A
fama do café robusta de ser de baixa qualidade está dando lugar a um novo
horizonte no mercado internacional da bebida. “O café conilon está ganhando
reconhecimento porque está sendo bem preparado. Hoje, ele já passa pelos blends
de qualidade”, afirma Silvio Leite, diretor da Agricafé. Leite participa, nesta
terça-feira (12/3), do segundo dia do 14º Simpósio Nacional do Agronegócio Café
(Agrocafé), em Salvador (BA).
Segundo Leite, existem mercados, como a Itália, que não dispensam um percentual
de robusta nos blends em função do gosto e cultura dos consumidores. “Os
italianos não conhecem um bom blend de café sem um robusta. Ele é cremoso,
denso, pastoso, consistente e a Itália preza por um café com essas
características. Alguns robustas de qualidade na Índia, por exemplo, são
vendidos tão ou mais caro que bons arábicas”, explica o especialista.
Há cerca de cinco anos, a produção de robusta do Brasil era de 6 a 7 milhões de
sacas ao ano. Hoje, o volume varia entre 12 a 14 milhões de sacas, em sua grande
maioria, torrado e consumido no mercado interno. “Porém, no Brasil, quando se
fala em conilon de qualidade, não tem mercado. Não há demanda interna para esse
café mais caro ainda”, diz Leite.
Hoje, alguns cafés comercializados no mercado brasileiro chegam a ter 70% de
robusta no blend, embora não haja uma média no setor. Segundo Leite, o preço
mais acessível ainda é um dos principais motivos de crescimento do consumo do café
robusta no mercado interno.
Para Luiz Hafers, produtor e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, o
Estado do Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, é o maior exemplo
de sucesso da cafeicultura brasileira, “que cresce, ganha dinheiro e produz
robusta”.
Em termos de benefícios e propriedades, o conilon possui mais cafeína e ácidos
clorogênicos (compostos bioativos) que o arábica. No Brasil, a taxa desses
compostos no robusta varia de 1,5% a 2%, enquanto no café da África esse índice
chega até a 3%.
Segundo a nutricionista, especialista e pesquisadora de café, Adriana Farah,
por causa desses compostos, a bebida está entre os 10 alimentos com mais
atividades antioxidantes da dieta brasileira.
Demanda
Até
2020, a demanda mundial por café aumentará em 25 milhões de sacas. Na avaliação
de Silvio Leite, o Brasil, responsável hoje por aproximadamente 35% da produção
mundial, deve ter uma boa participação no fornecimento deste volume, assim como
o Vietnã.
No entanto, a grande preocupação do setor é a sustentabilidade econômica da
atividade, que hoje passa por uma crise de preços baixos, altos custos de
produção, elevada demanda e problemas quanto à qualidade devido a alterações
climáticas. “Com os custos que temos hoje, a preocupação é se vamos ter
condições de produzir nos próximos dez anos, especialmente os pequenos
produtores”, destaca.
Franca, no interior de São Paulo, tem o maior custo de produção de café do
país, chegando a quase R$ 400 a saca.
Globo Rural

