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Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, tem meta de aumentar as
exportações do seu principal produto em 2013 em 17,9 por cento na comparação
com o ano passado, após ter registrado um decréscimo nos embarques em 2012
frente a 2011, disse o presidente da instituição.
Segundo Carlos Paulino da Costa, o objetivo é elevar as exportações para 2,5
milhões de sacas de 60 kg, volume que superaria os 2,12 milhões do ano passado
e os 2,45 milhões de sacas de 2011, ano em que os cafeicultores brasileiros
tiraram proveito dos maiores preços em mais de 30 anos em Nova York para
faturar com embarques mais volumosos.
O presidente da Cooxupé, com sede em Guaxupé, no sul de Minas Gerais, Estado
que responde por cerca de metade da produção do Brasil, avaliou que os preços
deverão ter uma recuperação, já que atingiram uma baixa considerada
insustentável do ponto de vista da oferta e da demanda.
“Daqui a pouco chega no fundo do poço, daqui a pouco o café conilon vale
mais do que o arábica, e pelo balanço mundial não está sobrando café, está em
equilíbrio”, afirmou Paulino à Reuters, observando que uma esperada
recuperação nas cotações deve favorecer as vendas.
O café arábica negociado em Nova York fechou sexta-feira (15) no menor valor em
mais de dois anos e meio. Nesta segunda-feira (18) as negociações foram
suspensas na ICE Futures por conta de um feriado nos EUA.
“Acho que vai voltar ao ritmo normal (a exportação), o estoque é bom, mas
não é fenomenal”, disse o presidente da Cooxupé, ao comentar a baixa nos
embarques em 2012, quando os produtores seguraram as vendas em um ano de safra
recorde no Brasil, devido a preços pouco interessantes. Além disso, a colheita
no ano passado foi prejudicada em seu início por chuvas atípicas, que afetaram
inclusive a qualidade dos grãos.
Segundo Costa, os produtores também sabem que em anos de baixa no ciclo bianual
do arábica, como é 2013, as cotações tendem a ficar mais firmes, incentivando a
liberação de estoques e as exportações.
“O produtor se acostumou… ele vende um pouco em setembro e outubro e
reserva uma parte para vender no ano seguinte que ele acha que o preço
subirá”, explicou.
Costa disse ainda que o fato de o preço do café conilon estar próximo do
arábica, que tem qualidade superior, é uma “anomalia do mercado”,
“difícil de explicar”.
SAFRA SEGUE BOM CAMINHO
De acordo com o presidente da Cooxupé, o clima tem favorecido o desenvolvimento
da safra de café, com colheita começando em meados do ano, e a cooperativa
mantém a sua previsão de colher 7,25 milhões de sacas, contra 9,68 milhões em
2012.
Apesar de uma queda de 25 por cento ante o último ano de alta, a Cooxupé ainda
aumentaria em cerca de 10 por cento a produção na comparação com 2011, último
ano de baixa.
“O tempo está correndo bem, aumentar (a produção) não vai, não tem florada
fora de época; quebrar, não vai, porque o tempo continua normal”, disse
ele.
Para o cafeicultor, o temor, por ora, se resume a eventuais chuvas na colheita.
“A única preocupação é com a colheita. Se chover, prejudica a qualidade.
Enquanto o café não estiver guardado no armazém, não tem segurança”,
comentou.
A exemplo da Cooxupé, outras regiões produtoras do arábica deverão colher mais
em 2013 do que em 2011.
A nova safra de café do Brasil, o maior produtor e exportador mundial, foi
estimada em janeiro em 48,57 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab).
Será um recorde de produção para uma safra de baixa no ciclo bianual do café
arábica, variedade que responde por cerca de 75 por cento da produção nacional.
No último ciclo de baixa, em 2011/12, a produção brasileira de café foi de 43,5
milhões de sacas.
Reuters
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