O tom de voz calmo e sereno e os passos lentos
amparados por uma bengala disfarçam a autoridade de Sakae Kamitani, 82 anos,
desbravador que cultiva a terra há três décadas em Mato Grosso do Sul.
Presidente da Cooperativa Agrícola Sul Mato-grossense (Copasul), que ajudou a
fundar em Naviraí, ele acompanha de perto a expansão do agronegócio no
Centro-Oeste e enxerga um futuro promissor. Em sua avaliação, a abertura de
áreas vem sendo facilitada pelas novas tecnologias e, se existe um limite, é o
da legislação ambiental.
Ele considera que o aproveitamento de pastagens degradadas na agricultura pode
ser feito de um ano para o outro, e que as condições de vida de uma forma geral
melhoraram nas zonas de expansão. “Se não tiver luz dá para ligar um gerador,
se não tiver água dá para cavar um poço artesiano”, afirma. Quando chegou em
Naviraí, trabalhava no cabo na enxada. Em casa, a luz vinha de lampiões a gás.
Inspirado na expansão do setor, Sakae Kamitani acredita que a Copasul, que foi
criada por 28 produtores e hoje tem 700 associados, poderá dobrar o faturamento
de 2013 a 2018 e chegar a R$ 1 bilhão. Além de grãos, a empresa explora a
agroindústria do algodão e a da mandioca.
O negócio comandado pelo imigrante japonês se adaptou a vários ciclos do
agronegócio brasileiro. Começou com o café e chegou à soja e ao milho, que
reinam atualmente. Em sua avaliação, este não será um ciclo provisório.
Os números confirmam a evolução. Segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produtividade da soja
passou de 1,5 mil quilos para 3 mil quilos por hectare de 1975 para cá. Mato
Grosso do Sul tem acompanhado essa evolução mesmo com problemas climáticos como
seca e excesso de chuva. Porém, a disponibilidade de áreas é cada vez menor.
Para o neto de Sakae, Victor, 30 anos, a saída é cultivar áreas arrendadas.
Gazeta do Povo
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