A Comissão
da União Africana (AUC), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO) e o Instituto Lula anunciaram nessa quarta-feira
(21) que estão somando esforços para erradicar a fome e a desnutrição na
África.
A decisão
foi tomada em uma reunião entre a presidenta da Comissão da União Africana,
Nkosazana Dlamini Zuma, o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, e o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é presidente honorário do
Instituto que leva seu nome.
Esse esforço junta a liderança da União Africana, a experiência técnica e o
comprometimento constante de combate à fome da FAO e a experiência política do
ex-presidente Lula. O conhecimento e o apoio de outros parceiros
internacionais, regionais e nacionais fará com que essa parceria tenha sua
força ainda mais amplificada.
Durante o encontro, que aconteceu na sede da União Africana, em Adis Abeba, as
três entidades envolvidas concordaram em convocar uma reunião de alto nível com
líderes africanos e internacionais sobre “Novos enfoques unificados para acabar
com a fome na África”. A reunião acontecerá em Adis Abeba, nos dias 4 e 5 de
março de 2013.
“Segurança
alimentar é uma das prioridades-chave da União Africana. A África tem o
potencial para aumentar sua produção agrícola, já que quase 60% das terras
aráveis do continente ainda não são utilizadas. Esse enorme potencial pode
fazer uma diferença significativa na melhora de nossa produção agrícola e
segurança alimentar. É hora de ir além da agricultura de subsistência e considerar
caminhos para embarcar em uma produção agroindustrial”, disse Dlamini-Zuma.
O
ex-presidente Lula ressaltou sua vontade de compartilhar com a FAO e a União
Africana as experiências bem-sucedidas no Brasil no combate à fome e na
distribuição de renda através de transferências monetárias e de um
desenvolvimento mais inclusivo. Ele também falou sobre o “milagre” necessário
para impulsionar a produção agrícola.
“O milagre é
permitir que os pequenos tenham acesso a crédito e a tecnologia. Nós queremos
que as pessoas aprendam que, com crédito e tecnologia, elas vão produzir mais,
comer mais, vão vender mais e vão ter recursos em caixa para ter acesso a bens
materiais e para cuidar melhor da família”, disse Lula.
“A
construção de uma alimentação e nutrição seguras na África com segurança
alimentar e nutricional requer uma melhor governança, vontade política renovada
e um forte comprometimento de trabalhar conjuntamente através de programas
inovadores e abrangentes de segurança alimentar e nutricional e de estratégias
envolvendo todas as partes interessadas”, disse Graziano. “Esse é um esforço
conduzido pela África, com o apoio de parceiros, como a FAO e o Instituto
Lula”, acrescentou.
Dlamini-Zuma, Lula da Silva e Graziano da Silva concordaram que é importante centrar
esforços no fortalecimento da participação de mulheres na agricultura e nos
sistemas agro-alimentares e no investimento em crianças e nos jovens.
“As mulheres
estão muito envolvidas na agricultura, por isso, nossos programas devem levar
em conta a participação de gênero e da juventude”, disse a presidenta
Dlamini-Zuma. “Nós também concordamos em trabalhar juntos em uma das
iniciativas emblemáticas da União Africana, o Programa de Desenvolvimento em
Infraestruturas na África (PIDA), para promover a infraestrutura do continente.
Sem infraestrutura nós nunca poderemos alcançar nosso potencial máximo de
desenvolvimento”.
Os três líderes discutiram a relação entre conflitos, fome, paz e segurança
alimentar. “A paz é a melhor arma para promover a segurança alimentar”, resumiu
Graziano da Silva.
Uma África sem fome – visão comum
A parceria será baseada na visão comum de que uma África sem fome é possível e
que esforços concentrados podem alcançar melhorias tangíveis na segurança
alimentar e nutricional revertendo o aumento da fome que elevou o número de
desnutridos no continente de 175 milhões no início dos anos 90 para 239 milhões
hoje.
Embora o continente africano ainda tenha muitos desafios, Zuma, Lula e Graziano
mostraram que há muitos exemplos positivos no continente, de países que tiveram
avanços significativos em segurança alimentar e nutrição. O sucesso deles,
assim como outros exemplos positivos, como o brasileiro, podem ser usados para
aprender e construir sobre aquilo que já funciona.
Entre as áreas
de foco da ação, os lideres concordaram sobre a necessidade de ampliar e
construir a partir de iniciativas bem-sucedidas e de promover o intercâmbio de
conhecimento entre os países. Eles também destacaram que o diálogo de
alto-nível precisa ser facilitado para reforçar o compromisso político na luta
contra a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição.
A reunião
deixou claro que ainda há muito a ser feito em termos de coordenação, alocação
e desenvolvimento de recursos financeiros e humanos e também do fortalecimento
das capacidades institucionais regionais e nacionais. É nesse contexto que a
parceria proposta procura agregar valor aos esforços existentes por meio de
ações concretas para melhorar a segurança alimentar e nutricional na África.
Aprendendo e construindo sobre o que funciona
A parceria renovada pretende identificar todos os fatores políticos,
econômicos, sociais e humanos que levam a melhorias sustentáveis no crescimento
inclusivo, na segurança alimentar e em resultados nutricionais. Ela vai
proporcionar valor-agregado a iniciativas e programas em curso, aproveitando o
compromisso político sustentável e criando o impulso necessário para um maior
empenho de outras agências, tanto nacionais quanto internacionais, envolvendo o
setor privado, fortalecendo o papel da sociedade civil, da aprendizagem entre
pares a partir de experiências bem-sucedidas dos países e capitalizando a
partir de novas formas de parcerias inovadoras e de solidariedade.
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