A cidade já não é mais a mesma. O campo também não. Diariamente os noticiários revelam casos cada vez mais preocupantes de atividades criminosas. Os cidadãos estão em constante vigilância, saem de suas casas com apreensão, atentos ao menor comportamento estranho das pessoas que por eles passam e preocupados com tudo aquilo que deixam em casa.
No meio rural, a distância das propriedades rurais dos centros urbanos coloca os produtores em situação ainda mais delicada. Um produtor rural de Viana chegou ao limite. Depois de sofrer vários assaltos e furtos em sua propriedade, localizada entre os municípios de Cariacica e Viana, ele vendeu o imóvel.
O produtor teve prejuízos altos, com o roubo de 150 cabeças de gado e outros 14 animais, entre cavalos e éguas. “Em quatro assaltos perdi muita coisa e estava cansado de tanta insegurança na região. Por isso vendi tudo”, revela o produtor, que prefere não se identificar por medo da retaliação dos bandidos. Ele pretende recomeçar o trabalho em outra cidade.
Alternativa
No ano passado, o presidente do Sindicato Rural de Viana, Abdo Gomes, se reuniu com a Polícia Militar da região para buscar reforço e melhorias para a segurança no local, mas até o momento nada foi feito. “Devemos trabalhar no sentido de criar uma polícia específica para a área rural. Precisamos de policiais treinados para trabalhar nessa função, pois a realidade do campo é diferente das cidades”, destaca Abdo Gomes, que buscou referência em outros Estados, que possuem policiais capacitados para atuar na área rural.
Segurança tributária
Além da segurança policial, quem atua em prol do campo busca também reforço na segurança tributária. Estimativa da Conab indica que o Espírito Santo perde mais de R$ 80 milhões somente com a sonegação de imposto sobre o café, o que equivale a deixarem de ser recolhidos R$ 67.729.789,68 com o ICMS (Impostos sobre circulação de mercadorias e serviços) e R$ 12.981.543,02 com a contribuição do Senar/ES. Essas perdas prejudicam, e muito, o crescimento da atividade agropecuária no Estado.
Para tentar mudar essa realidade, a Faes, o Senar/ES e os Sindicatos Rurais vão trabalhar, neste ano, com o Projeto Arrecadação com foco para a educação tributária, por meio de uma parceria com CCCV – Centro do Comércio de Café de Vitória, RFB – Receita Federal do Brasil e INSS – Previdência Social, Sefaz, Idaf, NAC-Município e Amunes.
O objetivo da iniciativa é conscientizar o cidadão quanto à importância social do tributo, ampliar a arrecadação tributária e o aumento da emissão voluntária de documentos fiscais e do IPM – Índice de Participação dos Municípios.
Para isso, serão realizados encontros nos 78 municípios do Espírito Santo ao longo deste ano, com intuito de contribuir para a capacitação técnica e pedagógica de servidores e multiplicadores que atuam nos sindicatos rurais junto aos produtores.
“Queremos que o produtor possa produzir com segurança em sua propriedade e comercializar seu produto com a certeza de que o valor pago está sendo adequadamente aplicado para a melhoria e o crescimento da atividade agropecuária”, defende o superintendente do Senar/ES, Neuzedino Alves de Assis.
Redação Campo Vivo
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