A carne
suína seguiu em franca valorização em outubro. Em algumas praças acompanhadas
pelo Cepea, o aumento do preço da carne chegou a 17%. Essas altas refletiram os
reajustes do suíno vivo iniciados na segunda quinzena de setembro. A
valorização do animal vivo, por sua vez, foi motivada pela redução da oferta
após as fortes perdas sofridas por produtores, especialmente em julho.
O Indicador
do Suíno Cepea/Esalq avançou 14,2% no estado de Minas Gerais entre os dias 28
de setembro e 31 de outubro. Em São Paulo, houve alta de 11,7% no mesmo
período. Em Santa Catarina, o Indicador teve aumento de expressivos 9,9%
e, no Paraná, de 9,8%. No Rio Grande do Sul, o preço médio pago ao
produtor teve elevação de 8,4% no acumulado de outubro. Como
consequência, essas valorizações do animal vivo foram repassadas ao consumidor
final. No entanto, como resposta, as vendas da carne começaram a dar sinais de
enfraquecimento na segunda quinzena de outubro, uma vez que a carne bovina se
tornou mais atrativa.
Assim, mesmo
com o encerramento do ano se aproximando, agentes colaboradores do Cepea
relataram um cenário atípico para o período. Na segunda quinzena de outubro,
não se viu aquecimento das compras de suínos vivos para a formação de estoques
de cortes e embutidos a serem escoados no final do ano.
Esse
comportamento dos frigoríficos também decorreu da oferta de animas relativamente
baixa, tendo em vista que o alto custo da ração no correr deste ano levou
muitos produtores a reduzir o plantel em meados de julho, ou até mesmo
abandonar a atividade. Como consequência, a oferta de animais diminuiu nos
meses seguintes, o que, inclusive, motivou forte recuperação nos preços do
suíno vivo entre meados de agosto e de outubro.
Exportações
As
exportações de carne suína in natura totalizaram US$ 153,30 milhões,
montante 4,9% maior que o de setembro e 27,5% superior ao de outubro/11,
segundo dados da Secex. Considerando-se o dólar médio de R$ 2,03, as
exportações da carne suína in natura somaram R$ 311,14 milhões em outubro. Em
termos reais, essa receita é a maior desde outubro/08 – o preço em moeda
nacional foi deflacionados pelo IPCA de out/12.
O preço
médio da carne in natura exportada foi de R$ 5,74, elevação de 5,1% em relação
a setembro/12, porém 1,8% inferior à média deflacionada de outubro/11. No
último mês, foram embarcadas 54,2 mil toneladas, o que representa apenas 0,6% a
menos que o volume de setembro, mês que apresentou a maior quantidade desde
outubro de 2009. Quando comparado com o mesmo mês em 2011, no entanto, o total
é 41,1% maior.
Apesar da
valorização do preço médio da carne exportada entre os dois últimos meses,
a vantagem em relação ao valor praticado no País diminuiu, já que, aqui, os
reajustes foram maiores. A carcaça tipo exportação valorizou 10,3% no atacado
da Grande São Paulo ao longo de outubro, elevando a média mensal para R$
5,07/kg. Com isso, exportadores receberam, em média, 67 centavos a mais por
quilo que o obtido no atacado da Grande São Paulo. Em setembro de 2012, a
diferença entre os preços esteve em 94 centavos/kg – R$ 5,46/kg contra R$
4,52/kg.
Relação de
troca de insumos
Em relação
ao mercado de insumos, a cotação do farelo de soja caiu ao longo do mês de
outubro. As quedas estiveram atreladas às baixas observadas nos preços do grão.
A última projeção da safra de soja norte-americana, divulgada em outubro pelo
USDA, foi maior frente à de setembro, o que pode elevar a disponibilidade da
oleaginosa no mercado externo. O Brasil, por sua vez, deve aumentar a produção
na safra 2012/13.
No entanto, a aproximação do final da colheita nos Estados Unidos fez com que
agentes ficassem mais atentos, devido à firme demanda pelo grão daquele país
para exportação. Caso a oferta de soja norte-americana não atenda a demanda
mundial crescente para este período, deve haver maior interesse pelo produto
da América do Sul, ainda em fase de cultivo. Em Campinas (SP), a tonelada
do farelo de soja desvalorizou 12% ao longo do mês, negociada a R$ 1.144,04 no
dia 31 de outubro. Em Chapecó (SC), o derivado de soja foi negociado a R$
1.281,39/t no dia 31, baixa de 6,4% no mesmo período.
Já os preços do milho voltaram a subir no correr de outubro no mercado
nacional. Segundo pesquisadores do Cepea, o cereal brasileiro está mais
competitivo que o norte-americano, abrindo espaço para o aumento
das exportações. Além disso, a redução de 4,4% da estimativa de produção
do cereal na safra mundial 2012/13, prevista no último relatório do USDA
em relação ao de setembro, também sustentou a valorização do grão nos portos
brasileiros.
No mercado interno, a paridade entre os preços nos portos e no interior do País
favoreceu a demanda por parte das empresas domésticas. O preço médio da saca de
60 kg de milho valorizou 7,8% em Chapecó (SC) em outubro, negociada a R$
33,44 no dia 31. Em Campinas (SP), o grão chegou a R$ 32,20/sc de 60 kg,
elevação de 5,6% no mesmo período.
Carnes
concorrentes
Considerando-se
as carnes bovina, suína e de frango, a suína foi a que mais valorizou de
setembro para outubro. Com o preço médio a R$ 4,77/kg em outubro, a
carcaça comum suína apresentou aumento de 13,3% frente à média de setembro, em
termos reais – os preços foram deflacionados pelo IPCA de out/12. O
valor médio do frango resfriado esteve, em outubro,5,7% superior ao do mês
anterior, enquanto o da carcaça casada bovina, 4,4% inferior ao de
setembro.
As
valorizações da carne suína estiveram atreladas aos reajustes do suíno vivo
iniciados em meados de setembro. No encerramento do mês, no entanto, os
preços da carne perderam sustentação na maioria das regiões pesquisadas
pelo Cepea. Além da menor demanda pela carne nesse período do mês, a
temperatura mais elevada diminuiu a disposição para o consumo de carne
suína.
Outro fator
responsável pela menor demanda foi à perda de competitividade da carne suína
frente à bovina – vale lembrar que a carne bovina é preferida pelo consumidor
brasileiro. Considerando-se a média de outubro/12, a carne suína está 25% mais
barata que bovina, sendo que, em outubro/11, estava 37% mais barata, em termos
reais.
Cepea/ ESALQ
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