Avicultura: Indústrias identificam recuperação no início do ano

por admin_ideale

Depois de um ano
desafiador para a avicultura, especialistas projetam alívio moderado nos
primeiros três meses de 2013. O cenário de custos mais acomodados deve
estimular a indústria e promover a recuperação do setor, expectativas que já se
confirmam neste início de ano.

Em janeiro, o
poder de compra do avicultor aumentou em quase todas as regiões do país, vez
que os principais insumos sofreram desvalorização no período, segundo o Centro
de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da Universidade de São
Paulo (USP). Em dezembro, 1 kg de frango comprava 2,7 kg de farelo de soja. No
final de janeiro, o mesmo volume passou a comprar quase 3 kg de farelo –
melhora de 11%  na relação de troca. Para o milho, 1 kg de frango comprava
5,3 kg do insumo em dezembro. No último dia de janeiro, foi possível comprar
 5,5 kg – 3,8% a mais.

Ainda durante o
mês de janeiro, o frango inteiro congelado teve aumento de 35,8% no preço médio
em São Paulo, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Cepea. O
produto ficou mais caro também na comparação com dezembro, mês que tem alto
consumo devido às festas de fim de ano, com aumento de 1,5% no preço do frango
congelado. Além desta valorização dos preços em janeiro, para este ano ainda é
esperada alta de 7,5% para frango inteiro e de 9,9% para o frango em pedaços.

Segundo o diretor
de Operações da Industria Averama, do Paraná – estado líder na produção de
frangos do país –, Genézio Garbin, o mercado está se recompondo com a retomada
de preços. “Ainda não está com os preços justos, mas desde dezembro já
começamos a ter alguma margem de lucro, com possibilidade de recuperação do
prejuízo do ano passado”, comenta.

Quanto ao mercado
externo, também houve melhora: no mês de janeiro a carne de frango ficou em
quarto lugar no ranking dos principais produtos com maior receita cambial do
país. Em 2012 o produto chegou, no máximo, ao quinto lugar na pauta
exportadora.

Além da
acomodação dos preços dos grãos, a melhora nos custos de produção está ligada à
redução da oferta de produtos e do volume de empresas no mercado. “Não houve
aumento de consumo, mas a produção caiu e o mercado externo se manteve estável,
com mesmo volume de exportações, o que gerou redução de produtos no mercado
interno”, explica Garbin. Segundo ele, com essa retração, a expectativa é de
que o setor se reposicione e se mantenha produtivo e lucrativo.

 

Para Ciliomar
Tortola, diretor industrial do Grupo GTFoods, indústria de Maringá, no Paraná,
nesse momento é necessário não só manter as soluções utilizadas para enfrentar
a crise, mas trabalhar para que as variáveis do mercado não influenciem tanto a
produção. “Avaliar o quanto podemos produzir com o menor custo, investir em
tecnologias que proporcionem produtos de valor agregado e tomar decisões
rápidas frente ao movimento do mercado devem ser constantes nas empresas para
que a recuperação do setor se concretize”, aponta.

Quanto aos
insumos, o mercado externo dá sinais de estabilidade e a expectativa da safra
de verão é positiva. A última estimativa oficial divulgada no final de janeiro
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) havia sido
180,4 milhões de toneladas com base em levantamentos da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab). “O mercado interno de grãos ainda está passando por
acomodação, mas já está com os preços estabilizados. Os mercados internacionais
também estão mais estáveis e a expectativa é que se mantenham assim”, completa
Garbin.

 

Perspectivas

Embora as
expectativas de crescimento da economia brasileira em 2013 não sejam altas, o
consumo de carne de frango no Brasil ainda deve crescer devido à expansão do
consumo por parte das classes C e D, segundo a União Brasileira de Avicultura
(Ubabef). A instituição estima para o ano crescimento de até 3%, tanto na
produção quanto nas exportações.

O presidente da
Globoaves, maior produtora de ovos férteis e pintos de um dia da América
Latina, Roberto Kaefer, explica de que as matrizes de corte no ano passado
foram reduzidas em 8%, o que deve gerar nos próximos meses decréscimo na
produção de pintos e ovos férteis. “Ela deve cair para volumes que reduzirão
oportunidades de crescimento na produção de carne de frango. Com a menor
oferta, o corre recuperação de preços. Os pintos de um dia deverão custar em
torno de R$ 1,00, praticamente o dobro do valor do ano passado”.

No mercado
internacional também há espaço para ampliação de exportações, segundo o
presidente executivo da Ubabef, Francisco Turra. “A crise nos ensinou que um
trabalho institucional forte e a cadeia produtiva unida têm capacidade de
superação mais rápida e eficiente”. E é com este foco que o setor avícola deve
trabalhar em 2013, prevê Turra. “Com o pé no chão e muita cautela, mantendo a
força e a estabilidade dos negócios. O diferencial será a busca pela agregação
de valor ao produto, tanto para o mercado interno quanto o externo”.

De maneira geral,
segundo Kaefer, com esse panorama, as expectativas são as melhores. “Podemos
concluir que esse será o ano da avicultura, devido à estabilidade de produção e
à oferta de carne, com os custos ajustados para baixo e os preço valorizados”, finaliza.

 

Agrolink com informações de assessoria




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