A nova geração cooperada
Com mais de 200.000 cooperados, entidades investem nos jovens para fortalecer sistema cooperativista
Nos anos de 1930 e 1940, nasciam, no meio rural, as primeiras Cooperativas do Espírito Santo. A liderança de homens e mulheres do campo possibilitou a motivação de grupos de interesse na agricultura para trabalhar pelo bem comum. Hoje, no Estado, o sistema cooperativista já está consolidado na sociedade rural e diversas atividades estão se unindo para conquistar melhorias.
São 37 cooperativas agrícolas no Estado, registradas na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) do Espírito Santo, e a quantidade de cooperados gerais ultrapassou as 200 mil pessoas. Para manter esse crescimento e dar suporte às entidades existentes, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) do Estado, criou, em 2008, o Fojolico, o Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas. De acordo com o superintendente da OCB/Sescoop no Espírito Santo, Carlos André Santos de Oliveira, 80% desse programa é para cooperados ou filho de cooperados e 20% é para empregados ou filhos de empregados cooperativos. “O objetivo é que haja uma oxigenação e a formação dos jovens de maneira consistente para que possam ser membros de cooperativas. Esse é o grande objetivo”, diz Oliveira.
No município de Nova Venécia, no norte capixaba, a pecuária é uma das principais atividades econômicas. A Cooperativa Veneza, fundada em 1957 por 17 produtores rurais, hoje possui mais de 1.200 cooperados fornecedores de leite. Com 59 anos de atuação, a entidade resolveu investir na formação de lideranças cooperativistas. “A gente já percebe o engajamento do jovem rural. Hoje, eles estão buscando novidades e conhecimento. O setor rural é discriminado de todo tipo de acesso a informação. Então, o que a gente percebe é a alegria do jovem de estar participando desse processo e ser inserido numa sociedade moderna e inovadora”, destaca o presidente da Veneza, José Carnieli.

“Já estamos percebendo o engajamento do jovem rural”, diz José Carnieli, presidente da Veneza
A primeira turma do Fojolico em Nova Venécia se forma no mês de dezembro. São 40 jovens, entre 16 e 24 anos, que estão sendo capacitados para gerir o negócio cooperativo de forma competitiva, exercendo seu papel de liderança. É o caso de Liliane Kummkipper, de 22 anos. Filha de cooperado do Latícinios Veneza, ela ficou sabendo do curso através do jornal da cooperativa e decidiu participar. Hoje, ela trabalha na própria cooperativa colocando em prática o que está aprendendo. “Meu pai é cooperado da Veneza e recebemos, junto com a cartilha do leite e o jornal, o convite sobre o curso de jovens lideranças. Achei um assunto bem interessante, pois nunca teve nada voltado para a área jovem na cooperativa. Tive interesse pelo curso e depois me tornei colaboradora da cooperativa”, diz Kummkipper.
O curso tem duração de vinte meses com carga horária de 330 horas. Quinzenalmente, aos sábados, os alunos têm aulas focadas em gestão de pessoas e processos e cooperativismo. Para a jovem Liliane, o programa é uma oportunidade de fortalecer o cooperativismo. “O curso traz conhecimentos que a gente não tinha. A cooperativa é uma empresa como qualquer outra, mas o seu lado social é o que mais me fascina. Ela tem interesse pela sociedade”, afirma.

Pecuária foi um dos setores que iniciaram o cooperativismo no Espírito Santo. Hoje, em Nova Venécia, segmento movimenta economia regional e reforça a necessidade do trabalho em conjunto
No campo, a necessidade de estimular os jovens para dar continuidade ao trabalho dos pais é evidente em cada canto do Estado. E uma das motivações do jovem Cleomar Salvador, de Nova Venécia, veio do programa Fojolico. Filho de produtor rural cooperado, Cleomar acredita que o curso é uma grande oportunidade para os jovens rurais continuarem o trabalho realizado atualmente. “Eu já trabalhava na cooperativa (Sicoob) antes do curso e agora aprimorei o relacionamento com os cooperados. Antes eu os atendia como clientes e hoje sei a importância que cada cooperado tem na entidade. Então, trabalho de forma diferente para fazer que ele sinta que isso aqui é deles”, afirma Salvador.
Para o superintendente da OCB, a satisfação dos jovens demonstra os primeiros resultados conquistados com o programa de capacitação dos líderes cooperativistas. “Muitos dos alunos formados no programa já fazem parte de conselhos fiscais e de administração. Estão com ideias inovadoras dando um novo ar a essas cooperativas. Esse é o propósito do programa, reunir a juventude treinada com os mais experientes. Essa é a receita de sucesso para o futuro do cooperativismo capixaba”, diz Carlos André, da OCB.
Com motivação e investimentos no meio rural, o jovem poderá continuar e aprimorar o trabalho cooperado realizado na agropecuária capixaba, resultando em geração de emprego e renda e no bem estar das comunidades rurais. “O futuro passa pela renovação, pela juventude. Nada melhor que investir na preparação do jovem cooperativista para manter e até melhorar o sistema”, aponta Carnieli. E o investimento nos mais novos gera reconhecimento e vontade de contribuir para o crescimento das cooperativas. “Se a cooperativa investiu em mim e nos outros membros da turma é porque eles acreditam que essas pessoas podem trazer ótimos resultados”, finaliza Cleomar Salvador.
Veja, abaixo, a entrevista com o produtor rural e presidente da Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo (Coopbores), Emir de Macedo Gomes Filho, sobre a importância de investir nas jovens lideranças
Franco Fiorot
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