Pesquisadores e Extensionistas discutiram o café no Espírito Santo

por admin_ideale

Cerca de 40 profissionais, entre pesquisadores e
extensionistas, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e
Extensão Rural (Incaper) discutiram as pesquisas com o café no Espírito Santo.
O evento aconteceu nesta quarta (19) e quinta-feira (20), no Centro de Estudos
do Agronegócio da Heringer, em Vila Velha.

Dentre os objetivos, a apresentação, avaliação e
discussão da pesquisa sobre café conduzida pelo Incaper e parceiros no Estado
visando sua reorganização; a apresentação dos principais resultados e ações
futuras da pesquisa; além de realizar um levantamento das demandas com base nos
problemas da pesquisa da cafeicultura capixaba, sintonizada com pontos críticos
brasileiros.

“O Incaper tem mais de 25 anos de pesquisa com o
café, e é referência no tratamento do café Conilon. Grande parte desse trabalho
representa o avanço na produtividade e na qualidade do produto, que representa
boa parte do PIB do Espírito Santo”, indicou o diretor-presidente do Incaper,
Evair Vieira de Melo.

Para o diretor técnico do Incaper, Aureliano
Nogueira da Costa, esse é um bom momento para integração entre os profissionais
da pesquisa, das fazendas experimentais e dos centros regionais do Instituto.
“Nossa expectativa é que os novos servidores que chegaram este ano no Instituto
entrem em sintonia com os projetos que estão em andamento e fortaleçam as
equipes de trabalho”, afirmou.

A fitotecnista do Incaper Maristela Aparecida Dias
aprovou a oportunidade. “Vamos conhecer como estão os programas e com isso
analisar como podemos contribuir aplicando nossos conhecimentos”, disse.

Dentre as pautas do evento estavam: “Estado da arte
do programa de pesquisa de café do Incaper e dos programas de desenvolvimento
do Estado do Espírito Santo”, “Síntese do programa de pesquisa de cada região
do Espírito Santo: projetos e planos de ações de pesquisa, problemas e
demandas, equipes atuais e futuras para atender as demanda nas diferentes áreas
do conhecimento” e “A pesquisa científica de café no Brasil”.

“É muito importante traçar essas estruturas
internamente para mantermos a qualidade das pesquisas e tecnologias que serão
transmitidas aos agricultores capixabas e também para continuarmos como
referência de pesquisa em nível nacional e internacional”, apontou o
coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Romário Ferrão.

Cafeicultura no Espírito Santo

A cafeicultura é o sustentáculo econômico de 80%
dos municípios e responde por 43% do valor bruto da produção agrícola capixaba.
A cadeia produtiva, em sua totalidade, gera aproximadamente 400 mil postos de
trabalho ao ano. A produção anual é de cerca de 12,5 milhões de sacas, entre
arábica e conilon, colhidas em 60 mil propriedades, das quais mais de 73% são
de base familiar.

O Espírito Santo ocupa menos de 0,5% do território
brasileiro. Nessa área está inserida uma das mais imponentes cafeiculturas do
mundo, numa área aproximada de 500 mil hectares. O café está presente em todos
os municípios capixabas, exceto Vitória, sendo ele o maior gerador de empregos
no Estado.

Dentro da produção de café estadual,
aproximadamente 73% é de conilon e 26% de arábica. O café conilon é plantado em
64 municípios, em regiões quentes, com altitudes inferiores a 500 metros. Os
maiores produtores são Vila Valério, Jaguaré, Sooretama, Linhares, Rio Bananal,
São Mateus, Nova Venécia, Pinheiros São Gabriel da Palha, e a produção de cada
município é superior a 400 mil sacas por ano.

Já o arábica é produzido em 43 municípios capixabas
– em regiões com altitude superior a 500 metros -, envolvendo 20 mil
propriedades. Cerca de 70% da produção advém das regiões do Caparaó e Serrana,
sendo que os principais municípios produtores são Brejetuba, Iúna, Vargem Alta,
Muniz Freire, Irupi, Ibatiba. A produtividade média no Estado é de 15,2 sacas
beneficiadas/ha, mas muitos produtores alcançam mais de 40 sacas/ha, e outros
chegam a até 80 sacas/ha.

A cafeicultura do Espírito Santo tem um
planejamento com ações bem definidas até o ano 2025, contempladas pelo Novo
Pedeag – temática café. Em síntese, esse plano estratégico, estabelece metas
para o café capixaba: dobrar a produtividade e produção estadual com a produção
de 30% do café superior, sem aumento de áreas plantadas. Para alcance dessas metas,
foram levantados problemas e definidas várias ações estratégicas, que estão
sendo implementadas, a curto, médio e longo prazo. As ações prioritárias atuais
são: programa de melhoria da qualidade do café conilon, programa Renovar Café
Arábica, marketing internacional e nacional dos cafés do Espírito Santo,
desenvolvimento de novas variedades, melhor manejo de irrigação, associação de
cafés com árvores, certificação e mercado.


Eduardo
Brinco


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