O
comitê científico da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em
inglês) manteve para o Brasil o status de “risco insignificante” de
doença de vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina EEB). A condição foi
reafirmada durante encontro na última semana e anunciada na segunda-feira (11).
Desde a confirmação de um caso não clássico da doença em um animal do Paraná,
ainda em 2010, o país sofreu uma série de embargos. Doze países decidiram não
mais comprar carne bovina brasileira.
Em texto divulgado hoje em Paris a comissão científica informou que após
“deliberação extensiva a comissão concluiu, de acordo com as normas do
Código de Saúde de Animais Terrestres da OIE, não retirar o risco
negligenciável de status do Brasil.
Ainda de acordo com a OIE, a identificação do caso não colocou o Brasil e seus
parceiros comerciais sob risco de saúde pública, uma vez que o animal não
entrou na cadeia alimentar humana ou animal.
Por outro lado, a comissão mostrou-se preocupada com a demora de o Brasil
enviar as amostras clínicas para diagnóstico confirmatório para um laboratório
da OIE, recomendando também “forte monitoramento”.
Na última semana, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Enio Marques, afirmou ao
Agrodebate que o governo brasileiro está esclarecendo todas as dúvidas dos
países embargantes. Segundo ele, a manutenção do status vai fortalecer as
negociações com o propósito de eliminar as restrições.
Últimos a interromperem a importação de carne foram o Qatar e a Bielorrússia.
Além dos dois, soma-se à lista o Japão, a China, a África do Sul, a Arábia
Saudita, a Coréia do Sul, Taiwan, Peru, Líbano e Jordânia (somente do Paraná);
e Chile (somente farinha de carne e de osso). A participação destes países nas
exportações totais brasileiras não alcança nem 5%.
Respostas aos embargos
Mas, mesmo diante da apresentação de provas sobre seu status, o Brasil ainda
não conseguiu retomar as vendas da carne. E o governo brasileiro prometeu
reagir contra aqueles países que oferecem resistência.
Em março, o Brasil vai formalizar reclamações contra os aqueles representantes
que embargaram a compra de carne bovina e que ainda não reestabeleceram o
comércio internacional, mesmo diante da garantia do status sanitário
brasileiro. As queixas serão apresentadas junto ao Comitê de Medidas Sanitárias
e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC), durante reunião em
Genebra, segundo Enio Marques.
Nas palavras do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa), Enio Marques, trata-se de uma reação contra
“barreiras desnecessárias ao comércio”.
Dos países que embargaram, são clientes de Mato Grosso a China, Arábia Saudita,
Jordânia, Chile, Peru, Líbano e o Qatar. Porém, devem impactar diretamente no
desempenho mato-grossense a China, Arábia Saudita, Peru e Qatar, já que os
demais embargaram somente a carne do Paraná.
Pelos cálculos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o impacto
estimado é de US$ 54,8 milhões sobre um total de US$ 962 milhões (5,6%), que
foi quanto o Estado exportou em 2012.
Agrodebate
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