Instituto faz estudo final das novas variedades clonais de café conilon

por admin_ideale

A cafeicultura do conilon é uma das atividades mais
importantes nos aspectos econômico e social no Espírito Santo, principalmente
na geração de empregos e renda. Nos últimos 20 anos, o Instituto Capixaba de
Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) tem avançado em
pesquisas para renovação e revigoramento de lavouras com a utilização de
variedades melhoradas.

Esses esforços foram fundamentais para que, neste ano, o Instituto lance duas
novas variedades clonais de café conilon, cujas características são: maior
produtividade, maior tolerância a doenças, grãos maiores e, sobretudo, maior
qualidade final do produto. O principal objetivo dos trabalhos é o
desenvolvimento de cultivares superiores, estáveis e com adaptabilidade para os
diferentes ambientes, que apresentem alta produtividade e elevada qualidade
final da produção, além de disponibilização de mudas para continuar a renovação
do parque cafeeiro do Estado.

Os trabalhos de pesquisa vêm sendo conduzidos em
diferentes macros ambientes representados pelas fazendas experimentais do
Incaper de Marilândia, Sooretama e Bananal do Norte, em Cachoeiro de
Itapemirim. No total foram avaliadas mais de 20 características para cerca de
mil clones avaliados, de onde foram selecionados 54 superiores para as provas
finais de qualidade e sairão as novas variedades de café conilon, que pertencem
à espécie Coffea canephora.

Nessa quarta-feira (09), o Incaper realizou teste
sensorial dos clones das variedades no laboratório da Conilon Brasil, que fica
no município de Jaguaré. Nesta etapa de avaliação, os provadores pontuaram dez
quesitos: fragrância/aroma; sabor; salinidade/acidez; amargor/doçura; sensação
na boca; equilíbrio; conjunto; retrogosto; uniformidade; e limpeza.

“Essa é a primeira vez que priorizamos nas
pesquisas de melhoramento genético a análise sensorial para desenvolvimento de
novas variedades. Esse é um marco nas pesquisas, pois destaca a qualidade final
do café. Temos certeza de que o mercado mundial vai consumir mais o nosso
conilon, pois é um produto de qualidade imensurável”, avaliou Romário Gava
Ferrão, pesquisador do Incaper e coordenador de cafeicultura do Estado.

De acordo com o diretor-presidente do Incaper,
Evair Vieira de Melo, as ações de fomento desenvolvidas pelo Instituto são
inovadoras. “O Governo do Espírito Santo não mede esforços para garantir
qualidade e quantidade na cafeicultura capixaba. Na safra 2012, a produção
estadual quase atingiu 10 milhões de sacas, um recorde, respondendo por 76% da
produção brasileira deste tipo de café. Essas novas variedades desenvolvidas
pelo Incaper são inovadores e de fator determinante para o comércio de café, pois
quem não estiver dentro dos padrões, não vai conseguir se manter no mercado”,
afirmou.

Evair de Melo, que também é especialista na área de
avaliação sensorial, participou do teste sensorial e identificou cafés
diferentes, com aspectos positivos em relação aos cafés conilon usuais. “Vamos
ter cafés especiais com características diferenciadas”, comemorou.

Cultivares já desenvolvidas pelo
Incaper

O programa de melhoramento genético de café conilon
foi iniciado pelo Incaper em 1985, considerando as diferentes características
que a espécie apresenta. Neste programa, foram desenvolvidas e recomendadas
seis variedades e geradas informações importantes para a espécie. As cultivares
são:


• Emcapa 8111

• Emcapa 8121

• Emcapa 8131

• Emcapa 8141 Robustão Capixaba

• Emcaper 8151 Robusta Tropical

• Vitória Incaper 8142


Cafeicultura no Espírito Santo

A cafeicultura é o sustentáculo econômico de 80%
dos municípios e responde por 43% do valor bruto da produção agrícola capixaba.
A cadeia produtiva, em sua totalidade, gera aproximadamente 400 mil postos de
trabalho ao ano. A produção anual é de cerca de 12,5 milhões de sacas, entre
arábica e conilon, colhidas em 60 mil propriedades, das quais mais de 73% são
de base familiar.

O Espírito Santo ocupa menos de 0,5% do território
brasileiro e numa área de aproximada de 500 mil hectares está inserida uma das
mais imponentes cafeiculturas do mundo. O café está presente em todos os
municípios capixabas, exceto Vitória, sendo ele o maior gerador de empregos no
Estado.

Dentro da produção de café estadual,
aproximadamente 73% é de conilon. Ele é plantado em 64 municípios, em regiões
quentes, com altitudes inferiores a 500 metros. Os maiores produtores são Vila
Valério, Jaguaré, Sooretama, Linhares, Rio Bananal, São Mateus, Nova Venécia,
Pinheiros e São Gabriel da Palha e a produção de cada município é superior a
400 mil sacas por ano.

Eduardo Brinco


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