O que antes
era considerado um problema ambiental pode trazer benefícios para a
agricultura. Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa,
Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) identificou que a lama abrasiva
residuária das indústrias de rochas ornamentais pode ser utilizada como
fertilizante agrícola. O estudo, desenvolvido pelo pesquisador André Guarçoni,
vai ao encontro da missão do Incaper: promover soluções tecnológicas e sociais
por meio de ações integradas de pesquisa, assistência técnica e extensão rural,
visando o desenvolvimento do Espírito Santo.
O resíduo do
granito é um problema para indústrias do setor de rochas ornamentais. A lama
abrasiva proveniente do corte das pedras é considerada prejudicial ao ambiente,
pois é fonte de diversos contaminantes. Entretanto, por meio de uma
caracterização química do material, foi possível observar que existe uma
concentração razoável de cálcio e potássio, nutrientes requeridos em grandes
quantidades pelas plantas. “Verificamos que a lama possui elevado teor de
ferro. Porém, a forma em que o ferro se encontra na lama abrasiva impediu
acentuada absorção pelas plantas. Verificamos também a presença de metais
pesados, mas em quantidades inferiores às definidas pela legislação vigente”, explicou
Guarçoni.
O pesquisador do Incaper aplicou doses crescentes de lama abrasiva em vasos que
simulavam covas com dois níveis de calagem. O estudo foi feito considerando o
crescimento inicial do café conilon. Guarçoni observou que a aplicação do material
aumentou o crescimento das mudas e a absorção de potássio e cálcio pelas
plantas. Além disso, observou-se ainda que a absorção de metais pesados
respeitou os índices previstos na legislação, desde que a quantidade utilizada
seja a recomendada.
Juliana Esteves
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