Primeira
a falar na cerimônia transmissão de cargo ao novo ministro da Agricultura,
Antônio Andrade, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, declarou seu otimismo com a escolha de um
produtor rural que conhece tecnologia para comandar o ministério. Em seguida,
pontuou ao novo ministro os temas importantes para a agropecuária brasileira.
“Quero fazer um apelo, no que se refere à negociação do Plano Safra (o Plano de
Agricultura e Pecuária 2013/2014) com o Governo”, disse a senadora, ao destacar
o empenho da CNA em aprovar um plano de prazo mais longo para o setor. E
observou que, tão importante quanto à ampliação do novo plano de 12 para 18
meses, facilitando o planejamento e os investimentos dos produtores, é a
ampliação da cobertura do seguro agrícola.
Ela lembrou que, enquanto 86% das lavouras norte-americanas estão cobertas pelo
seguro, no Brasil, apenas 6% da safra é segurada. “A agricultura brasileira não
pode mais trabalhar no improviso. Queremos ter segurança para esta grande
indústria a céu aberto que produz todos os dias”, cobrou a presidente da CNA.
Ela também pediu a Antônio Andrade o envolvimento do ministério da Agricultura
para aprovar a MP Portos, que é importantíssima para o escoamento da safra e
para as exportações do agronegócio que vem garantindo o saldo positivo da
balança comercial brasileira.
Kátia Abreu aproveitou o fato de a solenidade ter ocorrido no auditório da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária para agradecer o apoio permanente
da Embrapa, salientando a importância da pesquisa. “O que queremos é
tecnologia, inovação, para que o nosso agro não estacione”, afirmou, destacando
que, só assim, o país seguirá produzindo e atravessando crises.
Por último, a presidente da CNA pediu especial atenção do ministro aos novos
mercados. “Já perdemos uma grande oportunidade, quando negamos a Alca. Tivemos
tanto medo da invasão de produtos norte-americanos, que hoje estamos assistindo
à invasão de produtos chineses”, observou a senadora.
Ao lembrar recente artigo de sua autoria em que defendeu que os acordos
multilaterais de comércio sejam “balões” que levem o Brasil para o alto,
ampliando seu horizonte comercial, ela criticou o Mercosul. “Infelizmente, o
Mercosul funciona hoje como um acordo âncora, que nos leva ao fundo do mar e
atrapalha o País todos os dias”.
Em seu primeiro discurso como ministro da Agricultura, Antonio Andrade,
comentou: “Nós a elegemos presidente da CNA e estamos satisfeitos com o seu
trabalho”. O novo ministro ressaltou que é filho e neto de produtor rural e que
agora, pela obrigação do cargo, compromete-se a dedicar seu maior esforço à
causa agropecuária.
“Nosso horizonte sempre será o de produzir mais alimentos de forma sustentável,
gerando renda, empregos, divisas e expansão da balança comercial. E ajudando a
controlar a inflação”, discursou o ministro.
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