O Brasil
deverá ficar bem próximo dos Estados Unidos na exportação de milho na temporada
2012/13, ameaçando pelo menos momentaneamente a histórica liderança
norte-americana nos embarques do cereal, à medida que a produção brasileira
ganha força, segundo dados divulgados na sexta-feira (8) pelo Departamento de
Agricultura dos EUA (USDA).
Afetados pela pior seca em mais de meio século em 2012, os Estados Unidos
tiveram uma forte redução na produção do cereal, que está agora impactando nos
números de vendas externas norte-americanas. O Brasil, ao contrário, colheu e
exportou volumes recordes no ano passado.
“As exportações (dos EUA) foram reduzidas… por conta das lentas
vendas… e da competição mais forte do que o esperado com o milho da América
do Sul…”, disse o USDA em relatório.
O órgão dos EUA, os maiores produtores e exportadores globais do cereal,
reduziu a previsão de exportação norte-americana de 22,86 milhões para 20,96
milhões de toneladas no ano comercial 12/13, enquanto a previsão de embarques
de milho do Brasil foi mantida na sexta-feira (08) em 19 milhões de toneladas
no mesmo período.
Na temporada 11/12, quando os EUA tiveram uma safra melhor –de 313,95 milhões
de toneladas, ante 273,8 milhões em 12/13–, os norte-americanos exportaram 39,18
milhões de toneladas, ou quase o dobro do que devem embarcar no atual ano
comercial que se encerra em 31 de agosto.
Embora a quebra de safra dos EUA tenha transferido uma parte importante da
demanda global para a América do Sul, ela ilustra o potencial que o Brasil tem
nesse mercado, com consumo mundial crescente.
“Estamos vendo que o mercado está com déficit, o próprio americano está
com problemas, eles colocaram muito milho para a produção de etanol… A China
era exportadora de milho até 2010, em 2011 não exportou, em 2012 ela anunciou
que precisava comprar…”, disse o presidente-executivo da Associação
Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), o ex-ministro Alysson
Paolinelli.
Segundo ele, mesmo os EUA, grandes produtores, não conseguiram atingir suas
metas de uso de milho para a produção de etanol.
Nesse contexto, o Brasil tem espaço para ganhar mercado na exportação, embora a
associação considere que a prioridade tenha que ser o mercado interno, para que
o Brasil possa exportar produtos de maior valor agregado, como a carne de
frango e suína.
Na próxima temporada, se o tempo for favorável, os Estados Unidos deverão
colher uma safra recorde de milho, o que deve permitir aos norte-americanos
dominarem o mercado global com folga novamente.
Na soja, mercado em que a diferença do Brasil para os EUA não é tão grande na
produção, o país tem possibilidade de assumir a liderança global na exportação
em 2012/13.
Reuters

