nesses blends de alta qualidade sem piorar a qualidade do produto final, diminuindo ou mantendo o custo da operação; e digo mais,Conilon de qualidade melhora certos blends de arábica, incorporando atributos que arábicas não possuem.
Em segundo lugar, no cenário de médio e longo prazo, a substituição cada vez maior por robustas de qualidade será a única alternativa para as torrefações, pois as áreas agricultáveis propicias para café Arábica estão diminuindo e o café Conilon tem se tornado uma opção rentável para os produtores.
Para não me alongar, diversos fatores contribuem para que nos próximos anos, o percentual de Conilon nos blends de café especial aumente, porém há de ser fazer o dever de casa no processo produtivo e na comercialização dessa espécie de café. O conhecimento do produto que está sendo colocado no mercado é de extrema importância para que aumente o volume desse tipo de café ofertado ao consumidor.
P.S. Essa semana, a café editora lança o primeiro guia de cafeterias do Brasil. Belo trabalho realizado por essa competente empresa. Parabéns aos idealizadores.

