Avaliação e Expectativas – Setor de Leite

por admin_ideale

Acaba o ano de 2012, que começou com preços ao produtor bem acima do ocorrido no mesmo período de 2011. Entretanto, essa alta não foi suficiente para acompanhar a alta dos custos de produção, puxados principalmente pelo preço do milho e do farelo de soja.

Algumas tentativas foram feitas, ao longo do ano, pela indústria para baixar o preço do leite ao produtor, mas situações adversas (principalmente aumento do farelo de soja e do milho e seca em regiões produtoras) impediram que tal fato se concretizasse. Se a indústria não conseguiu baixar o preço do leite pago ao produtor não permitiu, porém, que o aumento acompanhasse o aumento do custo de produção, conforme mostram os dados da Scot Consultoria, sustentando que em 2012, o preço do leite ao produtor aumentou 1,2%, enquanto o custo médio para produzir um litro de leite foi 1,7% maior do que 2011.

Esse fato, não chegou ao ponto de inviabilizar a lucratividade da atividade, mas achatou bastante a margem de lucro.  Quando isso acontece o setor de produção adota mecanismos de defesa. Como primeira opção, reduz a suplementação das vacas e posteriormente deixa de investir na atividade. A repercussão da primeira alternativa aparece de imediato na redução da produção, enquanto a falta de investimento aparece nos anos subseqüentes. Este fato fica marcante para rebanhos que trabalham com vacas de altas produções e que, portanto, necessitam de alimentação suplementar com concentrados. No estado do Espírito Santo, esses rebanhos não são maioria e, bem por isso houve recorde de produção. 

Em tese, 2012 não foi um ano ruim para os produtores, muito embora muitos deles tivessem suas margens estreitadas, pois como dito o custo do litro de leite, em média, aumentou mais do que o preço recebido pelo produtor.  

Quem amargou as conseqüências de aumentos foi mesmo o consumidor que encarou significativos aumentos, em todos os produtos lácteos ofertados, em 2012, quando comparados com 2011.  Já no varejo todos os produtos lácteos tiveram significativos aumentos para o consumidor.

A produção de leite no Estado do Espírito Santo que já bateu recorde, neste ano, produzindo 451,3 milhões de litros (há expectativa de que a produção ultrapasse os 470 milhões de litros) acompanha de perto a conjuntura nacional com pequenas variações que ficam ligadas a peculiaridades regionais.

Vale registrar que nos últimos cinco anos, muitos produtores capixabas estão investindo mais intensivamente no melhoramento genético de seus rebanhos, no melhoramento das pastagens e no manejo dos animais. Os primeiros resultados começam a surgir com aumentos significativos de produtividade, saltando de uma produtividade média de 6 a 7 litros de leite por vaca por dia para 15 litros por vaca por dia.  Infelizmente o contingente de produtores que vem adotando essas tecnologias ainda não é maioria.


Perspectivas para 2013

Segundo os analistas do setor haverá menor oferta de lácteos em 2013, fato que anima os produtores, pois traz, no seu bojo, tendência de aumento no preço pago pelo litro de leite. Entretanto a grande diversidade de fatores (crises econômicas nos países desenvolvidos, melhora do poder aquisitivo da população dos países em desenvolvimento, clima – secas nos principais países produtores – estoques zerados ou muito pequenos e concorrência entre empresas e entre países) que afetam o preço do leite ao produtor dificulta sobremaneira fazer previsões de médio e longo prazo. 

Por outro lado, o cenário de achatamento da margem de lucro acorrida em 2012 pode reforçar a hipótese de redução na produção de leite, em 2013, sustentada pelos analistas.  A leve insegurança ocorrida em 2012 pode ter levado os produtores a investirem menos na atividade. Isso provocará queda de produção em 2013.

Considere-se também, que as áreas plantadas de soja e de milho aumentaram, mas as previsões são, ainda, nebulosas para dar sustentabilidade na redução dos custos na produção de leite e assim incentivar os produtores a investirem de imediato para aumentar a produção. 

O fato de a grande maioria do rebanho capixaba ser constituída, ainda, de animais que não necessitam ou necessitam de pouca alimentação suplementar com ração concentrada, permite prever que no estado, embora tímido, haverá aumento de produção em 2013, quando comparado com 2012. Aqui no estado, os produtores estão investindo mais no melhoramento e no manejo das pastagens.

A situação, principalmente para as pequenas indústrias, que terão pela frente: preços ao produtor, possivelmente em alta e aumento de salário mínimo, ficará complicada em 2013. Com custos mais altos e com pouca margem para operar, pois a concorrência é grande, muitas terão que rever suas logísticas de operacionalidade, sob pena de fracassarem. Muito embora o mercado varejista seja franco comprador, pois o poder aquisitivo está em alta. Uma coisa parece certa: dificilmente, em 2013, a indústria vai conseguir recuperar sua pretendida participação no preço final ao consumidor.

Analistas, mais pessimistas, alegam que é preciso haver melhora significativa na margem de lucro para o produtor, pois só assim poder-se-ia evitar a crise que ronda a pecuária de leite no Brasil. Alegam que a crise pode ser de grandes proporções e de longo prazo. Defendem que a melhoria de margem de lucro para o produtor pode vir via redução de custos ou via aumento de preço pago ao produtor. Para a indústria aumentar o preço pago ao produtor ela tem que repassar o custo para o consumidor. Isso fica complicado, pois ela trabalha com margem muito pequena.

 

  Pedro Cani

Gerente de Pecuária da Secretaria de Estado da Agricultura

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