O
início de um processo de aproximação comercial entre Estados Unidos e União
Europeia (UE), anunciado recentemente, foi minimizado pelo ministro das
Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, que preferiu destacar que as
negociações entre o Mercosul e o bloco europeu estão bem mais adiantadas.
O chanceler brasileiro lembrou que os países membros do Mercosul e da União
Europeia têm até o fim deste ano para apresentar propostas que possam
viabilizar um acordo bilateral entre os dois blocos.
“O que se decidiu à margem da cúpula latino-americana e Caribe, em
Santiago, foi o compromisso de troca de ofertas até o último trimestre deste
ano. No limite, no fim de 2013”, afirmou o ministro das Relações
Exteriores do Brasil.
A possibilidade de uma aproximação mais forte entre Estados Unidos e UE começou
a ser ensaiada nos últimos dias, e as negociações têm um cenário de conclusão
nos próximos anos.
Os países sul-americanos são grandes fornecedores de insumos e matérias-primas,
e um acordo norte-americano com a União Europeia poderia afetar a balança
comercial desses países.
“Isso não surgiu agora, já havia possibilidade da negociação entre EU e
EUA e teremos que ver qual é o mandato negociador. Isso ainda vai levar um
tempo. A nossa negociação com União Europeia já está relativamente
avançada”, ponderou o ministro.
O acordo bilateral entre UE e Mercosul foi tratado em dezembro do ano passado
pela presidente Dilma Rousseff com o presidente da Comissão Europeia, Durão
Barroso.
O Brasil e os países do Mercosul impõem como condição primordial para um acordo
a abertura do mercado europeu aos produtos agrícolas.
“Estamos avançando com vistas à conclusão de acordo que seja obviamente
vantajoso para nossa região. A questão agrícola para nós é essencial e isso foi
deixado claro pela presidente Dilma quando ela se reuniu com o presidente da
Comissão Europeia, Durão Barroso, em dezembro”, disse Patriota.
Mercosul e UE estudam há alguns anos uma aproximação e um acordo bilateral
entre os blocos, mas as negociações esbarram em barreiras e entraves dos dois
lados.
Os membros do Mercosul querem maior espaço para seus produtos agropecuários e
os europeus canais maiores para a entrada de produtos industrializados, além de
uma proteção mais intensa de suas marcas e patentes.
Em março, segundo o chanceler brasileiro, haverá uma reunião técnica em
Montevidéu, no Uruguai, para debater um posicionamento sobre as negociações com
a UE.
Reuters
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