O bloqueio do Japão à carne brasileira terá impacto
reduzido e o receio demonstrado por Rússia e Irã deve ser dissolvido com
informações. Essa é a avaliação das autoridades brasileiras, uma semana após
terem confirmado à comunidade internacional que uma vaca morta em dezembro de
2010 em Sertanópolis (Norte do Paraná) portava o agente causador da “doença da
vaca louca”, ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB).
O caso ainda provoca tensão no mercado. Nos últimos
dois dias, enquanto técnicos brasileiros se revezavam em reuniões com
autoridades japonesas, representantes da Rússia e do Irã mostravam
desconfiança. Foi confirmado ontem o bloqueio de quatro contêineres com carne
brasileira em Bandar Abbas, principal porto comercial do Irã, pela IVO, a
agência veterinária iraniana. Na véspera, a Rússia, admitiu estudar novo
embargo à carne brasileira, num momento em que a presidente Dilma Rousseff
tenta, em visita a Moscou, por fim a restrições impostas um ano e meio atrás.
Rússia e Irã estão entre os maiores importadores de carnes do Brasil, comprando
o equivalente a US$ 100 milhões e US$ 20 milhões ao mês, respectivamente. O
Japão, único a confirmar embargo, tem pouco peso
nas vendas externas da pecuária brasileira. Segundo a Associação Brasileira das
Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), de janeiro a outubro, o Japão
importou 1,39 mil toneladas de derivados de carne bovina do Brasil (1,54% do
volume total), pagando US$ 7,64 milhões (1,38% do faturamento).
Além de repassar mais informações, não há motivo
para medidas sanitárias extras, disse ontem o presidente da Agência de Defesa
Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz. “Não temos nada para mudar.
Nosso sistema de vigilância é tão refinado que conseguiu detectar o caso de
Sertanópolis, um achado casual. (…) O embargo japonês é uma medida de
proteção ao consumidor. Agora é hora de o Brasil dar explicações, garantias.
Nenhum país é considerado livre da EEB”, declarou.
O Brasil manteve sua condição de área de risco insignificante, a melhor posição
na escala. O ex-chefe de Fiscalização e Defesa Agropecuária do Paraná, Silmar
Buhrer, que agora integra a Adapar, disse que, comparada à crise da aftosa
deflagrada em 2005, o caso da “vaca de Sertanópolis” terá impacto pequeno no
setor. Ele avalia que não há razões para embargos e a segurança do consumidor
está garantida.
Gazeta do
Povo
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