O cacau
produzido no município de Linhares acaba de conquistar uma certificação inédita
na cacauicultura do Brasil e na agropecuária do Espírito Santo. Nenhum outro
cacau produzido no território nacional ou outro produto da agropecuária
capixaba possuem tal reconhecimento.
O Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI) entregou à Associação dos
Cacauicultores de Linhares (ACAL) o Certificado de Indicação Geográfica para
identificar a região de origem do produto. A solenidade foi realizada em
Linhares, na sede da Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), e contou
com a presença do secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento,
Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, do presidente do Instituto Capixaba de
Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo,
da Titular do INPI no Espírito Santo, Edilamar Gonzaga, do presidente da ACAL,
Maurício Buffon, do gerente da CEPLAC, Elpídio Francisco Neto, do deputado
Estadual Atayde Armani, de lideranças locais e produtores rurais.
“A Indicação
Geográfica é conferida pelo INPI a produtos ou serviços que são característicos
do seu local de origem. O certificado para o cacau de Linhares é um marco
histórico. Parabéns a todas as instituições parceiras envolvidas nessa
conquista. A certificação confere ao nosso cacau reputação, valor intrínseco e
identidade própria. Com isso ele se diferencia em relação aos outros existentes
no mercado”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Denominada
de ‘Certificação de Indicação Geográfica Linhares’, a chancela coloca o cacau
cultivado no Espírito Santo entre os melhores do Brasil e com reconhecimento
internacional. Nem mesmo Bahia e Pará, os principais produtores de cacau do
Brasil, têm áreas de produção certificadas com esta graduação.
“Agora temos
que traçar um novo caminho para expandir o mercado do cacau produzido no
Espírito Santo. Na Europa, por exemplo, o mercado compra qualidade e é isso que
temos que ofertar”, afirma o presidente da ACAL, Maurício Buffon.
A novidade
já será divulgada internacionalmente na França, entre os dias 31 de outubro a 4
de novembro durante o Salão do Chocolate de Paris, com a presença de uma
delegação capixaba.
“O cacau é
um alimento fino, consumido por mercados que têm muita informação. Esse
documento eleva o nome de Linhares e aumenta a credibilidade do nosso produto”,
ressalta o presidente do Incaper, Evair Vieira.
“Sem dúvida
alguma o Espírito Santo sai na frente. Conseguimos atender os requisitos
exigidos para a obtenção do certificado. Agora temos a oportunidade de romper a
barreira nacional e ganhar o mundo com o cacau de Linhares”, comemora o gerente
da CEPLAC no Espírito Santo, Elpídio Neto.
O cacau no ES
Cultivado no
Espírito Santo há mais de 100 anos, além da produção com alta qualidade, o
cacau contribui para a conservação ambiental de uma das bacias hidrográficas
mais importantes do Sudeste Brasileiro, a bacia hidrográfica do Rio Doce, a
partir do manejo das lavouras no sistema de produção ‘Cabruca’, onde o cacau é
cultivado a sombra de espécies da mata atlântica, emprestando a bacia o nome de
Floresta do Rio Doce.
Sob sistema
‘Cacau Cabruca’ e outros Sistemas Agroflorestais, ao todo são 23 mil hectares
plantados com a cultura do cacau em terras capixabas e cerca de 1200 produtores
estão envolvidos no processo de produção.
O município
de Linhares possui 90% da área plantada. Suas amêndoas possuem fama
internacional e são protegidas por uma indicação de procedência, que garantem
qualidade e rastreabilidade. Além disso, outros 19 municípios produtores,
buscam conciliar a produção e recuperação da lavoura cacaueira no Estado. Os
destaques são Rio Bananal, São Mateus, Colatina, Aracruz, Marilândia, Águia
Branca e Pancas.
Com as ações
em curso realizadas pela Secretaria de Estado da Agricultura em parceria com as
instituições ligadas ao setor cacaueiro, a meta é produzir 14 mil toneladas/ano
em 2015. O Programa Estadual de Renovação da Lavoura Cacaueira está em
andamento para a renovação das lavouras em novas bases. Com ele, os
cacauicultores tem acesso ao Pagamento de Serviços Ambientais, recebimento de
mudas resistentes a pragas e doenças, crédito financeiro com condições
diferenciadas e assistência técnica.
Léo Júnior
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